30/07/2011 às 18h00m - Atualizado 30/07/2011 às 18h07m
Autor: Vida de Torcedor
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27/07/2011 às 15h32m
Chegou o dia.
Dia de botar nossa invencibilidade no Brasileirão em jogo. E que jogo!!!
Jogar contra o Santos na Vila Belmiro foi um problema durante toda a minha vida. Não pela rivalidade entre as torcidas. Apesar do que dizem, nunca tive e nem vi acontecer nenhum problema quanto a isso em todas as muitas vezes em que estive por lá.
Trocaria o problema maior que encontrei por lá durante toda a minha vida por algumas dessas confusões provocadas por trogloditas fantasiados de torcedores. O desafio mesmo lá sempre foi ganhar do Santos.
Completo quarenta de idade em poucos dias. Excetuando-se a mítica, encantadora, maravilhosa e lacrimosa vitória obtida na igualmente cheia de adjetivos escandalosos campanha do HEXA em 2009, o destino por lá durante mais de 30 anos sempre foi no máximo um empate honroso. Até goleada bem no dia do meu aniversário já presenciei por aquelas bandas.
Pra galera mais nova ter uma noção. Antes da vitória que marcou um momento determinante da nossa arrancada para o título em 2009, da outra vez que ganhamos por lá, quem marcou o gol da vitória foi o que hoje ocupa a honrosa área técnica do nosso estimado clube durante os jogos. Isso mesmo. Vanderlei Luxemburgo fez o gol da vitória em mil novecentos e sei lá eu quando.
Pela posição na tabela após o empate com o Ceará em nossos domínios... Mesmo que nossos domínios tenham sido em Macaé e, como citei em texto anterior, ter aparecido por lá um pessoal mais disposto a reclamar do que torcer a favor... Enfim, teoricamente temos que arrumar uma vitória fora de casa para compensar esse "tropeço" caseiro contra o time que nos eliminou na Copa do Brasil.
Mesmo assim, nas atuais circunstâncias, contra o forte time do Santos, que já é um clube difícil de ser batido em seu estádio mesmo quando está com elenco de menor qualidade, um empate não seria de todo mal.
Temos obrigação de ir lá e buscar a vitória porque, como já bem observou Ronaldinho Gaúcho, "Flamengo é Flamengo". Contudo, se ela não vier, um empate pode ser bem recebido. Podemos deixar para descolar essa vitória fora no jogo contra o Cruzeiro, por exemplo, já que com o Mineirão fechado, não se pode dizer que o fator campo em Sete Lagoas faça lá tanta diferença assim a favor da equipe mineira.
Há de ser um jogão esse de logo mais. Em sendo assim, digno de ocupar o horário nobre da transmissão televisiva. Faz muito tempo que o Flamengo não enfrenta o Santos por lá no meio de semana. Como será a atração principal em muitos e muitos lares e bares rubro-negros espalhados por todo o país, será disputado no difícil horário de dez da noite. Sem reclamações nesse ponto, tem torcedor que reclama uma montanha desses horários. Não é o meu caso. Exponho os motivos em uma outra oportunidade.
Será um perrengue só. Sair cedo do trabalho. Correria para chegar ao estádio. Esperar meu algoz, o Júlio, que sempre me faz esperar com seu ingresso na mão, do lado de fora, até faltarem 30 segundos para começar a partida... Na melhor das hipóteses. Saída do estádio após meia-noite. Mais de uma hora para chegar até o aeroporto de Congonhas. Dormir no chão frio do aeroporto. Desembarcar oito da manhã no Galeão. Pegar engarrafamento. Ir direto (e muito atrasado) para meu enfadonho trabalho no Centro do Rio. Ver os ponteiros se arrastando para só então, lá pela noite de quinta, chegar em casa, tomar banho, descansar... Não sem antes preparar novo texto sobre mais uma vitória nossa na Vila Belmiro.
Ufa!!! O período anterior é o resumo de um dia muito comum naquilo que dá nome a esse blog. Vida de Torcedor. Não há glamour nenhum nisso. Paixão. Disposição. Entrega. Desapego material. Muitas, muitas risadas recheando isso tudo. Nós nem escolhemos essa vida de forma consciente. Apenas aconteceu. Só nos resta rir de todos os nossos exageros para estar na arquibancada em mais de 90% dos jogos de uma temporada.
Querem saber um detalhe curioso? Posso ter me "esbaldado" em inúmeras derrotas na Vila Belmiro. Já meu filho, o Sorinzinho, que estará ao meu lado, me olha com desdém e ares superiores... Foi lá umas três vezes... NUNCA viu uma derrota. O tal de Zé Paulo, um de nossos amigos de viagens, também ainda não perdeu por lá. Que o tabu continue.
CURTAS
. Parece que a filmadora já está boa. Deveremos ter filminhos toscos nessa viagem. Desde já, grato pela paciência.
. Sou suspeito, mas estou confiante em uma vitória. Até arrisco dizer como. "Goleada" de um a zero. Gol do Ronaldinho de falta. Meu maior medo mesmo nessa viagem é não rolar o maravilhoso sanduba de pernil servido em um bar próximo à Vila. Não tenho certeza se só rola no final de semana. Sou ateu. Orem por mim para que aquela santa iguaria esteja por lá.
. Brasileirão é um campeonato para quem tem nervos de aço. Santos, Grêmio, Cruzeiro. Que sequência é essa?
. Mais uma noite será passada em chão de aeroporto. Os caras podiam dar milhas pra isso. A cada três noites naquele diabo de chão duro você ganhava estadia em um hotel próximo ao aeroporto. Fica a sugestão.
. FlaMusicHall. Da: galera que vai dormir no chão de Congonhas. Para: quem vai passar a noite em casa. "Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim". #RobertoCarlos
. Mercioquerido@hotmail.com
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25/07/2011 às 09h39m
Jogo em Macaé, sabadão, nove da noite...
Jogo pra gente que tem fibra e coragem. Não só pelo conteúdo um tanto quanto problemático do pacote todo. Também pelo potencial de infidelidade conjugal extremamente perdoável devido ao dia clássico e ao adiantado da hora em que transcorreu a partida.
Problemas para esse que vos fala e a sua destemida trupe de viajantes? Nem pensar. Esse troço de fanatismo tem que ter os seus parâmetros e regras firmes, caso contrário, não há a menor possibilidade de dar certo.
