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05/06/2011 às 18h17m - Atualizado 05/06/2011 às 18h17m



Continuando a brincadeirinha iniciada no texto anterior, relato os dois momentos do lado bom que foram sorteados no amigo oculto do bem e do mal... Se você não leu o texto, vale dar uma conferida aí embaixo antes de ler esse... Mesmo se você não for dos mais fortes. Lendo em sequência, acho que dá pra qualquer um agüentar a carga negativa dos três momentos dolorosos que relatei por lá.

LADO BOM 1: Fiquei muito feliz de ter saído esse no sorteio. Considero o momento mais maravilhoso que passei com o Flamengo em toda a minha vida. Tanto que, mesmo sendo péssimo com datas, essa ficou marcada na minha memória.

O ano era 1999, para ser mais preciso, no dia 20 de dezembro. Jogo contra o Palmeiras no Palestra Itália. A decisão poderia ser até em 3 jogos. Ganhamos o primeiro no Maracanã, uma derrota no dia já citado, forçaria um terceiro jogo 3 dias depois, também em domínios palmeirenses. Viagem pra lá de conturbada. Sem grana para duas viagens em seguida, se fossem necessárias, me enfiei em ônibus de uma das organizadas, o que sempre multiplica o tempo gasto para chegar ao destino. Lembro de ter comemorado o primeiro gol do Fla ainda dentro do ônibus.

Enfim, em jogo emocionante, lá pelos tantos minutos do segundo tempo (lembrar isso com exatidão já é querer demais dos neurônios do tio), o placar marcava 3 a 2 para a equipe paulista, como já dito, resultado que forçaria um terceiro jogo, mais uma viagem desgastante, e mais uma falta no trabalho, probabilidade já comunicada ao patrão com antecedência. Ao meu lado, uma bela moça que estava também enfiada na tumultuada excursão se lamentou: "Ai meu Deus!! Quanto frio, fome, nervoso..."

Naquele momento Lê dominou a bola e partiu em direção à área adversária,  então estendi uma blusa minha para ela e respondi: "isso vai ajudar com o frio, fome não tem jeito, o nervoso acabou... Olha lá... Vamos marcar". Dito e feito, nosso jogador finalizou na saída do goleiro e uma crise histérica tomou conta do nosso setor nas arquibancadas, o Flamengo era campeão da Mercosul, em cima do Palmeiras, jogando fora de casa, o dia mais feliz da minha vida. Detalhe: exatamente um ano depois, o Palmeiras voltava a decidir o título em casa, dessa vez contra o Vasco, em uma das viradas mais emocionantes que já vi no futebol, a equipe paulista conseguiu transformar uma vitória parcial de 3 x 0 no intervalo, em uma catastrófica derrota por 4 x 3 ao fim da partida. Deve ter sido o melhor dia da vida de muito cruzmaltino também.

LADO BOM 2: Segundo gol contra o Náutico, no jogo lá em Recife, na campanha do Hexa em 2009. Essa campanha foi muito especial pra mim e para mais alguns amigos meus. O título coincidiu com o ano em que fomos aos 38 jogos da campanha. Coincidiu mesmo, pois se naquele mesmo ano o Flamengo terminasse em um sem sal décimo terceiro lugar, também estaríamos hoje comentando com o mesmo orgulho a nossa façanha de ter conseguido estar presente a todos os jogos daquele Brasileirão.

Em algumas rodadas anteriores a essa, as vitórias em sequência do Flamengo, e os tropeços constantes dos nossos adversários na luta pelo título, já vinham me fazendo chorar. Como se estivesse pressentindo que o longo jejum de 17 anos acabaria, e justamente em uma ano tão especial para as minhas reminiscências de torcedor. Lembro que não comemorei aquele segundo gol. As lágrimas jorraram imediatamente quando a bola tocou o fundo da rede. Eu só olhava para meus amigos e apontava para o campo. Minha mão apontando e meu choro queriam dizer: "Vocês estão vendo isso? Vocês já perceberam que ninguém vai conseguir tirar esse campeonato da gente?"... Tudo bem, vou confessar... Acabo de pegar um guardanapo para secar algumas lágrimas que acabaram de cair no meu teclado. Muito bom estar vivendo aquilo de novo nesse exato momento. Já está até dando uma vontade de abrir todos os outros 15 papéis que preparei para sortear os que seriam relatados aqui e continuar com isso. É um caso a se pensar... Se eu começar a me aprofundar nessa brincadeira, é possível que tenha material para um livro... Tantas emoções...

