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30/08/2010 às 16h10m



Tomar gol é ruim. Tomar gol nos acréscimos é sempre desagradável. Tomar dois e perder de virada é um pout-pourri do que há de pior em uma partida de futebol.

Perder de goleada também é ruim. Mas pelo menos dá tempo de você ir se conformando aos poucos com a situação. Vem o primeiro gol, você assimila e acha que dá pra empatar;  vem o segundo e para os mais fanáticos como eu, o pensamento é sempre "beleza, vamos conseguir uma virada histórica"; quando você se prepara para o início da apoteótica reação... o terceiro gol te anestesia e tudo o mais é facilmente digerido. A rede vai balançando e seu espírito é alçado para um nível superior de entorpecimento chamado "o próximo jogo".

Futebol é assim mesmo. Tem dia de maltratar e dia de ser judiado. Pra toda a minha vida vou lembrar da virada do campeonato de 2009 contra o Santos, na Vila. No domingo contra o Guarani, foi dia de outras pessoas festejarem a guinada radical da roda da fortuna.

A instituição Flamengo nunca me causa raiva. Talvez uma irritação e/ou preocupação com uma ou outra coisa que pareça fora dos eixos. Tem gente que agoniza nos estádios. Sempre fico perplexo. É um tal de "eu nunca mais venho"; "gastei meu dinheiro a toa"; "bom mesmo era no tempo do Zico". Sempre me pergunto se o cara não percebe que aquilo ali está fazendo mal para a sua saúde. Se é pra ter sempre final feliz, então é melhor pesquisar na página de cinema e ver qual a comédia romântica mais açucarada em cartaz. Tem lugar marcado, pipoca, ar-condicionado, namorada do lado... o paraíso.

Não pensem que estou aqui passando a mão na cabeça dos jogadores. Não é nada recomendável para um time que está defendendo o título deixar uma vitória praticamente certa escapulir nos acréscimos. O que estou tentando dizer é que acontece. Tanto acontece que aconteceu.
Esse ano mesmo, na Libertadores, tivemos o prazer de estar do outro lado da gangorra da sorte.

Primeira fase com desempenhos bem abaixo do que esperávamos. Do outro lado da gangorra, o Corinthians passando com sobras por todo mundo. Oitavas de final, a melhor campanha enfrenta a pior campanha, resultado final: Flamengo na fase seguinte.

Marcelo Lomba, Léo Moura, Angelim, Jean, Juan, e todo o resto da equipe, hora de ligar o alerta vermelho. Principalmente porque em breve ficaremos sem jogos no Maracanã, o que normalmente torna as coisas um pouco mais difíceis.

Joões, Josés, Ricardos, Orlandos, Marcelos, Antônios, Raquéis, Thaisas, Otílias e todo o resto da imensa Nação de rubro-negros, hora de ligar o alerta vermelho. Principalmente porque no final das contas, aconteça o que acontecer, o Flamengo sempre será a nossa maior paixão e razão da nossa existência, o que se pararmos pra pensar, torna as coisa muito mais fáceis...
Se não for pedir muito, Zico, Patrícia... E N G E N H Ã O.

Arrumando a bagagem para Uberlândia, mercioquerido@hotmail.com

CURTAS
. Chegamos pela manhã em Campinas. O calor era de rachar. Entramos em um Mc Donalds, mais pelo ar que pela comida, pois lanchamos no aeroporto. Constrangimento de sentar sem consumir nada e alguém veio com a solução: "sei lá, pede uma Mc Água da Torneira".

. Já na hora do almoço, em frente ao estádio, fomos a um vistoso restaurante que não lembro mais o nome. Comida meia-boca. Talharim que era puro extrato de tomate, picanha semi-esturricada, batata que não veio, pizza que não tinha. Pra resumir, sem brincadeira, a coisa mais gostosa que comi foi a rúcula, muita rúcula, muita mesmo, só vendo pra crer.

. Ah, a gente não é maluco não. Ninguém pediu a tal rúcula. Acho que é o carro-chefe da casa. Acho que se você pedir um milk shake eles vão trazer a rúcula antes e só trazem o sorvete se você comer toda a sua verdura, ai, ai, ai...

. Conhecemos lá um alemão que mora no Brasil há dois anos e meio e já era louco pelo Flamengo desde a Alemanha. Conto em uma próxima.

