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28/02/2012 às 10h50m



Quem está acostumado a viajar comigo, sabe que eu possuo uma relação bastante peculiar com os ponteiros dos relógios. Pelo minha arte de manipular habilmente (nem sempre) essa versátil ferramenta primitiva, acabei ganhando a lisonjeira alcunha de “Senhor do Tempo”. No começo, achei que fosse perseguição, exagero, infâmia. Na minha opinião imparcialíssima, que não serve pra nada, sou extremamente pontual. Quase sempre. Acontece que, em raríssimas (?!) ocasiões, por circunstâncias obviamente alheias à minha vontade, as coisas não transcorrem conforme o minuciosamente planejado (o famoso deu merda...). Aí, tem sempre alguém, com meu ingresso na mão, me esperando na porta do estádio com o jogo já rolando...

Nessa viagem, decidi estrear meu novo avatar, carinhosamente batizado de “El Señor del Tiempo”, em homenagem àquelas terras pampas lá de baixo. E a vítima da vez foi meu pobre-nobre amigo e companheiro de guerra Paulo Faria, que fez aquele esquema maneiro, desembarcou terça-feira em Buenos Aires, curtiu cassino, bebeu Quilmes, chegou bem cedo ao estádio, bonitão, para, no fim das contas... mofar na porta do estádio me esperando com meu ingresso!!! Amigo é isso aí. Até tentei alentar o desanimado coração rubro-negro dele, lembrando-o de que não é o primeiro a sofrer com esse tipo de evento. E certamente não será o último. Não adiantou muito. Depois de uns 130 impropérios impublicáveis nesse blog familiar, entramos no estádio, onde o não-placar ainda marcava 0 a 0, mas já se passavam 25 minutos do primeiro tempo.

Tentei explicar pra ele que o voo da Emirates não atrasou, saiu dentro do horário. Por sinal, que voo!!! Tentei até ler o jornal de bordo, mas descobri que o meu árabe ainda não chegou a esse nível (já dá pra trabalhar na CIA...). No mais, câmeras exibindo a perspectiva visual do comandante, do assoalho do avião (dava um cagaço desgraçado), um mega-almoço, enfim, me senti praticamente um sheik. Mais de, sei lá, 10.000 músicas pra ouvir (quis até colocar Stairway to Heaven, mas pelo histórico da canção, preferi não arriscar de derrubar o avião. Na volta, quem sabe...), programação variada, etc. Pica das galáxias, o negócio. Na hora de sair, é que deu ruim. Foi aí que nós observamos (eu e o Zé Paulo) o quanto o assento 44A ficava distante da porta. Também, com esse número não deveria ser mesmo no colo do comandante, óbvio. Vai dar m...

Foi aí que rolou um daqueles famosos planos típicos de flamenguista-carioca-espertão-quase mal-educado, que consistia basicamente em atropelar o maior número possível de pessoas para ganhar tempo na fila. Deu tudo errado, claro. Pra piorar, ainda tinha uma chinesa (ou japonesa, coreana, maciana, sei lá) me empurrando com a bolsa, forçando a passagem. No melhor estilo Aírton-tratorizador, larguei uma singela cotovelada na pouco amistosa oriental. Funcionou, como sempre. O árbitro não viu e ela aquietou o facho.

Tentei explicar também que, por conta desse pequeno inconveniente, a fila da imigração que nos aguardava estava um “pouquinho” maior do que o calculado. De qualquer forma, omiti a irrelevante informação de que pegamos a fila errada. Não precisava. “Apenas” 30 minutos depois, já por volta de 20:20, saímos correndo em direção à alfândega, onde o nosso parceiro Hugo Bob Marley demorou um pouco mais do que o estipulado no cronograma original. Enquanto ele se resolvia, fechamos o táxi, do alto do meu admirável espanhol, com a autoridade de um nativo. Do Rio. Ida-espera-volta pra não ter susto. Aí, já era 20:40...

