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28/03/2011 às 09h24m



Ufa!!!  

Por pouco nosso projeto de ganharmos o Estadual de maneira invicta não vai para o espaço. O tricolor suburbano foi bastante aguerrido e quase complica de verdade nossos propósitos. O suficiente para a parte da torcida presente ao estádio, que decidiu trocar sua paixão pelo Flamengo, e passar a torcer pelo Adriano F. C., ficar nervosa, achando que se o Imperador estivesse em campo, por exemplo, nossa zaga não ia ter falhado no primeiro gol e empurrado a bola para dentro. Muitos devem ter pensado também algo do tipo, fizemos três, se o cara estivesse em campo, quem sabe faríamos uns oito ou nove?

Quando essas situações acontecem, vejo vir à tona o tipo de comportamento mais indigno do Manto Sagrado que pode ocorrer. Rubro-negros torcendo para um tropeço do Flamengo, só para provarem que estão certos.

Acontece sim e, infelizmente, não é coisa lá muito rara. A lógica é abjeta, nojenta, deturpada e, porque não dizer, até mesmo idiota. Basta o cara não concordar com a contratação desse ou daquele jogador, alguma decisão da direção, uma opção tática do treinador, e isso basta. Falo isso porque acompanho esse time a tempo suficiente e, tenho orgulho de dizer, de muito perto, para reconhecer esta corja em questão de segundos.

É simples. Basta antes dos dez minutos de jogo alguém proferir algo do tipo "Aí, não estou dizendo que..." ou "Estou cansado de falar que..." e pronto, está lá, desmascarado e orgulhoso de mostrar todo o seu conhecimento do Flamengo, conhecimento que o leva a ter direito de torcer contra por um, dois, cinco jogos, ou até uma temporada inteira para provar que tem razão.

Exultante, o Homo Flamengus Estupidus, vocifera pra todo mundo ouvir que o fim está próximo, que só ele sabe o caminho da salvação e que, se nós pobres mortais, não conseguimos ver todo o seu brilhantismo, que sejamos arrastados junto com o nosso time para o limbo destinado aos ignorantes que não conseguem enxergar o óbvio.

Passei a semana proferindo: "Sou ateu, mas que Deus nos livre de um tropeço contra o Madureira no domingo. Os vampiros estão à espreita desde o começo da temporada, estão sedentos e com muito veneno escorrendo por suas presas diabólicas".

Não deu outra. Logo após cada gol do Madureira, gritos de Adriano surgiam da arquibancada e eu pensava: "Mas que diabos, por um acaso o Adriano ia voltar para jogar na zaga ou no lugar do Felipe?". Alguns jogadores foram marcados sob pressão durante todo o jogo. Era encostar na bola, e a sonoplastia idiota elevava o tom nas arquibancadas em um tímido, já que com campanha invicta, "UUUUUUUU..."

Quando o placar final do jogo ficou no empate, certa decepção de quem estava doido para curtir um pouco o ato de protestar se fez notar no ar.

Isso, presenciei naquele microcosmo de pouco mais de 5000 pagantes que se dispuseram a acompanhar o time de perto. Fico imaginando quantos milhares de rubro-negros ao contrário, de norte a sul do país, em seus lares ou nos botecos, não ficaram chateados com a reação tardia que, se não configurou uma virada definitiva, pelo menos manteve a campanha invicta e o propósito de deixar as coisas assim mesmo até o título.

Quando fiz algumas brincadeiras via twitter na tarde de sexta, ironizando a parte da torcida do Flamengo que resolveu inventar uma crise para o nosso clube, alguns se manifestaram com uns argumentos meio esquisitos. Um deles foi que o meu "papinho" ia cair por terra quando viesse a nossa eliminação na Copa do Brasil (??!!). Juro que o tom era de alguém que parecia estar torcendo para que tal coisa acontecesse. Pode ser que não, mas parecia. Lá isso parecia.

Continuamos invictos no Estadual e, o que dava pra fazer na Copa do Brasil até o momento, realizamos com primor. Vão ter que aturar, galera do arco-íris. É triste dizer e, espero muito que você que está lendo não seja um deles, vão ter que aturar rubro-negros de araque que conseguem torcer contra o nosso time.

CURTAS

. Júlio, o mais gastronomicamente aguerrido dentre nós, fez a gentileza e encarou a iguaria que citei em post anterior. Resultado final: o tal sacolé de biscoito que vendem no Moacyrzão foi aprovado.

. Gritos da mulher que estava atrás de mim no estádio quando alguns erros aconteciam nas trocas de passes e/ou finalizações: "Toca menino!!"; "Isso aí é macumba que jogaram!!". Mas o campeão mesmo foi: "O garoto está com demônio no corpo, leva ele na Igreja Universal!!".

. Momento comovente e não programado na saída do estádio: Quando notamos, estávamos os cinco membros do Quarteto Fantástico (o Sorinzinho é o quinto elemento e só (??!!) foi a 33), presentes em todos os 38 jogos da campanha do Hexa, reunidos em roda programando detalhes das viagens do Brasileirão que se aproxima. Não sei não, acho que vai dar liga de novo. Vamos ver.

. Além de nós "quatro": Júlio, Ricardo, Sorin, Sorinzinho e Zé Paulo, um novo membro está empolgado e prometendo ir a todos os 38 da campanha do Hepta, Paulinho. Estará formada a Liga da Justiça?

. Sei não hein, mas estou sentindo que os vídeos vão ficar absolutamente imperdíveis.

. É projeto do grupo fazer algo tipo um site Fla Mochila, para quem quiser acompanhar em tempo real as peripécias do grupo.

. Independente disso, em @sorinmercio, sortearei alguns brindes para os leitores do Vida de Torcedor. Coisas do Flamengo e souvenir vagabundo das cidades por onde iremos passar. Twittermania.

Autor: Vida de Torcedor

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Perfil

O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.