Autor: Vida de Torcedor

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27/08/2010 às 11h01m



Não deu outra vez. Parece que na pequena área dos adversários formou-se um escudo protetor invisível igual aqueles que volta e meia aparecem nos desenhos animados. Meu pai, responsável por essa herança emocional sem valor que é amar o Flamengo, sempre se referia aos empates sem gols como "oxo", simples junção da letra xis cercada pelos dois zeros transformados em letra o.

Pois é. Foi um oxo xoxo daqueles. Um oxo que contrastou imensamente com a disposição e correria do estreante da noite. Alguém ao meu lado comentou durante o jogo que "esse tal de Diogo é empolgadão". Diogo, é assim mesmo que a gente gosta. Faltou o gol. Mas quando sobra disposição, isso aí é questão de tempo.

Tudo ao redor contribuiu para o oxo xoxo. Estádio vazio e começando a ficar com cara de canteiro de obras. Aquela posição na tabela que é um nem lá nem cá. Um pouquinho perto do céu e um outro tanto pouquinho perto do inferno. Clima (mais uma vez) de despedida do nosso lar, o Maracanã. Pasmaceira total.

Um amigo meu dos tempos de faculdade, tricolor pra lá de roxo, sempre se revoltava quando ia ao estádio e o resultado era zero a zero. Dizia ele: "acho zero a zero o fim da picada, milhares de pessoas saem de casa, vão para um lugar, pulam, gritam, roem as unhas e pra que? Não acontece nada. Prefiro perder. Dá um certo tom dramático para testar a fidelidade no próximo jogo".

Na prática, uma derrota e uma vitória somam mais pontos que dois empates. Talvez meu amigo tricolor tenha lá suas razões. Sou fã apaixonado da NFL, a liga profissional de futebol americano. Pra quem não conhece, pode parecer loucura, mas considero o futebol americano o esporte mais inteligente do mundo. Por baixo daquela aglomeração de gigantes, há toda uma nuance refinada de estratégias de ataque, defesa, controle do tempo, um verdadeiro xadrez.

Os americanos não gostam muito de empate. Imagino o que eles devem pensar de um zero a zero. Aliás, uma das grandes críticas deles ao nosso futebol, ou soccer, como eles chamam, é essa possibilidade constante de ninguém sair vencedor. Bom, questões culturais a parte, eles estão começando a tomar gosto pelo nosso que, no final das contas, é o esporte mais popular do planeta.

Talvez a dificuldade de converter pontos seja o que torna o nosso futebol tão apaixonante. Um zero a zero aqui irá valorizar e tornar mais emocionante uma vitória no próximo jogo, mesmo que seja por um placar magro de 1 X 0.
Bem. Domingo em Campinas nada de oxo xoxo. Vai pra cima deles Flamengo. De novo.

CURTAS
. Que presente foi esse que o Atlético-GO deu para o Palmeiras no dia do seu aniversário?  Três a zero no Pacaembu?  Pra deixar qualquer presente de grego com inveja.

. Com a volta do papo de fechar o Maracanã, o velho debate vem a tona: Volta Redonda ou Engenhão? Do alto da minha imparcialidade só tenho uma coisa a declarar: E N G E N H Ã O,   P O R  F A V O R !!!!!

. Falando nisso, bem que podiam reativar aquela Arena da Ilha para o ano que vem. O Estádio dos Ventos Uivantes é até simpático, apesar da precariedade da arquibancada de madeira.

. Falando em precariedade. Tudo bem, já me conformei em ficar anos e anos sem o Maracanã. Porém, só exigo uma coisa no retorno. QUERO COMER COMIDA CAPRICHADA. E olha que eu não sou exigente.

. mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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25/08/2010 às 17h01m



Do you want play a game? Na série de filmes de suspense Jogos Mortais, que já chegou a sua sexta edição, a frase acima é a senha para as coisas começarem a ferver na tela. Na história, um serial killer arma engenhosas armadilhas mortais que desafiam a coragem e o raciocínio da vítima em potencial. Mais que isso, suas geniais artimanhas desafiam toda a corporação policial, que não consegue deter as mortes nem após o falecimento do cérebro de todo o esquema.