Quem leu o texto anterior deve lembrar que peguei três papéis com maus momentos, e somente dois com bons momentos. O motivo? Decidi burlar as regras. O terceiro momento, em um dia como de hoje, só podia ser o gol do Pet, momento maior e unânime entre os rubro-negros mais jovens.

LADO BOM 3: Óbvio que não ouvi o jogo no rádio, pois estava lá. Mas sempre que lembro desse gol, apesar de ser ateu, vem na lembrança aquele trecho da narração em que o locutor fala: "E acaba de chegar São Judas Tadeu...".

Lembro de toda angústia com a proximidade do fim do jogo. Lembro de ter tido mais uma vez um pensamento bem recorrente nessas situações. O de sempre lamentar, por uma fração de segundos minha falta de fé. Com todo o nervosismo que envolve esses momentos, sempre vejo ao meu lado pessoas rezando e fico pensando se, de alguma forma, aquele ato ajuda a aliviar um pouco o sofrimento.

No exato momento em que a bola estufou a rede, um amigo meu de longa data e de muitos jogos, o Henrique, levantou os braços e falou: "Ninguém encosta em mim". Vá lá saber porque ele disse aquilo. Provavelmente nem ele sabe explicar. De qualquer forma, foi um momento único, vivido por uma outra pessoa, que conseguiu se perpetuar na minha memória.  Lembro que fiquei de olhos arregalados olhando para o juiz. Não faria o menor sentido, por nenhuma regra maluca, uma anulação de um gol de falta naquelas condições. Sei lá porque tive aquela reação. Os segundos, ou frações deles, que demoraram para o juiz erguer o braço e apontar para o centro do campo, pareceram horas. Quando isso finalmente aconteceu, cobri o rosto com as mãos, e desabei em choro convulsivo. Sentado na arquibancada, chorando, e sendo praticamente pisoteado por toda aquela multidão ensandecida. Sendo pisoteado pela felicidade que inundava toda uma Nação naquele momento.

Mais um entre tantos momentos que ficarão guardados comigo, e que aos poucos, vou passando para meu filho. Meu pai me deixou essa maravilhosa herança. É minha obrigação passar isso adiante da melhor maneira possível. Quem me conhece de perto, sabe que estou fazendo um baita de um bom serviço com isso.

Obrigado Pet, Lê, Pet, Zico, Pet, Júnior, Pet, Rodrigo Mendes, Pet, Angelim, Pet, Felipe, Pet, Léo Moura, Pet, Pet, Pet...

Obrigado Flamengo. Te amo. Cada vez mais. Pra sempre.

CURTAS

. Montei um troço daquele de Cartola F.C. pela primeira vez. Vi meu filho brincando, achei divertido e resolvi aderir. E eu que acho difícil equilibrar meu orçamento. Como se monta um time com aquelas 100 pratas virtuais que os caras dão? Vou mandar um e-mail pra lá perguntando se eles aceitam cartão ou parcelamento. Meu time é uma droga. Sério candidato ao rebaixamento.

. Teve vascaíno não tão amigo meu, já que os mais próximos sabem que não sou disso, perguntando se vou secar a equipe de São Januário pela telinha na quarta. Na boa, no mesmo horário tem final de Libertadores. O que uma pessoa de bom senso faz nessas horas? Quem assistiu à maravilha de partida que foi a semifinal entre Peñarol e Velez sabe do que estou falando.

. Segue a Promoção do Dia dos Namorados. No próximo dia 12 de junho, o Flamengo entra em campo para jogo contra o Atlético-PR. Se seu namorado ou namorada resolve inventar um cineminha bem na hora do jogo, que desculpa esfarrapada você vai dar para não ficar mal com nenhuma das suas paixões? Ver o jogo e não criar desavença justo nesse dia. Respostas até o dia 13 de junho para o meu e-mail. Coloquem "Promoção Dia dos Namorados" no campo ‘assunto".

. O prêmio vai ser bacana. Ainda não tenho como dizer o que é, porque ainda não vesti minha roupa de ninja pra invadir a sala lá do marketing e "angariar" essa colaboração. Faço isso amanhã.

. Mercioquerido@hotmail.com

. Twitter com Fla e outros assuntos: @sorinmercio

. É o Pet, é o Pet, é o Pet, é o Pet...

Autor: Vida de Torcedor

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Perfil

O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.