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27/03/2012 às 13h01m



De tanto ouvir minhas lamúrias sobre a árdua, penosa, crucificante tarefa de estar presente em TODOS os jogos do Estadual, um dos meus patrões, um dos rubro-negros mais reclamões e pessimistas que eu conheço, volta e meia pergunta:
 
"Por que você vai nesses joguinhos do Estadual?"
 
Sempre respondo de uma maneira bem geral e que, mesmo não satisfazendo a dúvida do cara, pelo menos é uma resposta que me é breve, permitindo não entrar em um diálogo quase filosófico, discussão essa que poderia se arrastar por semanas... Até mesmo meses, sem que se chegasse a uma conclusão final para ambas as partes.
 
"Eu vou porque isso aqui é Flamengo" – é a minha resposta de praxe.
 
Contudo, já passando dos 40, época em que você começa a rever todas as besteiras/loucuras já feitas na vida e que, pelo menos no meu caso resulta em uma arriscada conclusão que ordena de maneira irresponsável: "É... um monte de atitude inconsequente... muito bom. Vamos fazer tudo de novo?", acabei refletindo um pouco sobre isso em um nível um pouco mais adentrado nos mistérios do funcionamento do cérebro humano, se é que tenho esse troço aí.
 
Nessa edição do Estadual já tinha descoberto e relatado por aqui, e de maneira bem precoce, logo aos 10 minutos da nossa estreia na Taça Guanabara, uma grande verdade sobre os #FlaChatos. Ao ver o desespero forçado e de péssima interpretação artística de um rapaz na arquibancada, cheguei à conclusão de que era tudo uma grande representação. Alguns acham que, para demonstrar seu amor pelo manto Sagrado, têm que se mostrar permanentemente preocupados/insatisfeitos com qualquer coisa que não seja uma volta olímpica ao final de uma competição.
 
Então... 2012 revela-se um ano de grandes descobertas.
Na noite de sexta fui ao Circo Voador assistir ao excelente
 e recomendado show do vascaíno (fazer o que?) Erasmo Carlos.
 
Muito bom mesmo. Meus ouvidos, mais chegados a um hardcore bem barulhento, saíram plenamente satisfeitos do local. Barulheira rock and roll pra nenhum fã do gênero botar defeito. Duas guitarras, muitos solos, versões bem "metálicas" de algumas canções que não se mostravam tão sonoramente agressivas quando de sua criação... Perfeito.
 
Erasmo já passa dos 70. Anos muito bem vividos e aproveitados, diga-se de passagem. Ao ver o cara ali cantando em meio a toda aquela distorção de guitarras, viradas de bateria, painéis luminosos evocando sexo a todo o momento, luzes, com o relógio já avançando pela madrugada, só se pode concluir uma coisa. Levando-se em conta que, fora a carreira dele, Erasmo é parceiro/compositor do maior fenômeno musical da história do país... Não pode ser por dinheiro.
 
Ele está nessa, saltando de uma cidade para outra com agenda repleta de shows por que... É só assim que ele sabe fazer. Se isso for tirado dele, aí não sobra nada.
 
Pronto. Mais uma coisa explicada. Agora sei por que continuo, ano após ano, reclamando e frequentando todos os jogos de uma competição ultrapassada e inchada que me acostumei a chamar pelo nome de Modorrento Estadual. É só assim que sei fazer. É minha essência.
 
Passando dos 40, por consequência lá se foi (assim espero) metade de minha vida por aqui. Ainda assim estou eufórico com a proximidade de mais um Brasileirão e sua longa maratona de viagens, perrengues, noites passadas no chão do aeroporto, riscos de vida, etc. O ânimo é o mesmo, e porque não dizer até maior do que o da época de adolescente. Isso porque nesses tempos a grana mal dava para ir a todos os jogos na Região Sudeste.
 
Estar ao lado do Flamengo quando ele entra em campo deixou de ser algo importante na minha vida com o passar dos tempos... Transformou-se na minha própria vida. Assim como o rock o é para Erasmo. Assim como a velocidade levada até as últimas consequências o era para Senna. E quer saber? Mesmo com os sacrifícios físicos e financeiros que meu vício-Flamengo exige, é muito bom ter algo assim para escorar minha existência nesse planeta.
 
Bem... Por hoje vou ficando por aqui. Meus companheiros me aguardam em algum canto dessa cidade. Estou com sono? Estou. O Estadual é uma competição chata? É. Nada disso importa. O que sabemos fazer vai ser feito. Até a próxima. Já é quase metade do dia do sábado. Temos que ir para Volta Redonda. Por quê?
 
Porque aqui é Flamengo.
 