Se você não é muito chegado ao gênero, tudo bem. Para todos nós rubro-negros, e também para todas as outras combinações de cores presentes ao Brasileirão 2010, os jogos vão começar. De agora em diante, o troço vai endoidar de vez. É rodada no final e no meio da semana até dar enjôo. Promessa de que a tabela do campeonato se transformará em um caleidoscópio maluco no mês de setembro, com os times mudando de posições e aspirações a cada dois ou três dias.

Boa sorte para todos nós. Quem não estiver em dia com as visitas ao cardiologista, é bom acertar isso o quanto antes. A cada semana tudo pode mudar. Quem hoje navega nas águas turbulentas da zona de rebaixamento pode amanhã flutuar em correntes mais tranquilas que sopram para o G4. Quem está por cima pode se deparar com algum redemoinho formado por três derrotas consecutivas e perceber um rombo no casco da embarcação.

É claro que o contrário também pode acontecer. Para quem está bem, tudo pode ficar ainda melhor e outros que vão mal podem se deparar com a ruína absoluta e irreversível. No nosso caso específico, já que estamos exatamente no meio da tabela, é hora de mostrar no mês de setembro que sim, entramos nessa para defender o título conquistado no ano passado.

Tal como no filme citado, é preciso ser rápido e preciso para escapar das possíveis armadilhas no caminho. Sorte também é fundamental, porém a constância de resultados é fator chave para o sucesso. Em um campeonato tão equilibrado como o nosso, vencer fora de casa é tão importante quanto é necessário o triunfo em nossos próprios domínios. Empate bom só o de dois adversários na luta pelo título.

Em Jogos Mortais é simples como um cara ou coroa. Ou você sai vivo ou sai morto, simples assim. No nosso caso tudo é muito mais confortável. Se o título não vier, uma classificação para a Libertadores amenizará o problema.
Caros amigos alvi-negros do Clube Atlético Mineiro...Do you want play a game???

CURTAS
. Parece que dessa vez o calor vai engrenar. Isso tornará mais dramática a sequência de jogos que vem por aí. É bom os reservas se prepararem bem e estarem conscientes que serão fundamentais nessa maratona.

. Por falar em clima, eu e minha trupe de viajantes estamos dando sorte. Os termômetros não estão tão congelados quando precisamos ir aos jogos no sul do país.

. Por falar em viagens, esse ano estou quebrando recordes de desorganização. Devido a um ligeiro abalo financeiro, já tenho as passagens para voltar de Florianópolis e Presidente Prudente. Detalhe bom é que ainda não tenho as passagens de ida. A sorte está lançada.

. Em todo o nosso time we trust... mercioquerido@hotmail.com 

Autor: Vida de Torcedor

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23/08/2010 às 17h41m



Dessa vez eu achei que ia sair. Não só eu. O Zé Paulo, um dos malucos que sempre está presente também estava achando. Não é só coisa da cabeça de fanático não. No primeiro tempo do jogo contra o Atlético-PR,  emoção e razão pareciam concordar que seria o fim do tabu.

A emoção é suspeita. Se um dia o Flamengo jogar contra a Seleção Espanhola, em Madrid, e levar a campo o time reserva, ainda assim, bem lá no fundo, apesar da lógica indicar o contrário, a gente vai acabar achando que: "Ah, sei lá, pode até ser, se a gente conseguir sair na frente..."

Temos consciência da nossa loucura. Porém, dessa vez, sem forçar a barra nem um pouquinho, realmente parecia que ia dar certo. Além dos 36 anos sem vencer por lá, costumamos jogar mal mesmo na Arena. Isso é fato. No domingo, pelo menos na primeira metade do jogo, tudo ia desenhando uma vitória pro nosso lado.

No segundo tempo, as coisas já não foram tão bem assim. Só há uma explicação "racional" para isso: tem um sapo enterrado com o  nome do nosso time dentro da boca naquele gramado. Estou certo disso. Alguém deve ter desenterrado o bicho durante a obra e deixou lá em qualquer canto. No intervalo do jogo alguém deve ter visto o maldito anfíbio jogado e pensou: "melhor enterrar esse troço antes que alguém acabe pisando". O mal estava feito. Mais um ano sem vitória lá por aquelas bandas.

