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28/02/2010 às 10h02m - Atualizado 28/02/2010 às 10h15m



A Ilha Grande localizada no litoral de Angra dos Reis no Estado do Rio de Janeiro  era chamada pelos índios Tamoios de Ipaum Guaçu, que na lingua Tupi significa Ilha (Ipaum) Grande (Guaçu).

Esse registro deve-se ao aventureiro alemão Hans Staden, que assim o registrou nos mapas publicados em sua obra em 1557.

Desde do ano de 1591, quando o marinheiro Inglês Antony Knivet, tripulante de uma armada corsária (A qual conta-se a bandeira já era vermelha e preta) tentou pela primeira vez colonizar a ilha, encontrando um núcleo de cinco ou seis casas habitadas por portugueses-índios que cultivavam mandioca, batata-doce, bananas, criando porcos e galinhas, Ilha Grande foi palco de diversos fatos históricos como pirataria, tráfico de escravos, plantio de cana de açucar e café, engenhos de açucar e alcool e até a construção de um presídio.

Considerado um paraíso ecológico, Ilha Grande está contida na Área de Proteção Ambiental dos Tamoios (APA dos TAMOIOS) constituindo-se na Reserva Biológica da Ilha Grande (Decreto nº 9.728 de 06.03.87) que por sua vez é subdividida em 3 áreas mais específicas com o objetivo de preservar integralmente as espécies de fauna e flora raras, ameaçadas de extinção.

Estas áreas podem ser atravessadas por trilhas que cortam a mata ainda exuberante. A cobertura vegetal da Ilha Grande faz parte do maciço remanescente da Mata Atlântica, sendo parte integrante do Patrimônio Nacional. A ilha abriga uma rica fauna e flora representativas da região com muitas espécies de pássaros - papagaio, pica-pau, tíés, sabiás, saracuras, entre outros, diferentes e várias espécies de macacos, esquilos, tatús, pacas, ouriços e cobras. Algumas espécies são consideradas ameaçadas de extinção, como é o caso do Alouatta fusca, popularmente conhecido como macaco bugio.

Ao final de cara trilha há sempre uma praia ou cachoeira à espera dos aventureiros.

A "Capital" desta ilha, principal ponto de onde partem os visitantes e onde se concentra grande parte dos habitantes é a Vila de Abraão. A maior parte destes moradores é formada de Rubro-negros que para assistir e torcer nos jogos do mengão se concentram em um  ponto de referência: O Bar Sinuca do Dudu.

Filho da Terra e apaixonado pelo Flamengo, durante os jogos decisivos, DUDU chega a instalar e montar um telão levando o estádio para o centro da ILHA. "Geralmente têm sempre uns 100 torcedores por aqui, mas nos jogos finais concentramos mais de 300", diz com orgulho.

No teto do bar DUDU pintou dois escudos do clube e está preparando uma grande pintura ilustrativa para cobrir toda a parede interna.

Ali, parte da Nação torce, vibra e sofre com as jogadas dos craques rubro-negros. Pescadores, artesãos, donas de casa, guias turísticos, estudantes e visitantes sabem que podem encontrar um porto seguro para juntos vibrarem com a Maior Torcida do Mundo.

Nos dias de jogos, alguns moradores chegam de praias mais distantes de barco ou a pé, como Palmas, Pouso, Feiticeira, Saco do Céu e Iguaçu em busca da imensa bandeira do Flamengo que marca e sinaliza o ponto de encontro.

O eco dos jogos e das comemorações pode ser ouvido a distância por vários pontos da Ilha. Em algumas de suas 86 praias, as vitórias do Flamengo são comemoradas pelos moradores, dançando o tradicional CALANGO ou saboreando o prato típico de peixe com banana.

O interessante é perceber que mesmo nos locais e praias mais isoladas como a do Aventureiro e Parnaioca ou nas mais habitadas como Palmas e Saco do Bananal, é só falar no Bar do DUDU que todos falam do Flamengo, começando a contar suas histórias pessoais ligadas as imensas conquistas do Time Mais Querido do Brasil e certamente da "Ipaum Guaçu".

Aliás, vale observar que em uma das obras mais famosas representativas destes índios, o óleo sobre tela "O Ultimo Tamoyo" de Rodolpho Amoêdo pintado em 1883, hoje no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro, apresenta um índio Tamoyo vestindo um adorno... vermelho e preto. Seria um prenúncio?

Autor: Rodrigo Tolentino Nunes

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Perfil

Rodrigo Tolentino Nunes é carioca, criado nas vizinhanças do clube, nas alamedas da Gávea e geneticamente rubro-negro.

Sua profissão o obriga a viajar constantemente aos rincões mais distantes do país, o que permite que testemunhe a imensidão da nação chamada Flamengo. Das cidades litorâneas, passando pelas mais remotas vilas no coração do Amazônia está sempre atento a um símbolo, um gesto, uma paixão rubro-negra.

Não importa em que região esteja, retorna para perto do mengão para assistir aos jogos, muitas vezes tornando à partir novamente logo após o apito final. Afinal, caminha com a certeza de que onde encontrar um torcedor do Flamengo, encontrará um amigo.

contato: rodrigotn@flamengo.com.br