CURTAS
 
. PROMOÇÃO. Durante a próxima semana aparece por aqui a próxima brincadeirinha valendo um Manto Sagrado. A turma já pode ir dando aquela lustrada na bola de cristal. Uma dica: a brincadeira dessa vez envolverá os dois últimos jogos pela fase de grupos da Libertadores
 
.CARTOLA. @dlsilva77, cidadão twitter e figurinha certa nas arquibancadas mandou uma boa. A brincadeira que vai dar o último Manto do ano, lá em dezembro... Vai começar daqui a pouco. Vamos montar uma liga do #BlogVidaDeTorcedor no Cartola. Vou participar também, mas sou café-com-leite. Vou logo avisando duas coisas: sou péssimo nisso e o mentor da ideia, citado acima, mandou todo mundo desistir logo, já que o time dele vai ganhar mesmo. #UrubuDoidãoFC chamando geral pra briga.
 
. RENATO. Nunca mais ouvi falar, mas o coração do Renato já está pronto pra outra? É bom que esteja... E os nossos também. Essas partidas restantes da fase de grupo prometem.
 
. mercioquerido@hotmail.com
 
. Twitter com Fla e outros assuntos: @sorinmercio

Autor: Vida de Torcedor

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19/03/2012 às 12h50m - Atualizado 20/03/2012 às 15h43m



Galera cuspindo marimbondo de fogo com a nossa derrota da última quarta na Libertadores.

A frustração de ver um empate em um jogo que parecia se encaminhar para uma goleada, mudou em menos de 15 minutos a opinião da galera que já estava pedindo pelo menos 70% do nosso elenco/comissão técnica para solucionar a crise interminável de futebol que se instalou sorrateira na Seleção Brasileira.

Os gols relâmpagos dos paraguaios fizeram vir à tona aquele sentimento odioso que muitos rubro-negros amam sentir/disseminar, de que as coisas não estão se encaminhando bem, que o fim do mundo está próximo, que o juízo final é logo ali, blá, blá, blá...

Na verdade fizemos boa partida antes do blackout. Saímos com um empate. Da mesma forma que fizemos um bom jogo contra o Vasco na partida semifinal da Taça Guanabara e fomos eliminados. E pra seguir o raciocínio... E admitir nossas fraquezas/sorte, exatamente do jeitinho quer aconteceu no Fla-Flu, jogo em que saímos vitoriosos porque nosso goleiro, Paulo Victor, saiu com as mãos inchadas de tanto espantar pra longe a saraivada de petardos tricolores que ameaçaram nossa meta naquela partida. Não fosse isso, teríamos perdido aquele jogo... Mas disso aí ninguém se lembra.

E não é assim que o troço funciona mesmo?  E não é assim o nosso jeito de ser Flamengo, admitamos todos ou só os mais maduros? Não fizemos exatamente assim há não muito tempo atrás em partida no Maracanã contra o Goiás? E no ano do HEXA? Início arrasador no começo da partida, eu ali na Ilha do Retiro com meus inseparáveis companheiros de FlaTour. Debochávamos quase aos prantos de tanta alegria, da cara dos Pernambucanos de Nárnia que, em um universo paralelo criado por eles, ganharam o Brasileiro de 1987. Quando contrariados, usam como argumento e advogado de defesa a opinião do Ricardo Teixeira (??!!)... “A CBF bem disse que nós somos campeões”... Fala sério!!!

Enfim, no jogo citado, o Flamengo sofreu o empate em minutos e eu pensei: “Poxa, rolou um certo desleixo da equipe”; mais alguns minutinhos e já estávamos sofrendo uma goleada, para que então eu pudesse mudar meu pensar para: “Êpa... agora eu estou começando a achar interessante, não é qualquer time que consegue sofrer tantos gols em tão poucos minutos”. E, olhando para meus companheiros, suspirei e sorri dá nossa desgraça de então. “Ser Flamengo é a melhor coisa que pode acontecer na vida de alguém, mas tem que saber que coisas assim estão incluídas no pacote de forma irrevogável”, pensava enquanto ia ouvindo um estádio inteiro concluir que, se estavam ganhando em uma virada tão bonita em 2009, a lógica só podia indicar uma coisa... “O Sport era campeão de 87”.

Voltando ao mundo real de 2012 e à Libertadores, continuamos líderes do grupo, apesar da nossa “derrota”. Fator complicador, os próximos dois jogos são fora de casa e precisaremos ganhar pontos para compensar os dois que deixamos escorrer por entre nossas chuteiras na fatídica noite do Engenhão. Fator positivo: se queremos ganhar a Libertadores, com todo respeito, não podemos considerar uma tarefa intransponível arrumar um punhado de pontos lá no Equador e no Paraguai, mesmo sabendo, e é bom ter isso sempre em mente daqui em diante, que esse povo vai ficar correndo até acabar o jogo mesmo se a desvantagem no placar beirar a meia dúzia de gols.

Fator irrevogável: Aqui é Flamengo. Na boa, se a gente passa da fase de grupos sem o menor susto, sem dramas, sem colapsos nervosos precisando correr atrás dos resultados, aí não era Flamengo.