Tentei explicar que o Google Maps enganou a gente e a viagem durou o dobro do tempo. Mas o Paulinho não ouviu... vai se acostumando, garoto! Enfim, chegamos, combinamos o ponto de encontro com o taxista e saímos à caça do portão de entrada que, por sinal, nenhum policial sabia onde ficava. Entramos exatamente aos 25 minutos. De relevante mesmo do lado de dentro, só a admirável vibração de uma torcida pequena, quase local, ensurdecedora para os padrões tupiniquins. E de dois Fla-Fakes desgraçados que passaram o jogo todo numa espécie de duelo para ver quem xingava mais o time. Vai vendo, as pragas vão para Argentina para fazer isso...

Aí, o juiz apita o fim do jogo, a gente acha que vai rolar o inferno e... nada. Tal qual os preparativos da partida, onde amigos até se confraternizaram com a principal “barra brava” do Lanús, em um típico churrasco argentino. Recepção amistosa, como deveria ser em qualquer lugar. E onde menos esperávamos. Preciso rever meus conceitos...

E Buenos Aires? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar...
Mas parece que o Paulinho jogou uma casca de banana em uma via férrea de lá e há rumores de que esse inocente gesto tenha dado uma pequena “ajudinha” no desastre ferroviário da semana passada...

Creio que o nosso próximo encontro seja em Assunção, se me permitirem (o trabalho, o Sorín...). Até lá, então!!!
Em tempo: se você for para Argentina, NUNCA beba a tal da Fanta sabor Pomelo, ok?


Autor: Vida de Torcedor

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27/02/2012 às 11h16m



Eu até nem queria falar sobre isso, mas como evitar se todo mundo não fala de outra coisa? Como evitar se meus próprios ouvidos e olhos, já que a maior parte das broncas que tomo de outros rubro-negros chega, ainda bem, por intermédio da fria tela do computador, toda hora se deparam com isso? Fato esse que impede atos mais... Medievais por parte daqueles que acham que tenho o nome tão rimado quanto refrão de escola de samba, e que me chamo Sorin Amorim.

Então o assunto por aqui hoje é... tchan, tchan, tchan, tchan... O gol, ou melhor, dizendo, o não-gol do Deivid.

Existem vários pontos para serem abordados, mas como já estou de saco cheio desse assuntinho e quase dando uma tapa no próximo que vier reclamar comigo, me detenho a alguns poucos.

Primeiro e irrevogável: as mil piadas e brincadeiras decorrentes do fato devem mesmo ser feitas e o próprio Deivid não deve mais estar dando a mínima pra elas. Deve sim ainda estar se sentindo um pouco culpado. Não da derrota, que essa poderia ter acontecido mesmo se ele tivesse dominado a bola que nem em pelada de rua e marcado o gol com o traseiro. Se sentindo em dívida pelo lance em si que, não há como negar, foi dos mais curiosos e engraçados do futebol recente.

As piadas devem ser feitas porque é pra isso que o futebol existe. Emocionar-nos, nos divertir, nos fazer rir de angústia e chorar de alegria. No meu tempo (odeio cada vez mais essa expressão, mas vá lá) era bem mais divertido e leve, e olha que nem sou tão matusalém assim. Piadas e provocações por parte dos jogadores, dirigentes e torcedores adversários animavam os confrontos, não geravam todo esse nhém-nhém-nhém atual, onde tudo é encarado como falta-de-respeito-e-menosprezo-ao-adversário.

As piadas às vezes extrapolam? Sim. Mas e daí? Não se pode censurar o humor.

Já o mau-humor da nossa própria torcida, que anda reclamando demais e vociferando demais por causa de uma simples eliminação na Taça Guanabara, esse deve ser observado com outros olhos.