É começar a abrir mão por qualquer motivo, e em poucas semanas tudo vai virar motivo para que sua namorada, noiva, esposa, ou seja lá o que for, se achar no direito de colocar eventos absurdos como opção para um sábado noturno em um estádio, a saber: Aniversário da Sobrinha, Casamento da Melhor Amiga, Formatura do Cunhado, Enterro da Prima de Segundo Grau que Mora no Interior, Cirurgia da Sogra... Ou seja... Qualquer Coisa Mesmo.
Em sendo assim, lá fomos nós para o confronto futebolístico com a única pedra em nossa chuteira até o momento em toda a temporada de 2011. Alguns mais precavidos, como Marcelo e Zé Paulo, acharam por bem, já que o seguro morreu de velho, levar as razões de sua vida e que são muito mais importantes para eles que o próprio Manto Sagrado. (Parágrafo patrocinado, cada um me prometeu cinqüenta pratas por essa última frase. Se a boleta não chegar até dois dias antes do vencimento, favor comunicar no e-mail que se encontra lá embaixo). Enfim, arrastaram suas parceiras para Macaé. Mais vale um programa esquisito na noite de sábado juntos, que morrer na dúvida separados.
Os outros, mais corajosos e destemidos que os dois já citados, foram com a cara e a coragem. Trabalho é trabalho. Não se pode misturar coração e negócios. Relações pessoais são como contratos firmados entre as duas partes. Flamengo é contrato unilateral e assinado à revelia de nossas vontades. Aconteceu. Um dia nossos olhos bateram naquelas cores, naquele time guerreiro, naquela torcida inflamada, e aconteceu.
Confesso ser menos egoísta e, sempre que ocorrem essas situações em que o dever cívico requisita a minha presença em dias e horários tidos como não muito apropriados, aconselho a minha amada senhora a não se fazer de rogada. Vou logo estimulando: "Vê se não fica em casa que nem uma tia. Vai pra noite. O Rio de Janeiro é todo seu". Acho justo que seja assim.
Infidelidades conjugais reais ou potenciais à parte, a que presenciei ontem no estádio foi muito mais cruel.
Eu até entendo que moradores de outras cidades tratem o fato de ir ao estádio como um simples programa. A decisão ser quase aleatória. Algo como: "E aí, qual vai ser a boa de hoje? Tem o bruxo mágico no cinema, tem churrasco na casa do Alfredo e tem também um jogo do Flamengo contra o ... contra quem mesmo? Não lembro. Sei lá. Mas meu primo disse que vai ter jogo no Moacyrzão logo mais. O que faremos?"
Pro pessoal que escolheu ir ao jogo, até entendo que estejam na intenção de encontrar um Final Feliz. Da mesma forma que Harry deve terminar bem esse último filme da saga. Da mesma forma que a picanha deve ter estado sangrenta e com um saborosa capa de gordura no churrasco do nosso querido Alfredo. Vão ao estádio esperando um baile e ignorando detalhes que dizem respeito a desfalques e o principal, que no outro time também tem um pessoal em campo lutando pela vitória.
Não estou nem defendendo o Flamengo não... Mentira. Estou sim. É o que venho fazendo durante toda a minha vida. E pretendo prosseguir com isso. Enfim, não estou querendo tapar o sol com a peneira. Manifesto sim a minha opinião de que deixamos um pouco a desejar no segundo tempo, e que a ausência desses três pontos em um jogo desse porte, em casa, vai fazer muita falta lá na frente, certamente sendo lembrados com ares nostálgicos lá pelo meio da primavera, quando o campeonato começar a definir de verdade os seus rumos. Porém, porém, porém...
Um time que tem um histórico de apenas uma derrota no ano não pode em hipótese alguma, nem mesmo se tivesse sofrido uma goleada e elevado a contagem de derrotas para impressionantes duas, sair de campo sob vaias. Não pode, não pode, não pode, não pode, não pode mil vezes.
Se fosse pra ser justo mesmo, o time teria que entrar em campo na noite de sábado, olhar as arquibancadas mais pra vazias que pra cheias e, em coro, junto com a comissão técnica, emitirem sonoras vaias, talvez com o uso de megafones para não deixar dúvidas, dirigidas ao escasso público presente.
Para os que foram e se acharam no direito de vaiar simplesmente pelo fato de terem comprado ingressos... Vocês têm direito mesmo. Mas fizeram muito, muito mais feio que o pessoal que escolheu ver as novas curvas sensuais de Hermione, ou a nova receita de maminha com queijo que o Alfredo aprendeu.
CURTAS
. No quesito infidelidade nessa noite de sábado, nada me doeu mais no coração que a cometida por uma grande amiga rubro-negra minha de longa data. Mora no Rio, estava em Macaé, a passeio... E se absteve de ir ao jogo. Isso não se faz. Pena de 50 chicotadas.
. Ainda sobre essa minha amiga do parágrafo anterior, peço encarecidamente: se ao saber do resultado você proferiu um vergonhoso: "ainda bem que eu não fui", não deixa eu ficar sabendo. Posso até chorar.
. Pra coisa ficar mais animada no retorno de Macaé. Tentativa de assalto em local ermo de Niterói. Assaltantes pé-de-chinelo, sem arma e com aparência física bastante debilitada, tentando assaltar no "desenrolo". Ao meu sinal de "correu!!", eu, meu filho, e um grande amigo nosso estreando em viagens, demos um pique de deixar o Willians com inveja. E eu sem a minha filmadora... Espero que ela volte a tempo do jogo contra o Santos.
. Menos dramático. Mas alguém me informou que os próximos dois jogos no Rio serão disputados em noites de sábado. É no Engenhão e logo no comecinho da noite. Mais fácil de marcar um romântico jantar no pós-jogo. Tá parecendo aquele programa que passava na TV aberta... "Teste de Fidelidade", acho.
. CineFla. "OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE". Torcedores, jogadores e comissão técnica de um popular time de futebol são forçados a abandonar tudo em três sábados consecutivos para estar ao lado do seu time.
. Mercioquerido@hotmail.com
. Twitter com uma pá de besteiras além do assunto sério que é o Flamengo: @sorinmercio
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22/07/2011 às 10h41m - Atualizado 23/07/2011 às 11h26m
Foi. E como sempre, depois que passa não parece ter sido tão complicado assim.
A primeira das três partidas marcadas em três quartas consecutivas já faz parte do passado. Empate sem gols. Pontinho marcado fora de casa. Campanha de apenas uma derrota em 2011 mantida.
Tudo transcorreu tranquilamente nessa primeira fase. Pode parecer uma frase banal essa última, mas em se tratando de jogos contra o Palmeiras em São Paulo, é fase atípica. Tenho plena consciência de que ela só pode ser encaixada nesse texto por ter sido disputada no Pacaembu.