Mandinga por mandinga, tem gente do nosso lado que também tá fazendo um bom trabalho. Independente dos resultados, sempre que olho pra tabela estamos a uma vitória de encostar outra vez no G4.

Então vamos lá mais uma vez. Na próxima quinta temos o Atlético Mineiro no Maracanã. O Galo não anda muito bem das pernas. Tem ciscado há um certo tempo na zona mais perigosa da tabela. No nosso terreiro,  teremos que cantar mais alto para tentar, outra vez, buscar uma sequência de vitórias. Já que o sapo não permitiu uma vitória no domingo, o outro Atlético, o Galo, terá  que pagar o pato. Desculpem mas eu não resisti...

CURTAS
. O mosaico da torcida do Furacão, o desenho de  um caldeirão no fogo, foi muito bem realizado.

. Meu vôo passou da noite de domingo para a manhã de segunda. Desinformado, só fique sabendo que a cia. aérea pagou hotel pra todo mundo quando já era tarde e já tinha tomado outras providências.

. Acabei abrigado e alimentado, junto com meu filho, pela extrema gentileza de uma vascaína. Sim meus amigos isso mesmo. Ato de civilidade digno de um país que vai sediar a Copa do Mundo.

. Tal como em Porto Alegre, torcedores do Flamengo da cidade de Jaraguá do Sul (Santa Catarina), marcaram presença na Arena.

. Como tem ex-jogador que é candidato nas próximas eleições não é mesmo? Os nomes formam um timaço.

. mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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19/08/2010 às 15h12m



Se você é quase um quarentão como eu, o título do texto vai remeter seu pensamento para duas coisas distintas da nossa juventude. Antes da vírgula, uma série pornô da nossa áurea época de adolescentes. Depois da vírgula, Stallone mandando bala e explodindo um monte de gente em uma das sequências de Rambo.

Ser Flamengo transcende o tempo. Percebi isso de maneira mais palpável no ano passado, quando ganhamos do Santos, na Vila Belmiro. Nosso setor na arquibancada urrava no pós-jogo. Rubro-negros de todas as idades se debatendo como loucos, todos cientes do longo jejum de mais de trinta anos sem vitória nos domínios santistas.

Então, que tal repetir a dose no próximo final de semana? Não sei quantos anos você tem, mas sei que já tá de saco cheio dessa história de não conseguir ganhar do Atlético Paranaense fora de casa. Tal como no parágrafo anterior, lá se vão mais de 30 anos.
 
Esse texto era pra ir para o blog no dia do jogo. Ou quem sabe um dia antes. A ansiedade não deixou. Depois arrumo outra coisa para falar no próximo texto. Ou então... falo de novo a mesma coisa. Afinal a história é a mesma há tanto tempo que não custa falar dela uma vez mais.

O fato deles estarem na zona de rebaixamento é uma faca de dois gumes. Se por um lado vão se esforçar ainda mais para tentar sair da incômoda posição, por outro, a pressão da torcida por lá deve estar enorme. O relógio, quando o juiz apitar o início da partida, corre a nosso favor.

A comemoração na Vila Belmiro em 2009 é um dos momentos que mais guardo com carinho quando lembro da maratona dos 38 jogos da campanha do hexa.  Quero sentir tudo de novo no domingo. Berrar a plenos pulmões que o jejum acabou e ver de novo os rubro-negros presentes na Arena comemorarem com gritos exagerados o fim de mais um tabu.

E se não der... problema nenhum. Flamengo é pra vida toda. Ano que vem tem mais.

CURTAS

. Recebi uma mensagem muito simpática da cia aérea dizendo que o meu vôo de volta para casa no domingo foi ligeiramente remanejado. Era pra ser oito e meia da noite de domingo. Passou para oito da manhã de segunda. Em caso de vitória, acabei de ganhar uma madrugada inteira para comemorar a quebra do tabu.

. Parabéns ao Inter. Título merecido.

. Que cena foi aquela do jogador mexicano dando três socos seguidos no atleta do Inter?

. Diogo, Deivid, Leandro Amaral, Val Baiano... Tá, tá, tá, tá, tá... Atacar!!!

. Domingo quando entrar na Arena sentirei a mesma sensação de todos os anos, "cadê o meu controle?  É hora de jogar playstation". Êta estádio bonito...

. mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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16/08/2010 às 12h37m



O jogo contra o Ceará tem cara de recomeço. Não sei bem ao certo,  mas acho que fechamos nossa temporada de contratações. A possibilidade do Thiago Neves vir em janeiro é muito boa, o cara tem qualidade. Como sempre achamos mesmo que no fim tudo vai dar certo,  não resisto ao comentário: vai ser bom ter o Thiago na Libertadores de 2011.

Os jogadores fizeram pacto por uma mudança de atitude. O tempo melhorou e as estréias, tudo isso somado a um jogo no fim da tarde de sábado, devem levar um bom público ao estádio. Tudo isso tem cheiro daquele recomeço de namoro pelo qual quase todos nós já passamos na vida. A gente fica meio estremecido um tempo, repensa o relacionamento e o retorno é sempre empolgante.

Seguindo essa linha de raciocínio, vamos amanhecer no domingo enamorados. Torcida com time e vice-versa. E o principal, todos nós estaremos outra vez flertando com o G4 e falando para ele com os olhos úmidos de emoção: "olha, eu sei que andei vacilando contigo, mas pode confiar, agora é sério. Dessa vez tudo vai ser diferente e eu quero provar a cada rodada, a cada chute, a cada grito vindo da arquibancada que dessa vez é pra valer... te quero".

A distância para a ponta da tabela aumentou bastante nas últimas rodadas. Porém, o que nos separa do quarto colocado são míseros três ou quatro pontinhos. Uma coisa de cada vez.

Com Leandro Amaral e Renato ganhamos precisão dentro e fora da área na hora do arremate final. Vai ser bom até pro Diego Maurício. A torcida estava meio irritada com o garoto, mas vale lembrar e repetir, é apenas um garoto. Já encontrei com ele umas duas ou três vezes nas viagens de volta pós-jogo. Realmente para alguém que ainda tem um jeitão tão adolescente deve ser um peso enorme entrar em campo com tanta responsabilidade. Quando passamos por essa situação, nunca esqueço que um dia todos nós, e olha que minha paciência é infinita, nos irritamos com um moleque chamado Adriano.

Pro Val Baiano e pro Borja também será proveitoso dividir a responsabilidade com os outros dois. A idéia é batida mas sua validade é eterna: as conquistas precisam de todo um elenco e não só com os onze titulares.

O Renato não vai sentir em nada o peso da camisa. Já esteve por aqui e sabe muito bem que a sua correria em campo vai ganhar a torcida antes da metade do primeiro tempo. O Leandro Amaral também não terá problema. A torcida do Vasco é até mais rigorosa que a nossa na hora de cobrar.
Quando eu estudava na UERJ, volta e meia matava uma outra aula para assistir jogos que não eram do Flamengo no Maracanã. Na época eu sempre me impressionava com o quão rápido os cruzmaltinos perdiam a paciência com seus atletas.

Bem, fico por aqui. Vou dar um trato nos poucos cabelos que ainda me restam e escolher meu Manto Sagrado mais bonito. Temos um G4 para conquistar.

CURTAS
. O resto do planeta não deve estar entendendo nada. A Seleção fez apresentações questionáveis na Copa do Mundo. Aí, 58 dias após a eliminação para a minha querida Holanda (perdão mas eu não resisto ao querida), mostra um futebol envolvente e encantador.

. Os garotos do Santos pareciam estar jogando bola no quintal de suas casas de tão a vontade. Bom começo do Mano.

. Vem cá, esse garoto, esse tal de Ganso, ele tem só 20 anos mesmo? Parecia ser o jogador mais experiente em campo.

. Parece que vai dar Inter mesmo. Conforme já relatei aqui, sempre somos tão bem recebidos pelos colorados que não dá pra torcer contra os caras.

. Off futebol. O avião que caiu no Santos Dumont, alguém mais pensou isso ou só eu que atentei para o fato logo no primeiro olhar: "Poxa, mas faltou tão pouco".

. mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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09/08/2010 às 14h06m



Se você é pai meus parabéns neste final de semana. Se você chegou até aqui no meu blog e é pai, provavelmente é um pai rubro-negro. A chance é enorme de você estar criando mais um, ou quem sabe mais alguns rubro-negros. Muito obrigado.