Deivid é atleta dedicado e, mesmo na fatídica partida, teve um bom desempenho e seria bastante elogiado não fosse a sua ligeira infelicidade no lance que ganhou o mundo através dos atalhos cada vez mais curtos do mundo virtual. Acontece. Tanto acontece... Que aconteceu. Bola pra frente. Não há o menor motivo para a torcida pegar no pé do rapaz, mesmo porque essa história de ficar reclamando o tempo todo de jogador e técnico do seu clube pega muito mal e me faz duvidar muito de todo esse amor que os #FlaChatos dizem sentir pelas nossas cores.

Outra coisa interessante é que o não-gol da NOSSA equipe, o NOSSO não-gol, porque aqui é Flamengo, e todo mundo tem que estar junto nas derrotas e vitórias, foi até agora o momento mais marcante do campeonato e ainda hoje, já muitas horas após o acontecido, ainda é mais comentado que a própria “expectativa” para a final da Taça GB. Assim é o Flamengo. Roubando a cena de qualquer maneira, com qualquer resultado. Tenho certeza que, ao final do campeonato, com mais um título rubro-negro no Estadual, tomara que com um gol do próprio Deivid, essa edição ficará marcada como “o estadual de 2012, aquele do gol do Deivid”. Em mais alguns anos, os torcedores mais novos nem vão saber que essa referência é a um não-gol e não a um gol propriamente dito.

Agora, o mais interessante mesmo não é novidade nenhuma. E também não tem a menor graça. Quando é que esse povo vai entender como é a brincadeira de torcer? O tio aqui já explicou, mas vamos lá outra vez, quem sabe não ganho o povo pelo cansaço?

A brincadeira é assim ó... Você nasce Flamengo ou então escolhe outro time qualquer para torcer no futebol. Aí, você começa a acompanhar os resultados do time escolhido. (vamos de um monte de “aí” pra ficar bem didático). Aí, você fica torcendo pelos resultados serem os melhores possíveis. Porém... Sempre consciente de uma coisa: existem três resultados possíveis, e essa regra vale até mesmo para o todo-poderoso Barcelona, vitória, derrota e empate. Todo mundo entendeu a lição do tio até aqui.

Pois bem, prossigamos. Aí você torce pelas vitórias e às vezes, dependendo da circunstância, até mesmo para um empate. Isso não quer dizer que seu time vai ganhar. Só quer dizer que essa é a sua vontade. Simples assim. Aí, para finalizar a lição de hoje, você comemora quando os resultados forem aqueles que você esperava e grita bem alto: “GANHAMOS!!!”. Já quando as coisas não forem bem... Ah menino malvado... Nem adianta querer tirar o corpo fora. Tem mais é que aplaudir o time e proferir conformado: “É, hoje não deu. NÓS perdemos”.

Agora, se você só está interessado na primeira parte, a das comemorações... Aí o tio só pode dar um conselho: passa novela pra caramba na televisão. Até canal com novela antiga já tem. Para o seu bem e para o de todos os torcedores de verdade: “VAI VER NOVELA, MANÉ!!”

Afinal de contas como disse alguém um dia lá pelo twitter, acho que foi o Rica Perrone: “Torcedor vai assistir o time jogar. Quem vai assistir o time vencer não é torcedor, é mimado”.

CURTAS

. PROMOÇÕES. Já na próxima semana jogo por aqui a primeira promoção de março. Serão duas, já que Juninho e seus Peixes da Noruega melaram a que seria feita na final da Taça GB.

. PASSINHOS. Se eu sou o Deivid crio uma coreografia bem maneira, alusiva ao famoso gol perdido, para realizar das próximas vezes que marcar. No final das contas, tudo não passa de uma grande diversão. Rir do próprio azar é a forma mais legal de encarar esse revés.

. DESCANSO DO GUERREIRO. Final de semana de folga, sem jogo do Flamengo. Aproveitar para descansar de toda a maratona que atravessei pelas ruas do Rio, andando bêbado atrás dos blocos. Foi meio um presente de grego, mas, como sou um senhor educado, obrigado Vasco. Encontramos-nos na final do campeonato... E aí vocês já sabem...

