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20/10/2010 às 11h11m



Os jogadores vão treinar, se concentrar e jogar. Nós todos iremos trabalhar, curtir o final de semana e,  no domingo a noite,  torcer. Nada muito diferente do que sempre acontece.

É que um grande amigo meu, descendente direto de portugueses, me ligou na segunda logo cedo. Perguntou pela família, trabalho, saúde e essas coisas de praxe, para só depois então chegar no objetivo final da ligação:  "Chegou a hora hein?".

Fingi que não sabia do que se tratava. "Hora de que?". Motivo bastante para ouvir uma voz meio ofendida do outro lado da linha. "Não vem com essa Sorin. Vai dizer que você não sabe que domingo tem Flamengo e Vasco?". "Ah, isso. Estou lembrado sim. Porque?".

"Nada Sorin, deixa pra lá". Um pequeno silêncio meio pensativo do outro lado da linha e então a frase venenosa: "Segunda que vem vou te ligar nesse mesmo horário pra explicar porque... Passar bem".

Já expliquei mil vezes pro Almeida que nós não temos esse sentimento todo que eles nutrem pelo Flamengo e Vasco. Não sei se isso do lado de lá  é coisa do tempo do Eurico ou sei lá o que. Estarei ansioso pelo jogo assim como estive antes do confronto com o Internacional. Assim que acabar o próximo meu pensamento já estará voltado para o Corinthians e assim por diante. O que me move é o Flamengo. Pura e simplesmente.

Julgando pelo verdadeiro frisson que o nosso risco de entrar na zona de rebaixamento causou há algumas rodadas atrás nos nossos adversários, fica parecendo que o Flamengo move tudo e todos. Não é desmerecer não. Clássicos regionais têm um peso maior no emocional mesmo. E, sabendo disso, eles ficam se degladiando do lado de lá para saber qual dos jogos envolve a maior rivalidade.

Vasco, Botafogo, Fluminense, tanto faz pra mim. É um grande jogo e ponto final. Se algum torcedor que não seja Flamengo ler esse post (muito improvável),  vai dizer que ele é mais uma demonstração da arrogância dos rubro-negros. Mas, na boa, você já viu alguém defendendo que o clássico de maior rivalidade no Rio é algum que não envolva nosso time?

De qualquer forma, minha preocupação não está do lado de lá. Está  em nós mesmos. É só mais uma semana. Mais uma rodada de um campeonato que não vamos ganhar. Temos que fazer o melhor possível nas rodadas restantes. Se perdermos não há o menor motivo para pânico. Se vencermos não há porque soltar rojões pelas ruas. Estamos trabalhando de olho no futuro. Estou certo que teremos um 2011 radiante. Temos três meses até lá. Um trimestre como outro qualquer...

CURTAS
. Bacana o Léo Moura ter chegado aos 300 jogos. Há muito tempo digo que um dos grandes mistérios do futebol é a gente conseguir manter no nosso time dois laterais tão bons e por tanto tempo.

. Ganhamos de três do Inter. Pode ser que em dezembro este mesmo Inter seja consagrado como o melhor time do mundo. Estamos podendo, hein?

. Ainda assim na saída do Engenhão ouvi gente reclamando. Tinha um cara tentando convencer o outro que vencemos mas não convecemos. "Nunca vi fazer tanta exigência..."

. Vi jogador dando entrevista apoiando o horário puxado de treinos imposto pelo Luxemburgo. O cara tá ou não tá com moral?

.mercioquerido@hotmail.com


Autor: Vida de Torcedor

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Perfil

O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.