Jogos contra o Palmeiras, por lá na terra da garoa, não têm um retrospecto lá muito negativo dentro do campo. Nos últimos tempos tem até sido bastante positivo o saldo, ainda mais quando precisamos desesperadamente dos pontos disputados por lá.
Contudo, fora de campo a história é bem outra. A rivalidade entre as torcidas... Ou melhor dizendo entre os vândalos travestidos de torcedores das duas equipes é imensa. Como sempre, quem não tem nada com isso, os torcedores comuns, acabam pegando algumas sobras de todo o circo armado. Tanto é que passei boa parte da minha adolescência e juventude aceitando que contra o Palmeiras, no Palestra Itália, seria missão impossível de ser cumprida. Com o tempo, o coração falou mais alto e passei a freqüentar todos os jogos por lá. Em 90% das vezes, com clima bastante tenso na entrada, ou durante o jogo, ou na saída. Em muitas das vezes durante todo o tempo.
Assusta, mas o amor é maior. De 2009 em diante, jogo inesquecível, passei inclusive a cometer a imprudência de levar meu filho junto, já que se deixasse o garoto em casa, corria o risco de sofrer represálias muito maiores no meu retorno ao lar que nos domínios verde do Parque Antárctica.
No ano passado e nessa quarta tudo correu muito bem. Com certeza, reflexo de não estarem eles em seu habitat natural. Em um estádio que, segundo muitos, apesar de municipal, tem muito mais a cara do Corinthians. Bom ter alguns anos de tranqüilidade antes do clima tenso que nos aguarda ao sair da Estação Barra Funda/Palmeiras (é esse o nome?) rumo à, provavelmente deslumbrante, nova Arena que está sendo construída.
Desta vez chegamos quase todos com bastante antecedência ao local... Quase todos, porque um dos membros de nossa trupe de viajantes, o Júlio, sempre toma ares de Senhor do Tempo e inventa uns horários pra lá de apertados para os seus vôos que, diga-se de passagem, quando são da TAM, coincidência ou não, tendem a sempre atrasar ainda mais o já inverossímil espaço de tempo que é separado para a tarefa desembarcar/pegar táxi/chegar ao estádio.
Tudo deu certo. Apesar de ter chegado à Terra da Garoa quatro da tarde, entrei faltando cinco minutos para o início da partida. Ainda assim repito e assino embaixo, TUDO DEU CERTO, FLAMÉM.
Em termos de gastronomia, o destaque ficou para o delicioso sanduíche de pernil, ou seja, presunto, consumido na porta do cemitério. A tarefa foi realizada com muito prazer, pois a fome era tamanha. Inevitável a alusão a rituais selvagens de canibalismo e piadas sobre a duvidosa procedência da carne ora consumida. Improvável. Não é possível que em uma metrópole daquele tamanhão todo, seja mais trabalhoso ir ao supermercado mais próximo que a profanação de túmulos. De qualquer forma, foram boas as piadinhas. Quase tão boas quanto a aprazível iguaria.
Fator negativo, a carteira de um dos membros que ou foi furtada, ou deixada dentro de algum transporte. Sem maiores problemas. Documentos estavam na mochila. Passagem de volta comprada com uma vaquinha dos demais. Pra mim, restou o trauma de pensar: "e se isso acontece comigo na época em que era um viajante solitário?". De gelar a alma se isso existisse.
Retorno do grupo dividido. Enquanto dois foram encarar a agradável tarefa "noite-mal-dormida-no-chão-do-aeroporto", outros três felizardos, nos quais me incluo, foram encarar a triste "noite-bem-dormida-no-busão-confortável". Fui trabalhar cansado e sem banho, mas sem sono nenhum.
Em campo, mantemos a invencibilidade no Brasileirão. Na arquibancada algumas reclamações habituais. Acho interessante como todos ao meu redor nos estádios parecem quere entender mais de futebol que o Luxemburgo que tem, digamos, alguns anos de experiência não só nacional como internacional na coisa toda. Fazer o que?
CURTAS
. Hilário a gente entrar no táxi, o motorista perguntar: "Vamos pela Brasil?", e todo mundo ficar se entreolhando e não querendo dar o braço a torcer de que ninguém fazia a menor idéia do significado daquilo. Por fim, Paulinho ou Zé Paulo, sei lá qual dos dois, grunhiu entre os dentes: "Pode ser". Limitei-me a rir baixinho admirando o caótico trânsito paulista.
. Olha rapaz, se o Kléber faz aquele gol íamos ter no mínimo uns cinco expulsos na nossa equipe. Como diria o Mução, nossa equipe pegou mais ar que pneu de trator.
. Vou confessar um troço aí. Depois de toda a novela, se eu sou palmeirense (tempo para isolar e bater na madeira três vezes...) e o cara faz aquele gol, ia virar ídolo eterno, com direito a estátua no jardim da minha casa. Pronto. Falei.
. A filmadora até agora não voltou do que diziam ser uma autorizada. Filminhos seguem em modo off até resolverem o problema.
. Errei em texto anterior e inverti a ordem das quartas tenebrosas. Como todos devem ter percebido, primeiro o Santos e depois o Cruzeiro. Errei também ao falar Sociedade Desportiva Palmeiras. Alguém me avisou que o correto é "Esportiva"... Na verdade quem fundou o troço lá que errou. "Desportiva" fica um nome muito mais bonito.
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19/07/2011 às 13h15m
Profecia feita. Profecia cumprida.
Como já previa, tudo que podia dar errado nos meus planos da ida para São Paulo, no que diz respeito à colaboração que a Seleção Brasileira poderia ter dado, acabou se realizando.
O que seria uma ida e volta fácil em um domingo agradável junto aos meus companheiros de viagem, transformou-se em correria para deixar as coisas no trabalho mais ou menos ajeitadas, retorno complicado no meio da madrugada, ida direto para o trabalho, sem escala em casa, sem banho, sem nada.
Por mim tudo bem. Um perrengue a mais um perrengue a menos não vai fazer muita diferença em todo o conjunto da obra. Amo essas cores e esse time com todas as minhas forças. O sacrifício que tiver que ser feito para estar por perto quando o Flamengo entrar em campo será feito.
Talvez... Na verdade quase certamente, vem daí a minha fidelidade sem limites às cores do nosso Manto Sagrado. O caminho psicológico que leva a aceitar todo e qualquer resultado negativo, toda e qualquer má fase que possa vir a ocorrer, com um largo sorriso nos lábios e nenhuma alteração de humor é explicável exatamente como decorrência do... Digamos... Certo exagero na quantidade de jogos nos quais me proponho a estar presente durante o ano.