. mercioquerido@hotmail.com

. Twitter com Fla e outras cositas mais: @sorinmercio

Autor: Vida de Torcedor

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23/02/2012 às 16h27m



Estávamos muitos, uma incomensurável quantidade de dias sem perder um clássico.

Aconteceu.

Aconteceu porque é assim mesmo que as coisas funcionam. Clássicos são mesmo difíceis. Ficar meses/anos sem derrota neles é mais difícil ainda. Ainda mais em uma cidade que conta, supostamente e por definição, com quatro chamados grandes clubes em seus domínios.

Existem no ano muitos momentos em que isso poderia ter acontecido. Mal menor, fosse este jogo de quarta contra o Vasco um jogo de meio de turno de Estadual. Contudo, fora essa possibilidade que aventei, esta mera semi de Taça Guanabara é, com o perdão da palavra, raciocínio que até vai de encontro e fere nosso imortal hino, uma baita de uma boa hora para perder, já que isso, queiramos ou não, é inevitável.

Não que a vitória de nossos adversários não tenha lá seus méritos, não se trata disso. Está de parabéns a equipe e a instituição cruzmaltina. Não só pela vaga na final do primeiro turno, arrancada no primeiro jogo bom que presenciei nesse Estadual, mas pela volta por cima de se reestruturar e conseguir, assim como muitos outros clubes, transformar o pesadelo da série B em combustível para reverter a situação lamentável e transformar em campanhas dignas de um clube que se chama, com todo o mérito e sem nenhum favor de “Gigante”.

Nesse caso em questão, méritos ainda maiores nossos que soubemos reestruturar as coisas pelo nosso lado e montar equipes altamente competitivas sem precisar passar por momentos... Digamos... Constrangedores, porque não dizê-lo? Disputando competições que não combinam com o nosso pensar, novamente com méritos e sem favores despropositados, de clube grande.

Ferimentos leves. Muita gente do lado lá exagerando nas comemorações. Fato compreensível pelo imenso tempo que transcorreu desde o último triunfo alvinegro sobre o nosso Manto Sagrado. Do lado de cá, de forma igual, muita gente exagerando nas lamentações. Mistura do mau hábito de ganhar sempre e há tanto tempo...  E também um pouco de prazer que esse povo tem de reclamar por tudo.

Analisando friamente, talvez o empate contra os argentinos do Lanús em um jogo contra um adversário tão “abordável” como diria nosso Maestro Júnior, traga efeitos mais danosos para a nossa temporada do que essa eliminação precoce do primeiro turno de um modorrento estadual que arrasta lá sua meia dúzia de torcedores para um jogo decisivo entre Flamengo e Vasco (!!??). Isso porque, como todos sabem, a classificação geral na primeira fase da Libertadores é o que define a ordem dos jogos na emocionante e difícil fase do mata-mata.

Falando em temporada é que podemos abordar de maneira certa e sobre ótica certeira o que significou a nossa eliminação. Temos o sempre emocionante Brasileirão, a Libertadores da América e o Estadual. Ou seja, uma eliminação em uma das fases preliminares que definirão os finalistas de um campeonato que vencemos quase todo ano, olhada por esse prisma, representa pouco, quase nada.

Aí dirão os resmungões de plantão: “Mas se o Deivid não perde aquele gol...”

CHEGA!!!!

A bola não entrou e pronto. Além do mais, pelo que me conste o jogo não era uma pelada que se encerraria quando uma das equipes marcasse o segundo gol, para o time “de fora” entrar. O jogo foi duro e bem disputado. SE a tal bola tivesse estufado as redes adversárias não seria garantia de nada.

Fizemos a nossa melhor partida na competição e contra uma equipe bastante competitiva. O time começa, e já não era sem tempo, a demonstrar que dá pra confiar no  nosso potencial para a temporada. Isso é garantia de títulos? Não. Simplesmente porque  NADA é garantia de títulos. Mas é um excelente começo.