O meu pai já se foi e fez um belo serviço comigo. Sem falsa modéstia, também estou fazendo um serviço pra lá de bom em prol da nossa hegemonia de maiores e melhores. Meu pai era um homem de poucas posses assim como eu, sendo assim, ser Flamengo foi a mais valiosa herança que recebi e, pelo andar da carruagem, a história se repetirá com meu filho.

Passarei um agradável Dia dos Pais em casa junto com o Sorinzinho... Não, não, eu não arreguei dessa vez. Estarei no Pacaembu para o jogo contra o Corinthians. Quando digo casa é porque de alguma maneira, as estradas, rodoviárias, aviões e aeroportos se tornaram uma extensão do nosso lar. Meu filho também estará no jogo, e ai de mim se não levar.

Quando ainda bebê, juro que pensei na possibilidade do garoto virar Vasco ou qualquer outro time do Rio. Sabe como são as coisas: "Pai, hoje tem a festa do..."; "Pai, no sábado o circo do..."; "Pai, no cinema vai ter a estréia do...". Variadas frases interrompidas com uma única e constante "Olha filhão, nesse dia eu não vou poder, tem jogo do Flamengo". Contei com a hipótese de uma leve revolta carregar o coração do guri para o lado oposto. Felizmente isso não aconteceu.

Meu maior presente acabou acontecendo no dia de uma derrota. Jogamos contra o Santos em Volta Redonda pela sul-americana. Ele quis ir e autorizei uma saída mais cedo do colégio. Com cara receosa, o moleque pergunta:

- O que eu falo para a professora?

- Fala que o Flamengo vai jogar um pouco distante e que você vai ao jogo. Aliás, nunca minta pra ninguém sobre isso. Caso você acabe ficando igual o pai, todos os seus conhecidos precisam  saber que, loucura ou não, você leva o hábito de torcer muito a sério.

Feito isso, partimos para o Estádio da Cidadania. O jogo foi bom mas acabamos sendo eliminados na disputa de pênaltis. Já devia beirar a meia-noite. Ao descermos o segundo degrau da arquibancada vieram as duas perguntas que jamais vou esquecer:

- Pai o próximo jogo é quando?

Ao ouvir a resposta devolveu com outra pergunta:

- A gente vai né?

Para o bem ou para o mal, já estava feito. Naquele exato momento nascia um dos maiores rubro-negros que já conheci. Hoje, com 13 anos, Sorinzinho já é  reconhecido como tal até em outros estados. Nenhuma derrota abala suas convicções e já começou a fazer inúmeros sacrifícios pessoais para acompanhar o time.

Tem presente melhor? Que todos nós possamos comemorar abraçados com nossos filhos mais uma vitória do nosso time. Se não acontecer o resultado esperado, pouco importa, comemoremos o fato de estarmos unidos pela mesma paixão, para sempre. Feliz dia dos pais para todos, rubro-negros ou não.

CURTAS
. Como tinha montagem do Mick Jagger com blusa do Santos na torcida do Vitória. A fama de pé-frio adquirida durante a Copa caiu mesmo no gosto da galera.

. Por falar em Copa, as falhas do goleiro do Inter no jogo contra o São Paulo fizeram lembrar da boa e velha Jabulani.

. Renato de volta e bem-humorado. Canhão neles garoto.

. Leandro Amaral parece estar muito feliz em voltar a jogar por um grande clube.

. Império do Amor 2. Em busca do hepta. Breve, nos melhores gramados do país.

. mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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06/08/2010 às 12h01m



Crise nos aeroportos mais uma vez. Cada um diz uma coisa. Excesso de movimento na volta das férias, erro na programação da escala dos funcionários, mas a vida é assim mesmo... Tempestade de areia nos anéis de saturno.

O fato é que, novamente, assistimos reportagens sobre gente passando oito horas, dois dias, sei lá quanto tempo no saguão do aeroporto para conseguir alçar vôo. Aí veio alguém e lembrou que em 2014 tem Copa do Mundo por aqui. Um outro alguém tratou logo de pôr panos quentes no assunto e afirmar que tudo será resolvido a tempo.

Então resolver a tempo significa que teremos que esperar no saguão até 2014? Só nesse campeonato ainda pretendo voar para Uberlândia, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Campinas e sei lá mais pra onde.