Se o cara fica voando pra cima e pra baixo por aí, encarando estradas sem fim por esse Brasil afora, intempéries climáticas, alguns reais riscos de vida por conta dos vândalos travestidos de torcedores, dentre outras coisas, o resultado é esse aí mesmo.
Devido ao tempo e dinheiro empregados, é muito comum as pessoas deduzirem erroneamente que eu e minha aguerrida trupe de viajantes, ao nos depararmos com resultados adversos, passemos a nos comportar como selvagens, odiando as derrotas, grunhindo, roendo a arquibancada em que pisamos de tanta raiva, prometendo não mais viajar se as coisas não tomarem outro rumo, ameaçando os próprios deuses do futebol pela sua insensibilidade em não recompensar nossos esforços em nome da Causa.
Não é nada disso. Dia desses, Rica Perrone um ótimo jornalista esportivo de São Paulo, são paulino, mas que ama o Rio e fala tão bem do Flamengo que aos mais desatentos pode passar facilmente por um legítimo rubro-negro, resumiu no twitter, já que aquele é um meio por si só dado a sintetizar idéias, tudo o que pensamos sobre o que é torcer por um time de futebol. Disse ele... Não literalmente, mas a idéia era essa: " Torcedor vai ao estádio para ver o seu time JOGAR. Quem vai lá para ver o time VENCER, não é torcedor, é mimado". Perfeito.
Com o resultado esquisito obtido pela Seleção Brasileira no jogo contra o Paraguai, pudemos observar toda a crueldade e distanciamento que a maioria dos torcedores tem quando as coisas não vão bem. Quando a poderosa seleção amarela vence, o espírito "pátria de chuteiras" banha os jornais e os comentários de todos. "Ganhamos"; "Vencemos"; "Atropelamos os Hermanos"; "Somos imbatíveis".
Como as coisas não foram lá exatamente como todos esperavam, só o deboche e o escárnio aguardam os jogadores e comissão técnica no retorno ao solo pátrio (para os que voltam, minoria, é bem verdade). "Vergonha"; "Brincalhões"; " Jogadores deixam o país de luto".
Falo com isenção. Quem me conhece sabe que torço pela Holanda. O Brasil fez um excelente segundo tempo contra o Paraguai. A bola não entrou por um detalhe, ou por que... Ora bolas, existem dias em que a bola não entra. Quem torce com ardor para um time de futebol sabe disso. Tudo bem, perder quatro de quatro pênaltis não acontece todo dia, mas acontece... Tanto que aconteceu.
Nunca presenciei isso no Flamengo. Diga-se de passagem, no quesito disputa de pênaltis o nosso Amado Time tem dado aula nos últimos anos. Porém, tenho certeza absoluta, no dia que acontecer, se é que acontecerá, estarei lá aplaudindo e incentivando os jogadores que forem protagonistas desse desagradável acontecimento. Sou assim. Nada há de abalar a minha devoção. Exagero? Imbecilidade? Conformismo? Chamem do que quiser. Eu chamo de Amor.
CURTAS
. Torci contra o Brasil para o retorno de Sampa ser mais tranqüilo, com o jogo sendo marcado para sete e meia. Contudo, ao perceber que muitos rubro-negros não conseguiriam assistir à partida caso ela fosse nesse horário precoce, já não estou mais ligando tanto para o retorno complicado.
. Certo exagero em todos que dizem que o Brasil perdeu por causa do estrelismo de muitos do grupo. Existe sim o estrelismo, mas não tem nenhuma relação com as penalidades desperdiçadas.
. A quem interessar possa, a filmadora segue no conserto. Não teremos filminhos toscos nesta viagem para São Paulo. Acredito que eles voltem no jogo contra o Santos na outra semana.
. Gostaria de manifestar minha gratidão ao time do Internacional que, com os três gols sofridos em casa no jogo contra o São Paulo, além de piorar nossa situação na tabela do Brasileirão, aproveitou para arruinar uma pontuação que parecia caminhar muito bem no meu Cartola F.C.
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Autor: Vida de Torcedor
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16/07/2011 às 00h48m
Ops... Nem havia percebido o quanto esse julho ia ser trabalhoso.
Justo no mês em que muitos estarão curtindo férias de suas atividades, eu e minha pequena trupe de viajantes estaremos chafurdando até o pescoço em trabalho (aquele que nos dá mal e porcamente a passagem aérea nossa de cada dia) e em trabalho (aquele com o qual nos sentimos mais obrigados moralmente, já que envolve fidelidade ao nosso Querido, Idolatrado, e Mega Estimado Flamengo).
Acho que não tinha percebido ainda, porque seriam só duas quartas seguidas com jogos fora do Rio. Porém, essa agradável transferência do jogo contra a Sociedade Desportiva Palmeiras de domingo para o meio da semana, em horário ainda não definido e dependente cada vez mais das pedaladas e do topete do Neymar, o circo todo está armado.
Serão três. Nada menos que três quartas seguidas com jogos fora da nossa aprazível e paradisíaca Cidade Maravilhosa. A saber, e pela ordem dos desafios: Palmeiras, Cruzeiro e Santos.
Como detalhe mega luxuoso e confortador, à exceção do primeiro jogo que deve ser marcado para as sete e meia, graças a uma chinelada monstruosa que nossa devastadora Seleção Canarinho deve aplicar aos pobres paraguaios no domingo... Perdão pela falsidade e instabilidade do meu coração pátrio, mas no domingo, além de assistir ao jogo, torcerei com afinco desmedido e vuvuzelas estridentes que ainda me sobraram da World Cup Fifa 2010, para uma vitória brasileira. Enfim... Brasil ganhando, Flamengo joga mais cedo na quarta e o retorno será mais tranqüilo, podendo inclusive acontecer o requinte de tomar banho em casa antes de partir para o modorrento trabalho de cada dia.
Já nos outros dois confrontos, nem adianta espernear e fazer beicinho. É do estádio para o chão do aeroporto, do concreto para o espremido banquinho do avião, da desconfortável cadeira para o escritório e ponto final.
Escolhemos essa vida aí e não nos queixamos. Porém, em meses assim, pelo menos da minha parte, torço para passar bem rápido e virar logo uma lembrança da qual sentir orgulho. Algo para falarmos coisas do tipo: "Lembra aquele julho de 2011? Caramba, aquilo foi uma doideira só... A gente só pode ser maluco".
Falar isso, para pouco tempo depois encontrar outros tantos julhos iguais, ou setembros, novembros, qualquer mês.