Aí o Deivid faz o gol decisivo lá na frente contra a mesma equipe em momento talvez até mais decisivo que esse de agora, e teremos visto desfilar diante dos nossos olhos mais uma bela página da história do futebol e, mais que isso, da NOSSA história.

A “jabulani” não entrou? Pior pra ela.

Pra sempre Flamengo.

CURTAS

. OÁSIS NO DESERTO. Até essa partida contra o Vasco, em um campeonato tão repleto de jogos mais ou menos, o momento mais emocionante tinha sido encontrar em local próximo ao estádio de Volta Redonda um lugar decente para comer. Lágrimas quase me saltaram aos olhos. Lanchonetes que são facilmente encontradas em praças de alimentação de diversos shoppings decidiram “pousar” por lá, até então um deserto gastronômico.

.PIADA DE PORTUGUÊS. Tudo bem que a gente fica muito malandramente fazendo piadas com a origem lusitana dos nossos rivais, mas o que vi de um rubro-negro no Engenhão barra qualquer sandice. Um rapaz acha por bem assistir ao jogo em pé em uma mureta de proteção em um dos túneis de acesso às arquibancadas do Setor Leste Superior. Perigoso pra ele, visualmente incômodo para quem está por perto. Um dos incomodados pede gentilmente para que ele desça para lugares mais adequados na hora do jogo. Resposta do rapaz: “Posso não. Vou ficar aqui. Sempre assisto jogo aqui em cima”. Pra quem freqüenta o setor, vale uma olhadela em próxima oportunidade. Realmente patético. Até hilário, não fosse constrangedor.

. EXEMPLAR. Tudo bem que nas redes sociais a Nação pegou pesado e reclamou montes por causa do gol perdido pelo Deivid, mas no Engenhão até que o comportamento dos presentes foi bem digno e, diga-se de passagem, surpreendente. Saiu aplaudido o nosso camisa 9. De forma merecida. Fora o pequeno azar, fez ótima partida.

. PROMOÇÕES. Não é que a turma do bacalhau melou a promoção de fevereiro que eu ia fazer junto com a final da Taça GB?   Sem problemas. Vamos fazer duas em março. Uma em cada quinzena. Aguardem.

. mercioquerido@hotmail.com

. Twitter com Fla, outros assuntos menos dignos, e muita baboseira: @sorinmercio

Autor: Vida de Torcedor

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16/02/2012 às 09h40m



Nunca fui da turma do #ForaLuxa. Um povo insistente que passou boa parte da última temporada prevendo um caos iminente e que, diga-se de passagem, acabou não se transformando em realidade.

Também nunca serei da turma do #ForaJoel. Eles existem, acredite você leitor se quiser, se bem que você já deve ter visto/ouvido essa turma por aí com seus resmungos habituais. Não guardo mágoa disso. Na verdade o nome pelo qual deveríamos chamar esse povo seria o de “Turma do Fora Todo Mundo”.

 Prova disso é a de que já andaram lançando impropérios aos quatro ventos, mesmo antes de uma definição sobre qual nome seria o escolhido para pilotar o Bonde sem Freio na temporada de 2012. Espero eu, se não por mais outras temporadas, pelo menos que seja para essa inteira, posto que esse troço de ficar trocando de técnico toda hora tem a maior cara de timeco pequeno.

Contudo, o Flamengo é mesmo muito maior que todos nós e o Luxemburgo agora faz quase totalmente parte do passado. Digo quase porque, não há que se esquecer, o cara é rubro-negro. Sendo assim, só deixa de estar ali na beira do gramado para se juntar a todos nós na torcida por dias cada vez mais gloriosos para o nosso Manto Sagrado. Duvido muito que a mágoa de quem acabou de abandonar o bonde faça com que ele torça realmente para que as coisas não aconteçam da melhor forma daqui em diante, diga-se de passagem, comportamento lastimável de muitos, e que sempre surge em ano de eleição.