O título desse texto faz referência a Buzz Light Year, personagem de um desenho animado, um brinquedo que pensa ser um astronauta de verdade. Uma das melhores cenas do desenho é quando um dos outros brinquedos, um cowboy que tem plena consciência da sua realidade, berra em alto e bom som para o iludido Buzz: "Você é um brinquedo!!!!"

É mais ou menos como o pobre Light Year que estou me sentindo. Sou bobo mesmo. Jurava que eu era torcedor de primeiro mundo, afinal o nosso campeonato de dimensões continentais deve ser um dos mais disputados do planeta. Mas, aí, veio esse balde de água fria. Ainda tem o resto do Brasileirão 2010, todo o de 2011, 2012, 2013 e parte do de 2014 para alguém resolver o problema...  "Eu sou um brinquedo!!!!"

Enquanto não chega 2014 tenho que tomar minhas providências. Primeiro, estou dando uma olhada como quem não quer nada em quanto tempo leva para ir de ônibus para esses lugares. O mais longe que já encarei de rodoviária foi Curitiba. Treze horas. Se for pra viajar de noite, pelo menos pra mim, é molezinha, parece até tele-transporte. Entro, durmo, acordo do outro lado.

De qualquer forma já tem muita passagem de avião comprada. Vou tratar de assistir aquele filme do Tom Hanks umas três vezes, como se fosse um manual de sobrevivência. Para quem não viu, em "Terminal"  (ou seria "O Terminal"?) Hanks, por motivos burocráticos, passa a morar no aeroporto. Já tenho algum tipo de treino no assunto. Não foram poucas as vezes em que dormi no chão ou nos bancos do local em questão. Não é o melhor dos hotéis, mas é bem mais seguro e cômodo que dormir em rodoviária, falo com conhecimento de causa.

Agradeço desde já a paciência de vocês. Minha próxima viagem de avião é para Curitiba. Aliás, acabo de ver na televisão que nesta bela cidade a temperatura tem andado lá pelos 4 graus. Se eu ficar horas ou quem sabe dias no aeroporto, ja vou logo avisando, o texto do dia seguinte vai ficar maior que lista de reclamação de cia. aérea.

CURTAS
. No meu último texto disse que ia aposentar esta seção. Volto atrás. A seção será mantida.

. Parabéns aos meninos da Vila. Agora, ouvi falar que um deles vai para a Ucrânia. Acho que o André, não tenho certeza. Ucrânia???!!!

. Chivas e La U foi um jogão de encher os olhos. O goleiro chileno pegou até pensamento. Coisas do futebol, acabou levando um franguinho no primeiro gol.

. voar, voar, subir, subir... mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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04/08/2010 às 19h22m - Atualizado 04/08/2010 às 19h43m



Essa é ótima. Boa mesmo de verdade. Seria até engraçada se não fosse deprimente. Vi ontem na TV. Quando acabou a matéria eu não sabia se ria ou chorava. Era uma cobertura da área externa do Pacaembu no clássico de domingo entre Corinthians e Palmeiras. A repórter abordou um rapaz que estava sentado do lado de fora com blusa do alvi-negro. Não sei bem qual foi a pergunta, a resposta foi a seguinte: "Tamo sem ingresso, aí viemo só pra pista mesmo".

A moça  não entendeu bulhufas e teve que perguntar o que significava aquilo em português claro, a resposta foi, pelo menos para a pobre jornalista, mais indecifrável ainda: "Ué? viemo catá uns porco".

A pobre moça enfim, começou a desconfiar do que se tratava e  insistiu, indagando se aquilo significava bater nos outros. A resposta além de sim, veio com um pacote completo de defesa. O rapaz explicou que sim, havia saído de casa só para brigar e segundo o mesmo estava defendendo o Corinthians, já que amava muito o Timão. Logo, pelo tosco raciocínio, tinha que atacar todo mundo que fosse contra o seu time para assim, demonstrar a sua paixão.

Isso não lembra aquele pessoal fundamentalista do Oriente Médio? Ia ser menos drástico se o cara simplesmente falasse que gostava de brigar e ponto final. Seria, talvez, mais fácil de resolver. Quantas centenas ou talvez milhares de fundamentalistas terão que ser corrigidos?