Dá preguiça? Dá. É muito cansativo? Com a mais absoluta certeza. Mas o pior, como se diz no bordão de um personagem qualquer em um programa que não faço a menor idéia de qual seja, o pior é que a gente gosta.
Em cada uma dessas viagens o ritual se repetirá. Luta para garantir os ingressos, alívio quando concluirmos essa tarefa, encontro nos aeroportos e rodoviárias da vida, piadinhas novas e algumas que se repetem ao longo dos anos, orgulho desmedido de estar lá quando o Flamengo entrar em campo, sorriso amarelo de plena consciência de toda a loucura quando o juiz trilar o apito final, despedida com um "até domingo" ou "até sábado", dependendo de quando seja o próximo compromisso.
Tomara que a filmadora volte logo do conserto. Essas viagens de meio de semana geralmente são mais intensas e geram vídeos mais interessantes.
Agora é curtir o final de semana de folga indesejada que nos foi proporcionado pela Copa América. Recarregar as energias em um ocioso domingo que pretendo passar praticamente estático no aconchego do lar. Nada há de me tirar de casa desse domingo. É bom curtir, já que nas próximas três quartas e quintas, serão muitas horas vivendo sem um teto para chamar de lar... Minto, em pelo menos umas três horas em cada viagem dessas, estaremos nos sentindo em casa. Onde o Flamengo jogar, aquele pedaço duro de concreto que chamam de arquibancada, é o que chamamos de lar.
CURTAS
. Notícias da compra da Web Jet pela Gol em um primeiro momento assustam, já que com menos concorrência a tendência seria os preços subirem. Contudo, não acredito em uma alta tão grande assim. As empresas aéreas parecem dispostas a explorar ao máximo o novo nicho de mercado que conquistaram, os das classes menos favorecidas economicamente, essas descobriram que avião não é mais de uso exclusivo do pessoal do topo da pirâmide.
. Só com três quartas dessas que descrevi acima, o jogo contra o Ceará que será em um sábado, nove horas da noite em Macaé, parece ser um programa agradável.
. Ronaldinho deve ter uma paciência maior que a sua precisão milimétrica nos lançamentos, para aturar esse bando de "jornalista" chato vigiando cada passo que dá em suas horas de folga.
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14/07/2011 às 10h52m
Estou escrevendo isso aqui na tarde de quarta. Agora que você está lendo, ao que tudo indica o jogo da seleção contra o Equador já terminou, e a equipe tupiniquim conseguiu descolar o resultado que precisava para avançar à fase de mata-mata da sonolenta Copa América.
Não me lembro de outras edições do torneio de seleções do nosso continente, em que a bola tenha deixado de rolar para o Campeonato Brasileiro por causa de um jogo do Brasil. Tudo bem que a minha opinião não conta muito, já que se minha memória é falha até para recordar coisas sobre o nosso amado Flamengo, imagino o tamanho da asneira que posso estar dizendo... Não, isso afeta muito minha vida particular... Não devo estar tão errado assim.
Mesmo porque esse troço de mudança de dias e horários é um trauma da minha juventude. Para quem é novo demais para lembrar, nos campeonatos nacionais da época da ditadura nem tinha uma tabela direito. Eram tantos, mas tantos clubes disputando a primeira divisão, que o campeonato ia se organizando por obra e graça dos administradores daquela bagunça, e muitas vezes todo mundo se perdia no meio daquilo tudo e não conseguia lembrar nem contra quem era o próximo jogo.
Por isso, essa semana está trazendo uma reminiscência nada saudosista dessa época terrível da nossa história. Tudo é incerteza.
Pelo que parece os fatos são: Fla joga no domingo contra o Palmeiras. Se o Brasil avançar às quartas-de-final, Flamengo não joga mais domingo e sim na quarta. Se o Brasil, após avançar, avançar mais ainda e chegar até as semifinais, Flamengo joga sete e meia da noite da próxima quarta contra o Palmeiras. Caso o Brasil seja eliminado precocemente da competição, Flamengo joga contra o Palmeiras também na quarta, só que no agradável horário de nove-e-quando-a-novela-acabar. Não a novela do Kleber. Essa já acabou. A novela das nove da Globo, a qual não faço a menor idéia de como se chama.
Até que não é um grande desafio lógico, mas que não tinha necessidade disso tudo, lá isso não tinha. Na verdade acho que ninguém está dando a mínima para essa tal de Copa América. Não se escuta quase ninguém falando da Seleção Brasileira e, nas poucas vezes que acontece, geralmente é para reclamar da falta de empenho em campo.
Era muito melhor deixar as coisas como estão. Nem sei que horas o Brasil vai fazer a partida de domingo (levando em conta que tenha conseguido a classificação diante da Toda Poderosa Seleção Equatoriana). De qualquer forma, aposto que um jogo do Brasileirão ia acabar dando mais audiência. Um jogo do Flamengo então nem se fala, já que a Nação anda rindo de orelha a orelha, e a turma do arco-íris anda rastejando pelos cantos, como se estivessem por dias caminhando sob o sol escaldante do deserto, ávidos por um tropeço nosso para poderem profetizar imbecilmente: "Eu não disse que esse time não é de nada...".
Como se após a próxima derrota, se é que ela vai acontecer... Vixe!!! Agora eu fiquei metido à besta de vez... Enfim, como se após um improvável futuro tropeço, alguma coisa mudasse de figura. Estamos no mês de número 7, se perdermos nesse ou no próximo mês, ainda assim serão duas derrotas em um ano que já avança velozmente pela sua segunda metade.
Mudanças nos planos. O que seria uma aprazível ida e volta em um dia de domingo, se transforma em uma estressante viagem de meio de semana, com todos os perrengues habituais que isso envolve. Sair mais cedo do trabalho, voltar do jogo direto para o mesmo, correria... fazer o que? Ruim pra mim, pior para o meu adorado patrão que mais uma vez terá que exercer o seu Flamenguismo de forma indireta, fazendo vista grossa para a minha ausência na tarde de quarta, e minha presença sonolenta e burocrática durante todo o dia na quinta-feira.
Dos males o menor. Jogo na capital paulista não exige muitos preparativos antecipados. Pior seria se fosse um jogo com passagens aéreas compradas com meses e meses de antecipação. Um em Florianópolis por exemplo, seria uma catástrofe financeira de proporções épicas. Como é em Sampa, cidade facilmente alcançada por um busão da rodoviária, ferimentos leves. Um pequeno incômodo em meio ao mar de perrengues. Molezinha.