Mas agora já foi. Agora todo mundo por aqui é filho de Papai Joel. Não há como não simpatizar em gênero, número e grau com a figura carismática e engraçada. Já chegou mudando o clima, fazendo o elenco, os repórteres, a torcida, todo mundo sorrir leve e passar de imediato a acreditar em mais um ano bom para a Nação.

Feliz é Negueba, que já desde o primeiro dia foi o “adotado oficial” do Papai Joel, hábito do nosso novo técnico por todos os clubes que passa. De qualquer forma, somos todos adotados. Não só elenco e torcida, como o próprio recém chegado técnico que, em detrimento dos eternos resmungões de plantão, chegou recebendo todo o carinho que deixou na Gávea quando aqui estava em sua última passagem e optou por alçar vôos maiores, indo treinar a Seleção da África do Sul.

Há quem guarde mágoa porque a noite da despedida de Joel coincidiu com aquela trágica e inesquecível noite do jogo contra o América do México. Em minha humilde opinião, aquilo foi culpa dele sim... Mas de todos nós conjuntamente. Eu mesmo, enquanto o time das terras do Chapolin já tinha dois gols de vantagem, estava tranquilamente na arquibancada combinando horários da ida para Santos na semana seguinte, onde seria nossa partida na fase seguinte. Fomos derrotados pela nossa soberba, todos nós. Inesquecível foi o comentário de alguém que nem me lembro mais o nome. Disse ele: “Fomos derrotados porque achávamos que já estava ganho. Vai acontecer outras vezes. Nós sempre vamos achar que já está ganho. Nós somos assim”. Perfeito.

Prefiro mesmo lembrar a vez em que nosso Papai foi chamado para tarefa menos nobre que disputar a Libertadores e ainda assim, mesmo sendo menos nobre, de importância muito maior no contexto da história de nosso clube. Chegou com o time praticamente entregue ao redemoinho destrutivo do rebaixamento e, em uma arrancada maravilhosa em nove jogos memoráveis, cá estamos como um dos poucos times do país que nunca freqüentaram a série B.

Boas vindas, Papai Joel. Que sua estada seja longa e cheia de alegrias. Mesmo sabendo que, aconteça o que acontecer, tem um povo que nunca vai estar satisfeito.

CURTAS

. NO DOS OUTROS É REFRESCO. Acabado o jogo contra o Nova Iguaçu em Macaé, uma pequena ida ao banheiro do estádio antes de pegar a estrada de volta foi uma aventura. Sabe-se lá porque (na verdade até desconfio, mas é melhor não comentar), o banheiro era um verdadeiro “mar” de gás de pimenta. Sorinzinho sequer entrou, já sentindo o drama ainda do lado de fora. Zé Paulo, meu filho adotivo das arquibancadas, entrou em um pé e saiu no outro. O velhinho aqui, muito malandro que é, decidiu encarar e não passou mal por pouco.

. ADEUS CARNAVAL. Lá vou eu largar a maravilhosa folia do sábado de carnaval para ir até Volta Redonda. De qualquer forma, o menor dos males. Pelas circunstâncias da tabela o jogo ganhou ares de uma improvisada fase de quartas-de-final da Taça Guanabara. Ruim deixar o primeiro dia momesco de lado. Porém, se o jogo não valesse mais nada, ia doer muito mais.

. QUEM NÃO TEM CÃO... Já que o dever pátrio me chama... Pelo segundo ano consecutivo irei fantasiado para Volta Redonda acompanhar o Flamengo. Mítica a fantasia para 2012. O máximo em genialidade nerd. Confiram nos #FilminhosToscos.

. REPÓRTER ESSO. Nossa... Essa expressão anterior aí é tão antiga que nem do meu tempo é. Novo demais você? Pergunta pro Tio Google que ele te explica. Enfim, nos #FilminhosToscos abaixo desse texto, em quaisquer dois quadradinhos daqueles, tive a sorte/competência de estar com a filmadora gravando nos momentos dos dois gols contra os bolivianos no Engenhão. O gol a gente vê 500 vezes na televisão, mas o momento exato da explosão da torcida, diretamente da arquibancada, só por aqui mesmo.

