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21/12/2009 às 05h16m



Depois da decepção que a torcida sofreu na semifinal da Taça GB com aquela improvável vergonha protagonizada pelo time contra o Resende, era de se imaginar que a Taça Rio exigiria maiores cuidados para o torcedor. No balanço do segundo turno, teve confusão no Giulite Coutinho, briga interna dentro de organizada, enxurrada em Campos, enfim, tudo o que faltou do sofrimento que a gente está acostumado a passar no primeiro turno, veio em doses cavalares na segunda parte do Cariocão-2009. Já na primeira rodada, tivemos uma prévia. Parece que o ano finalmente começou...

1ª rodada – Flamengo x Cabofriense


A minha filha fazendo aniversário no mesmo dia de um grande clássico do futebol mundial. O que escolher? Festinha para Anna Giulia ou assistir o esquadrão verde-grená da Região dos Lagos em ação contra o Mengão? Empate técnico. Solução: bolo de aniversário e festa para comemorar o aniversário da minha herdeirinha rubro-negra na arquibancada do Maracanã. Tudo muito bem até o início do segundo tempo. Foi quando uma das torcidas organizadas decidiu que ali era o melhor lugar para lavar a roupa suja. A Raça Rubro-Negra promoveu verdadeiro quebra-quebra, provocada por dissidências internas. O absurdo chegou ao limite... primeiro a torcida briga com as das equipes rivais, depois cisma de brigar com as organizadas do próprio time para, gran finale, brigar com ela mesma. Como punição, a Polícia proibiu a entrada de bandeiras, faixas e instrumentos musicais durante vários jogos. Merecidíssimo.

2ª rodada – Duque de Caxias x Flamengo

Último jogo válido pelo Estadual em Volta Redonda. Sessão Coruja no Vale do Paraíba é só para loucos mesmo. Deve ter dado uns mil pagantes, se muito. Eu, particularmente, cheguei em casa lá pras 02h30 da manhã. Não culpo ninguém que não tenha ido. Muito pelo contrário, concordo que ir a Volta Redonda para ver um jogo desses é típico de quem já se aproxima de um estágio avançado de demência. Como eu.

3ª rodada – Flamengo x Tigres do Brasil

Jogo morno, estádio vazio. Mais um pouco, dava para dar folga para a PM...

4ª rodada – Flamengo x Vasco da Gama


Apesar do resultado adverso, o campeonato ainda não esquentou mesmo, afinal de contas não deu nem briga do lado de fora... o público abaixo da média ajudou.

5ª rodada – Madureira x Flamengo
Agora sim o estadual ficou com cara de Estadual. Estádio pequeno, estacionamento ruim, só 1 bilheteria funcionando, cambista ficando rico, confusão para entrar, jogo às 16:30h de uma quarta-feira. Já estava até com saudade de ser tratado como gado... só mudou o palco.

6ª rodada – Flamengo x Resende

O Engenhão sempre traz bons resultados para o Flamengo. Essa frase se comprovou mais à frente com as vitórias no estádio pelo BR-09. Agora, que me desculpe a Imprensa que exalta o Estádio Olímpico João Havelange, mas eu odeio a visibilidade de lá. Na parte de baixo, a pista de atletismo atrapalha porque o campo fica muito longe, especialmente atrás dos gols. Na parte de cima, a impressão é de que estamos assistindo o jogo pela TV, de tão longe que o setor fica do gramado. Para variar, uma das organizadas quebrou algumas cadeiras, só para comprovar seu espírito de porco.

7ª rodada – Americano x Flamengo

Finalmente, o caos chegou! Imagina você tentar chegar em uma bilheteria onde ninguém sabe se tem ingresso, cercada de cambistas vendendo ingresso pelo triplo do preço, para entrar em uma portinhola de ferro, com o objetivo de assistir o Flamengo enfrentar o Americano em chuva torrencial em um estádio que fica localizado a mais de três horas do Rio de Janeiro e que não tem sequer um assento com cobertura, tudo isso numa quarta-feira às 19h30. Deu para imaginar? Pode ter certeza que foi pior. Aperitivo para os clássicos que viriam. Os jogos café-com-leite chegavam ao fim.

8ª rodada – Flamengo x Fluminense


O time reserva do Flamengo em campo ajudou o clássico a se esvaziar. O público mediano contribuiu para que não houvesse problemas para o torcedor no clássico.

Semifinal Taça Rio – Flamengo x Fluminense
Essa partida foi a grande surpresa do campeonato no quesito Torcida. Apesar do jogo decisivo para as duas equipes, as torcidas se comportaram de maneira surpreendentemente exemplar. Seria ótimo que todos os jogos fossem iguais a esse.

Final Taça Rio – Flamengo x Botafogo

Ingressos esgotados, regra geral em decisões envolvendo nosso Mais Querido. Conseqüência direta: festa dos cambistas. Não dessa vez. O apelo foi menor do que esses marginais esperavam e o prejuízo foi enorme. Calculamos que mais de mil ingressos morreram na mão deles. Não houve briga entre as torcidas, pelo menos.

Final do Campeonato Carioca – Primeiro jogo – Flamengo x Botafogo


A primeira partida não teve o público aguardado para a decisão, especialmente da parte da torcida alvinegra. O resultado foi mais um prejuízo para a "cambistada". Que felicidade!!!! De resto, só o retorno de algo que a gente já estava até perplexo por ainda não ter visto esse ano: Os "bondes" de membros de torcida organizada que atropelam os torcedores comuns na saída do estádio. A polícia ignora tudo, como nos velhos (e nem tão velhos assim) tempos.

Final do Campeonato Carioca – Segundo jogo – Botafogo x Flamengo


Eu até tentei assistir essa partida como observador do GEASE nas cadeiras especiais, mas só resisti o primeiro tempo. A arquibancada me chamava toda vez que eu olhava para ela... amor antigo é complicado de ignorar. Esse jogo teve sua carga de ingressos esgotada em oito horas. Não é preciso ser matemático para saber que houve uma derrama de ingressos. Como na trilogia Guerra nas Estrelas, o Cambista Contra-ataca. Apesar de ser bizarro nos conformarmos com tal dificuldade, já era esperado o tumulto absurdo que ocorreu na entrada do Bellini, pois era 95% da torcida entrando por um buraco só.  O que nunca pode se esperar é a Polícia Militar, extremamente despreparada, fechar os portões 30 minutos antes do jogo, só porque uma meia dúzia de torcedores começou a entoar corinhos depreciando a Instituição (já depreciada por si só). É a primeira vez que eu presencio uma Birra Oficial, como se os PMs responsáveis fossem aquelas crianças que são donas da bola e levam ela embora se não jogarem a pelada. Em decorrência dessa arbitrariedade, cerca de quatro mil torcedores com ingresso ficaram do lado de fora. Mas o ponto positivo acabou mascarando o caos. Tricampeão!!!!!

O próximo bate-papo vai ser sobre os jogos da Copa do Brasil, um pano rápido sobre a conquista do basquete rubro-negro na NBB e os dois jogos contra o Fluminense pela Sul-Americana. Depois, partimos para o BR-09. Um abraço!!!

Autor: Vida de Torcedor

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O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.