Perdão para os tupiniquins mais puristas. Bem, se você chegou até aqui no final dessa página, deve ser dos que entendem, perdoam, e muito provavelmente concordam com o que vou dizer. Mesmo parecendo pouco provável uma derrota do Brasil, pela felicidade e para o bem geral da Nação Rubro-Negra, que não quer ficar órfã de seu maior prazer na tarde desse domingo... Colocando a frase final no tempo certo, já que estamos na quinta-feira, torci pelos equatorianos. A Minha Seleção veste preto e vermelho. Pronto, falei.
CURTAS
. Até gosto de novelas. Parei de acompanhá-las por questão de tempo desde 1989. Acredito que a última que acompanhei diariamente tenha sido "Bebê a bordo" ou "Que Rei Sou Eu?". Fico muito feliz com o final de mais uma. Retomemos nossa vitoriosa programação normal.
. Nosso elenco pegou pesado no treino físico na praia na manhã dessa quarta. Bonde Sem Freio voando cada vez mais.
. Negueba, César, Galhardo, Frauches e Diego Maurício, Boa sorte na seleção. A Seleção aguarda ansiosa o seu retorno.
. Parte da torcida pode até ainda ficar pegando no pé do Wellington. Mas o fato é que ele subiu de produção no Fla-Flu. Outro fato legal é que o cara tem se mostrado bom com as palavras. Pediu corretamente muita atenção para o jogo contra o Palmeiras, sem distrações por conta da torcida adversária, e ainda lembrou muito bem que o jogo é contra o Palmeiras, e não contra o Kleber.
. Só pra constar... Os filminhos dos jogos contra São Paulo e Fluminense não pintaram ainda por aqui porque a filmadora está no conserto. Se não sumirem com tudo por lá, aparecem em breve. Por conta do defeito, a produção de vídeos toscos na viagem para São Paulo corre risco de não acontecer. Ou alguém por aí tem uma câmera pra emprestar?
. mercioquerido@hotmail.com
. Twitter com Fla e outros assuntos: @sorinmercio
Autor: Vida de Torcedor
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13/07/2011 às 10h04m
No episódio anterior... Estávamos lá, todos parados em volta do Motoqueiro Fantasma e com as mentes já dentro da Arena do Jacaré.
Impasse. O rapaz liga para a polícia e a mesma informa; como não houve graves feridos no incidente, não dispunham de viatura para mandar ao local, a ocorrência deveria ser feita mesmo na delegacia. Aí então é que nossos olhares se perderam ainda mais. Ir para a delegacia tendo se envolvido em um incidente com um habitante da cidade, todos nós com blusas do Flamengo... Poucas chances disso ter um final em que estivéssemos assistindo o jogo.
Dilema moral. Paulinho, o dono do carro, é nosso amigo. Flamengo, o dono de nossos corações, é nossa razão de viver. Quem abandonar em um momento desses?
Para alívio de todos a solução para o problema veio da mente doentia do próprio dono do carro, e principal interessado em resolver aquilo sem prejuízos matérias/legais. Enquanto todos piravam com a possibilidade de ficar fora da partida e a tão poucos metros da mesma, uma saída inusitada já vinha se formando naquela mente privilegiada. Disse ele para o motoqueiro.
- Vamos fazer o seguinte: vamos trocar números de telefone, a gente vai pro jogo, quando acabar nos encontramos para irmos todos para a delegacia.
O rapaz, com sua surreal blusa do Santos com listra verticais em branco e azul, fez cara de desconfiado, ainda mais porque chegaram nesse meio tempo ao local duas mulheres, acredito que mãe e namorada (esta última bem interessante, não há como não citar) com caras de poucos amigos. Conversa daqui, conversa dali... A solução que já trazia consigo uma boa carga de ineditismo ganhou contornos de ficção quando a opção foi estacionarmos o carro na casa do rapaz da moto, para que ele tivesse garantias de que não iríamos embora após o jogo. E assim foi feito.
Dentro do estádio, como todos puderam acompanhar nos filminhos toscos, e os que não fizeram é só teclar no page down aí do lado para assim o fazer, foi aquela coisa agradável que todos esperávamos. Feijão tropeiro delicioso, melhor comida de estádio do Brasil, substituindo sem fazer feio e com louvor o prato servido originalmente no Mineirão. Em campo, a já esperada vitória do Flamengo, já que não temos deixado a desejar nesse quesito no corrente ano. Para dar um toque maior de emoção, fomos para o intervalo perdendo de virada. Só para dar emoção mesmo, pois no segundo tempo tudo voltou aos eixos, ou seria melhor dizer, trilhos habituais.
Mais problemas... Quando retornamos para buscar o carro/ir para a delegacia, o circo já estava todo armado, com policiais e sirenes reluzindo na agradável e fria noite mineira de Sete Lagoas. Júlio e Paulinho, de férias e sabendo que a culpa do incidente havia sido mesmo por uma óbvia imprudência do motociclista, tinham todo tempo do mundo. Hospedados em Belo Horizonte, só retornariam mesmo para o Rio dois dias depois.
Já eu, Sorinzinho e Zé Paulo, e mais um amigo chamado Diego que encontramos no caminho... Vôo seis da matina. Os primeiros para retornar ao Rio, o último com destino final Curitiba, todos com seus compromissos inadiáveis para o dia seguinte. O que fazer?
Quando retornamos os quatro para a porta do estádio, como que por enquanto, quase todos os torcedores já haviam deixado os arredores. Para quem não conhece, a Arena do Jacaré fica em local afastado do Centro da Cidade, à beira da estrada, não seria exagero dizer, no meio do nada.
Perdido, perdido e meio. Vimos um troço que parecia um bar do outro lado da estrada. Alguém sugeriu ir até lá tentar descolar o telefone de alguma empresa de táxi. Eu concordei. Meio concordando mesmo, meio com segundas intenções etílicas, se é que vocês me entendem. Já ia ligando a filmadora para registrar aquilo que parecia ser o início de uma nova aventura, quando do meio do nada surgiu um táxi. Válter era o nome do motorista, nunca mais vou esquecer. Tinha ido até o local no intuito mesmo de apanhar alguns retardatários.
Deu sorte o nosso Válter. Arrumou uma corrida de 90 pratas na calada da noite. Demos sorte nós quatro. Primeiro por ter achado um táxi antes mesmo de procurar, segundo por descobrir que uma corrida da Arena do Jacaré para o aeroporto não custava o absurdo intransponível que imaginávamos.