. mercioquerido@hotmail.com

. Twitter com Fla e outros assuntos, e quartel-general das promoções que sempre dão um Manto Sagrado para o vencedor, @sorinmercio



Autor: Vida de Torcedor

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13/02/2012 às 09h19m - Atualizado 13/02/2012 às 09h33m




































Autor: Vida de Torcedor

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06/02/2012 às 11h52m



Eureka!!!  Eureka!!!
 
Finalmente descobri uma das coisas que levam um #FlaChato a passar a vida toda a se lamuriar de tudo e de todos que estão envolvidos no time, direção, comissão técnica, faxina, almoxarifado, etc.
 
Descobri que é só uma variação da minha viagem emocional que faz com que me sinta um traidor da pátria quando não estou no estádio. Mesmo que o jogo seja na Bolívia, em um lugar tão alto que o avião quando decola rumo ao planeta, desce em vez de subir. Sou fanático, mas sou consciente da minha loucura. Sei que esse aumento do meu “campo de ação” no decorrer dos anos é algo não muito racional.
 
Aliás... Nada racional. É puramente passional e levado até as últimas consequências. Começou indo a todos os jogos no Rio, depois expandiu para todos na Região Sudeste e, daí para cobrir o sul, o Nordeste, até chegar ao ponto de ser simplesmente uma questão de olhar o bolso, o cartão de crédito, a possibilidade de um empréstimo na empresa, com os amigos, parentes, ou seja lá com quem for, foi um pulo.
 
Acompanhando o Estadual, uma espécie de purgatório para poder adentrar o paraíso que, em 2012, atende pelos nomes de Brasileirão ou Libertadores da América, finalmente, e não sei mesmo como eu pude levar quase 40 anos para perceber, percebi qual é a viagem emocional que leva um rubro-negro a achar durante todo o tempo que há um complô universal contra a sua saúde psicológica, e que a sede dessa conspiração está instalada naquele que ele diz ser “o meu time do coração”.
 
Tudo estava ali na minha frente o tempo todo e eu não vi. Normal. Quando as coisas estão muito óbvias e expostas, costumam mesmo acabar passando em branco.
 
Eis que em pleno jogo inaugural da Taça Guanabara. Emocionante e importante partida disputada na noite de um sábado, contra a poderosa equipe do Bonsucesso. Partida na qual escalamos nosso time reserva que, diga-se de passagem, não fica devendo nada a todos os times titulares dos chamados pequenos do futebol carioca... Pelo menos dos que vi jogar até agora, um rapaz ao meu lado vocifera nervoso e leva às mãos a cabeça após um passe errado da nossa equipe, ali pelos 10 minutos da primeira etapa.
 
O gestual todo, o grunhir, o erguer das mãos, o olhar desesperado para os céus... Tudo isso resultou em uma das atuações mais falsas que já vi, tendo eu interpretado vários papéis no teatro em um palco diminuto por uns cinco anos da minha vida.
 
Poucos dias depois, lá pelo twitter, vi uma pessoa que passava o tempo todo reclamando do desempenho do time e culpando o Luxemburgo... Mesmo naquele período em que passamos 100 dias sem uma única derrota, reclamando de todas as possibilidades de novos técnicos que seriam possíveis sucessores do Vanderlei (??!!).
 
Aí então compreendi. A viagem emocional desse povo é a de que, para provarem amor ao clube, têm necessariamente que estar completamente preocupados com “a situação”. Seja ela qual for. E não basta se preocupar, tem que demonstrar isso pra todo mundo de maneira constante e teatral.
 