O entrevistado seguinte também deu um show de raciocínio. Esse, palmeirense, foi impedido de entrar no estádio pela polícia por estar vestindo a blusa de  uma das torcidas organizadas do Palestra Itália. Pelo que entendi ele tinha ingresso. Já que não podia entrar uniformizado, se conformou em assistir o pedaço de campo que dava pra ver da grade onde se colocara na área externa do Pacaembu. (???!!!)

Se um dia eu chegar em algum estádio em que o Flamengo for jogar e o policial disser que pelo novo estatuto do torcedor só vai poder entrar quem estiver vestido de Carmem Miranda,  não tenham dúvidas de que rapidamente vou ao mercado mais perto compro umas frutas, amarro na cabeça e volto cantando "o que é que a baiana tem?", ou para ser mais espirituoso e atualizado, "o que é que o Val Baiano tem?".

Se é  para as novas regras que inibem a violência funcionarem, porque a polícia não dá uma de série norte-americana e se infiltra no meio dos caras?  Vai ser muito fácil identificar os brigões, mesmo porque esses sentem muito orgulho ao contar suas bravatas. Agora, pra ser justo, identifica e espera agir para só então prender. O motivo?  Frequento arquibancadas desde sempre. Eu posso afirmar sem o menor medo de errar que o número de garotos que DIZEM QUE BRIGAM com a torcida adversária é infinitamente superior aos que realmente chegam, para usar um termo de coroa, às vias de fato.

CURTA
mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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03/08/2010 às 11h05m



Manoel me liga domingo. Mais ou menos umas dez da noite. Ele é um grande amigo meu. Vascaíno daqueles que não tinham nem como escolher outro time. Filho e neto de portugueses, todos vascaínos roxos, se inventasse de torcer para outra equipe, provavelmente seria expulso da colônia e seus pais morreriam de desgosto.

Manoel estava eufórico. "Gostou, urubuzinho?",  bradou do outro lado da linha. Me senti em um episódio do antigo "Além da Imaginação". Eu tinha acabado de chegar do estádio, não tinha nem trocado de roupa. Como de hábito, analisava a tabela do campeonato e contabilizava os três pontos da rodada seguinte para saber a nossa posição.

Ué, será que o Vasco ganhou o jogo e eu não percebi?  Enquanto ouvia a empolgação de Manoel do outro lado dei mais uma conferida nos resultados para garantir, tamanho era o berreiro do meu amigo. Tentei uma, duas, três vezes e na quarta consegui: "Manoel, meu caro, posso saber o motivo de tanta festa?". Finalmente obtive explicação.

"Maioria no estádio, dessa vez não tem como você negar"

Ah, então era isso. Realmente é um feito. Fazer o que?  Venho comentando a baixa presença da Nação no Maraca em praticamente todos os textos. Aliás, venho falando tanto nisso que me reservo o direito de desistir, pelo menos para esse campeonato, já que o fechamento do nosso lar para as reformas da Copa parece cada vez mais próximo.

Problema nenhum, a torcida do Vasco estava empolgada com os reforços e tudo  o mais. Além disso, salvo engano, a outra vez que aconteceu foi naquele jogo do gol do Cocada na década de 80. Minha memória é péssima e eu posso estar enganado. Deve ter acontecido outras vezes mas tanto faz.

A alegria do Manoel é justa. Acho que não precisava de tanta euforia já que o resultado não foi lá grande coisa pra nenhuma das duas equipes. Mas tudo bem, rivalidade é assim mesmo, qualquer motivo é motivo. Parabéns, Manoel.

CURTAS
. Os resultados não têm sido o que esperamos, ainda assim permanecemos na cola do G4, só três pontos de distância.

. Algumas desistências da galera que ia de van para São Paulo no jogo contra o Corinthians. O motivo: o  Dia dos Pais. Como meu filho decidiu seguir os meus caminhos, teremos uma agradável comemoração na estrada.

. Apostas no escuro também fazem parte da nossa vida. Como havia uma promoção, reservamos vôos para o jogo contra o Cruzeiro em Uberlândia. Certeza de que o jogo será por lá, isso ainda não temos.

. Os garotos do Santos brincando na internet. Isso é motivo pra tanta balbúrdia?

. mercioquerido@hotmail.com

Autor: Vida de Torcedor

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Perfil

O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.