Tudo terminado? Bem se vocês julgam que passar a noite toda dormindo em um incômodo revezamento entre as cadeirinhas e o chão gelado e maldosamente mega iluminado de um aeroporto é um final feliz... Nós também achamos. Final Feliz. Dormir no chão, passar frio, passar fome, correr riscos. Nada disso é novidade pra gente. Quando digo Final Feliz, podem descartar qualquer alusão à vitória do Flamengo. É claro que amamos, mas nunca passamos isso tudo só pra ver o Flamengo VENCER. Continuaremos fazendo tudo que estiver ao nosso alcance para estar lá quando nosso time entrar em campo. Aconteça o que acontecer. Para ver o Flamengo JOGAR. Essa é a nossa vida. Esse é o nosso legado.
CURTAS
. Só para constar, o final dessa história é igual ao final de tantas outras. Chegar no Rio escangalhado e ir direto do aeroporto para o trabalho. Essa parte é repetitiva e cruel demais para entrar no corpo do texto. Fica aqui mesmo, ao final do filme, em letras miúdas, logo após os créditos.
. Detalhe curioso e não citado foi o acordar de todos por volta das três da manhã. Sem motivo aparente, todo mundo acordou, cada um catou seu celular, e tome de procurar na internet informações sobre a posição do Flamengo na tabela. Isso sim, eu já acho que seja levar o fanatismo um pouco além dos níveis saudáveis e aceitáveis.
. Informações via twitter dão conta de que o jogo de domingo contra o Palmeiras pode ser adiado para a noite de quarta por causa da partida da Seleção (??!!). Pior é que nem dá pra torcer contra na noite de quarta. O time do Equador deve ser uma catástrofe. Só por isso mesmo.
. CineFla: "X-MENGO": Jovem mutante, com inconfundível e avantajada dentição, veste a não menos poderosa camisa número 10 de um popular time de futebol carioca e acerta 11 em cada 10 lançamentos que faz. De qualquer lugar do campo, para qualquer lugar do mesmo. Com Ronaldinho Gaúcho e grande elenco.
. FlaMusicHall: "Se a zaga do São Paulo não prestou atenção em mim... Eu uso óculos..." De: Botinóculos Para: Defesa São Paulina.
. Mercioquerido@hotmail.com
. Twitter com Flamengo e muito mais... Não garanto a qualidade do muito mais... @sorinmercio
Autor: Vida de Torcedor
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12/07/2011 às 10h24m
Na Copa do Brasil, já faz algum tempo, acho que no jogo fora contra o Murici de Alagoas, no mesmo dia em que o argentino Messi fez um golaço pelo Barcelona, nosso Willians repetiu a dose um pouco mais tarde e marcou um golaço de encher os olhos.
Cinco minutos após a bola estufar as redes do adversário, a Nação fez uma homenagem e colocou na lista dos assuntos mais comentados no país, os chamados tts, a tag que dá título a esse texto (perdão aí galera mais nova, mas o tio se recusa a usar o termo post. A palavra texto parece que dar um ar de maior importância às mal traçadas linhas).
Na época fiquei impressionado com a força da Nação e com a velocidade com que a coisa toda aconteceu. Quando digo cinco minutos, não é só uma força de expressão, foi em torno disso mesmo. Para quem não é adepto da agradável brincadeira chamada twitter, basta dizer que muitas campanhas envolvendo assuntos sérios e de forte apelo demoram horas, muitas vezes dias, e outra vezes tentam com insucesso colocar um determinado tema entre os assuntos mais comentados.
O tempo passou e algumas semanas depois, quando um modorrento Barcelona e Real Madrid aconteceu, a Nação só por pilhéria e para se gabar pra todo mundo do seu poder, arriscou colocar a tag #WilliansBetterThanMessi entre os dez assuntos mais comentados no mundo. Não rolou, mas naquele dia aconteceu algo suspeito lá no mundo twitter. Assuntos estritamente brasileiros, que estavam atrás do tema envolvendo nosso guerreiro Willians na lista de tts tupiniquins, chegaram a figurar em alguma colocação da lista que leva em conta todo mundo... Esquisito isso não??
Na época cheguei até a dar uma de botafoguense e começar uma campanha de protesto contra o importante roubo que o mundo digital estava fazendo contra nossos propósitos. Cheguei a propor uma bem humorada crítica, pedindo pra todo mundo botar uma tag dizendo que #FacebookMelhorQueTwitter.
Mais tempo passou, e o que já era uma brincadeira legal, tomou nesse domingo proporções de profecia. A Nação estava certa. Não era só uma gracinha movida pelo fanatismo.
Pois bem. Nossos hermanos argentinos estão querendo deportar o Messi para a Espanha, já que a Seleção deles, assim como a brasileira, não consegue decolar de jeito nenhum na Copa América. Mesmo com uma seleção recheada de grandes estrelas do futebol mundial, a Argentina vai patinando sem rumo na competição e a culpa de tudo, é claro, recai justamente nas costas da maior de suas estrelas... Mais ou menos como a parte chata da torcida do Flamengo quis fazer com o Ronaldinho Gaúcho após aquela lamentável partida disputada entre Flamengo e Botafogo algumas rodadas atrás no Brasileirão.
Enquanto isso na Sala de Justiça... Ops... Foi mal. Não resisti à piadinha de reminiscências da minha infância. Enquanto isso no Campeonato Mais Disputado do Planeta, Willians vai lá e decide a partida a favor do Flamengo. A quarta vitória consecutiva em um campeonato nacional seriamente candidato a ser o mais disputado dentre todos eles.
Pode ter começado com uma piadinha, mas na manhã dessa segunda, estava arriscado conseguirmos botar a tag #WilliansMelhorQueMessi, entre as mais comentadas da Argentina.
Se eles lá estão com um pé atrás com a estrela mor do elenco, a Nação Rubro-Negra está rindo à toa com o golaço... Perdoem os críticos, mas gol em Fla-Flu é sempre golaço. Não importa quem fez e nem como fez. Qualquer gol em um Fla-Flu é bonito e, mais ainda, quando calha de ser o gol que decreta a vitória de uma das duas equipes, aí sim fica eternizado em muitas mentes, como uma lembrança boa ou má, dependendo de por qual dos times o coração que aquela mente controla bate.
Golaço do Willians e pronto. Como o mesmo disse, estava na hora certa, no lugar certo. Estava se referindo ao posicionamento em campo, mas é mais que isso. O lugar certo é o Flamengo. A hora certa é em meio à campanha do Hepta.
A Argentina pode até se recuperar dos fiascos que foram os primeiros dois jogos. Pode até ganhar o tal torneio continental de seleções. Agora é tarde. O cara fez gol no Fla-Flu. Em nossos corações, sem a menor intenção de fazer gracinha, agora é isso mesmo...
Willians melhor que Messi.