Fico mais calmo a partir de agora. Juro que, principalmente depois que passei a ocupar esse nobre espaço aqui no site, andava preferindo conversar sobre futebol com meus amigos que torcem por outros times, a ficar ouvindo as lamúrias e reclamações de muitos rubro-negros. Isso vinha me irritando de maneira intensa. Sempre pensava: “Não é possível. Será que estou louco? Do que esse povo tanto reclama nessa fase atual? Será que estavam todos dormindo nos anos de luta contra o rebaixamento? Anos que nem estão tão distantes assim no tempo”.
 
Dia desses um amigo das redes sociais da internet chegou a dizer que eu só não achava o atual momento terrível, por desconhecer o passado glorioso do nosso clube. Respondi, ironicamente, que apesar de ter dedicado boa parte dos meus 40 anos de vida a respirar esse clube quase diariamente, realmente não conhecia muito do passado, algo que iria tentar corrigir. Eh, eh, eh...
 
Considero, e de maneira muito feliz, que eu atingi uma espécie de nirvana espiritual no que diz respeito ao Flamengo. E isso não é de hoje. Elenco, técnico, dirigente, nada me aborrece. Entristeço-me um pouco quando a grana não dá para “estar lá”. Na minha viagem mental, isso é o que mais importa. Os rubro-negros que passam o tempo todo a reclamar e só ver lado negativo em tudo que diz respeito ao Flamengo, isso andava me enervando bastante nos últimos tempos. Agora não mais. Depois daquele garoto “em desespero” na primeira rodada da Taça GB, analisando o resto como um todo, concluí.
Em um #FlaFake até o nervosismo é falso. Só pode ser.
 
CURTAS
 
. Como já relatei aqui, Sorinzinho destruiu meu notebook e agora escrevo os textos no escritório, após o expediente, ou em uma abafada Lan House perto da minha casa. Nela estou enquanto preparo isso aqui. Acabei de ouvir um vascaíno aqui reclamando do seu time. Disse ele: “Ah, tá tudo muito mais ou menos. Essa situação só vai melhorar no dia que nós dermos uma porrada de jeito no Flamengo”. Que diabos nós temos com isso? Eu hein??!!
 
. Linda a festa da torcida na noite do jogo contra o Potosí. O Engenhão estava até com uma carinha e clima que lembrava o nosso bom e velho Maracanã. Tomara que isso seja uma constante no ano de 2012.
 
. Por outro lado... A partida contra o Olaria na sexta, cinco da tarde, foi uma das coisas mais modorrentas que já presenciei. Estava me sentindo em uma prova de resistência do Big Brother. Arrisco dizer que nunca senti tanto sono dentro de um estádio como nessa oportunidade. No começo do segundo tempo, cheguei a jogar água gelada na cabeça. Mais para combater o sono, que como jeito de me refrescar dos cinquenta graus à sombra que deviam estar marcando os termômetros.
 
. O contraste desses dois jogos, distando menos de 48 horas um do outro, podem se conferidos nos #FilminhosToscos que aparecem por aqui na próxima semana. Em tempo: por coincidência e sorte, flagrei os dois gols que fizemos contra os bolivianos. Acho que fica bem legal quando consigo documentar o momento exato do gol e a explosão na arquibancada. Mesmo com toda a tremedeira... Aliás, acho que fica legal por causa dela, e não apesar dela.
 
. Na terça aparece por aqui também o sorteio entre os sete leitores que acertaram os três gols que fizemos contra os bolivianos. Um deles leva o primeiro Manto de 2012. Ainda esse mês, mais brincadeirinhas lá pelo twitter. Mais Manto Sagrado de presente.
 
. mercioquerido@hotmail.com
 
. Twitter com Fla e outros assuntos: @sorinmercio



Autor: Vida de Torcedor

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Vídeos: Acompanhe como foram os três primeiros jogos do Fla no ano

Blog Vida de Torcedor dá sua visão muito peculiar de como o Rubro-negro estreou na temporada 2012

02/02/2012 às 15h10m - Atualizado 02/02/2012 às 15h58m






































Autor: Vida de Torcedor

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Perfil

O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.