CURTAS
. Que doideira foi aquela do juiz naquele lance de ontem? Um cara lá do Fluminense, acho que foi o Diguinho, sei lá, deu um tapão na cara do Aírton a meio metro de distância do árbitro... E foi o nosso jogador que ganhou cartão amarelo. Eu hein...
. Quando cliquei em "Salvar", percebi que meu desempenho no tal Cartola nessa rodada ia ser uma desgraça. Dito e feito. O que você tem com isso?? Ano que vem representarei nosso clube em uma liga com um blogueiro de cada time da primeira divisão. Será que até lá eu já aprendi? Não temo me expor ao ridículo, se alguém quiser rir: sorinmercio F.C. é o nome do meu time.
. Não acompanho muito as coisas da Seleção Amarelinha, já que torço para o Flamengo, um selecionado um tanto quanto mais forte. Mas pelo que ouvi falar, a galera não anda muito satisfeita também com o desempenho dos Meninos da Vila.
. Mercioquerido@hotmail.com
. Twitter com Fla e um monte de outras coisas, em sua maioria futilidades: @sorinmercio
. WilliansBetterThanMessi
Autor: Vida de Torcedor
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10/07/2011 às 13h47m
Como já disse por aqui. Por coincidência após um jogo em Uberlândia, também uma cidade mineira, tem viagem longa que some da memória e viagem curta que, de tão intensa, fica registrada pra sempre.
A ida para Sete Lagoas foi dessas últimas.
Tudo começou agradável, com o meio expediente forçado pelo Flamengo. Quando os ponteiros do escritório apontaram ambos para o alto, como se em comemoração aos muitos gols que estavam por vir, o que para muitos pode ter significado hora do almoço, pra mim significou fim de trabalho naquele dia. Para meu filho, dia sem ir à escola. Manual da boa educação: essa juventude precisa aprender a ter prioridades nessa vida.
Vôo partindo no horário. Mais rubro-negros no avião do que seria esperado para um jogo na quarta à noite em uma rodada tão precoce do campeonato. Bendito seja o capitalismo, a competição cada vez mais acirrada das empresas aéreas pelos passageiros, e a conseqüente queda de preços. Chegada sem atrasos à BH. Carona já prometida e confirmada por dois amigos, Júlio e Paulo, que já estavam por lá desde o início da semana.
No caminho, conhecemos o primeiro panfleto interativo e em 3D feito por uma agência publicitária. Todos no carro "saboreando" os papéis de divulgação de uma churrascaria, quando um incêndio na beira da estrada, de tão próximo à rodovia, jogou uma lufada de ar quente para dentro do carro que assustou a todos. Primeiro e inequívoco sinal de que coisas ímpares aconteceriam na nossa breve estada em Minas Gerais.
Ao chegar à aprazível Sete Lagoas, nos deliciamos com sandubas em um bar humilde, localizado às margens do que deve ser a principal das Sete, se não me engano, Lagoa Paulina. Um conhecido que estava por lá, teve uma breve passagem pela mesa acompanhado de uma loira pra lá de deslumbrante, que remeteu de imediato o pensamento de todos à paradisíaca Curitiba. Porém, é óbvio, quem acabou ficando mesmo na mesa foram dois bêbados locais que não falavam coisa com coisa. Do pouco que entendi, um deles disse que torce para o Bangu (???!!!).
O humilde estabelecimento, do qual não me lembro mais o nome, além de servir agradáveis guloseimas, deu um novo sentido ao termo "X - Tudo". Não é que dentre os tudos contidos no sanduíche havia até, inclusive citada no cardápio e documentada nos filminhos toscos, "meia salsicha"?!?!
Alimentados, partimos então para a Arena do Jacaré, agradável estádio onde já havíamos presenciado a não agradável goleada que sofremos por lá no jogo contra o Galo no Brasileirão do ano passado. Aí as coisas começaram a degringolar. Subindo uma das ladeiras, em rua que não distava nem em meio quilômetro do local da partida, eis que um descuidado motoqueiro sai à toda de uma rua transversal e se choca fortemente contra a parte dianteira do carro.
Apreensão. Segundos que pareceram horas até saber se o acidente tinha sido sério... Para alívio de todos, ao sairmos do carro, o motoqueiro já estava de pé. Para dar um tom mais maluco à coisa toda, o mesmo estava usando uma blusa com listras verticais em azul e branco... Do Santos. Havíamos abalroado um peixe campeão continental. Parece história de pescador. Mas foi o que aconteceu.
Como o peixe de mares mineiros estava já de pé e, sei lá como, a frente do automóvel estava muito mais danificada que a moto, propomos um tradicional "vida que segue e cada um fica com o seu prejuízo". Oferecemos o que mais importava no momento, que seria uma ida até algum hospital, oferta que foi prontamente recusada pelo Motoqueiro Fantasma. Porém, leves lesões no braço do rapaz, fizeram com que ele quisesse chamar a polícia para fazer ocorrência, preocupado em não conseguir trabalhar no dia seguinte, e necessitando justificar uma possível ausência no emprego.
Faltava então pouco mais de uma hora para o jogo.
Impasse. Olhares nervosos trocados. Alguém então deixou escapar pela boca o que cada um de nós já havia pensado e bloqueado lá no fundo do cérebro, assim que a moto se chocou com nosso veículo...
- Vamos perder o jogo. Não vai dar tempo de chegar ao estádio.
CONTINUA...
CURTAS
. Ainda que não seja da minha conta... Ou seja... Quantos jogos do Santos ainda serão adiados por conta de qualquer motivo? Fica a maior droga pra analisar a tabela.
. Mês de julho será tranqüilo no quesito viagens. Uma dia 17 para São Paulo. No domingo é tarefa fácil. Outra no final do mês para Santos. Essa, por ser no meio de semana e tarde da noite, um pouco mais complicada, com mais uma noite passada em chão de aeroporto.
. Saiu a data do confronto contra o Atlético-PR pelo torneio continental. Queria não ir para priorizar, sempre por motivos financeiros, o Brasileirão... Mas vai que eu falto jogo justo no dia da quebra do tabu... Dilema.
. Gostei muito da brincadeira no tal Cartola, da qual nunca havia participado. Ano que vem, vou convidar um blogueiro de cada um dos 20 clubes da Primeira Divisão e montar uma liga exclusiva. Vou logo avisando para ninguém criar falsas expectativas. Serei humilhado provavelmente.
. Comentários, sugestões, críticas, bronca, trocar uma idéia: mercioquerido@hotmail.com
. Twitter com Fla e um monte de baboseiras que passam por essa cabeça com uma visão deturpada do mundo em que vivemos: @sorinmercio
Autor: Vida de Torcedor
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