Precisamos nos conhecer melhor. O caminho mais fácil para uma eliminação precoce seria ganhar todos os seis jogos da primeira fase e somar 18 pontos. A nossa já tradicional e compreensível soberba ia alcançar patamares inimagináveis nas oitavas-de-final... E aí a gente sabe muito bem o que ia acontecer... Ou não sabe?

Agora... Sem essa de se excluir da turma da soberba. Combinado? Uma boa parte dos torcedores precisa parar urgente, ou de agir da maneira que vou citar no próximo parágrafo, ou pelo menos parar de falar comigo.

Pô... Têm uns caras que chegam pra mim após as vitórias e falam: “Estamos muito bem. Seremos campeões facilmente dessa maneira”. Aí é só a maionese desandar, que nem aconteceu no jogo contra o Olímpia, pra mesma criatura mudar o seu ponto de vista e detonar: “Esse SEU time, hein? Esses caras não vão ganhar nada. Você ainda vai ao próximo jogo? Você é muito corajoso”.

Isso aí acima não é comportamento de garoto de 5 anos de idade? Ou sou eu que estou errado?

Repetindo... Parece que vou ter que proferir isso até o fim dos meus dias: “Quer ver sempre Final Feliz? Vai assistir novela.” Não é mesmo meu nobre @_Rlima ?

CURTAS

. DISTRAÇÃO. O locutor do Engenhão, no nosso último jogo pela Libertadores... Isso... Aquele mesmo contra o Olímpia, aprendam a conviver bem com isso. Enfim, o cara falou errado e ainda repetiu que o público pagante era de (vai qualquer número, não lembro e estou com preguiça de pesquisar) 27.340 reais.
 
. VIA CRÚCIS. Nos próximos finais de semana enfrentarei, junto com meus amiguinhos, a Via Crucis final do período de jogos chatos do Estadual. Três finais de semana seguidos tendo que ir parar em Macaé e Volta Redonda. Um dos jogos às 18h30min de sábado. Tudo bem, o Brasileirão vem aí. É preciso passar pelo purgatório para chegar ao paraíso.

. PROMOÇÂO. Quem ganhou o último Manto Sagrado que rolou foi o pessoal lá do ótimo FlaManolos. Por coincidência, o cara faturou a camisa e foi a primeira vez que acertei o Bolão que acontece em TODOS os jogos, brincadeirinha feita lá pelo site deles. Parece até que foi combinado.

. DENÍLSON. Fim de um jogo qualquer na Engenhoca. O placar transmitindo imagens do Cafu falando algo sobre menores e bebidas, não sei se a favor ou contra a combinação. O sistema de som é tão alto que tendo a ignorar as mensagens. O rapaz descendo a arquibancada manda um igualmente sonoro: “Cala a boca, Denílson”. Todos em volta rindo e o pobre do rapaz com cara de... “Ué? Isso não é tão engraçado assim”.

. mercioquerido@hotmail.com

. twitter com Fla, outros assuntos, e quartel-general das promoções que estão distribuindo Manto Sagrado pra todo mundo: @sorinmercio

Autor: Vida de Torcedor

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12/03/2012 às 12h27m



Um espaço de sete dias com dois jogos da Libertadores e um Fla-Flu no domingo.

A frase acima se assemelha a um oásis em meio a tantos jogos contra os ditos pequenos do Modorrento Estadual... Não estou exatamente desmerecendo o nosso Cariocão, não há Estadual descente na continental porção de terra que se estende entre Oiapoque e o Chuí.

Tudo bem que fizemos nossa parte em prol da emoção e recheamos as duas primeiras rodadas da Taça Rio de adrenalina. No primeiro confronto, que tinha tudo pra ser o Império de Morfeu, já que foi disputado 10 da noite em Macaé, atletas em desespero berravam e se espancavam em campo, fazendo parecer a coisa toda uma final de Libertadores entre Boca Juniors e River Plate, a Terceira Guerra Mundial.

Na segunda rodada um gol marcado quase ao apagar das luzes nos deu a vitória sobre a equipe de Duque de Caxias e mais um jorro forte de adrenalina que, ao que parece, não fez lá muito bem ao nosso Urubu Guerreiro que teve alguns probleminhas cardíacos detectados. Não há de ser nada. Já, já estará de volta com seus chutes canhonescos que, a bem da verdade, deveriam ser mais bem explorados durante as partidas.

Mesmo com toda a porção extra de emoção das duas primeiras rodadas, não há como não terminar dando aquele bocejo gostoso e lembrar: “Ah... mas é só o começo do segundo turno do Cariocão...”.

Aí veio o jogo contra o Emelec. Tudo bem que não é exatamente uma potência inquestionável do futebol latino americano. Tudo bem que o jogo não foi nem de perto tão cheio dos elementos emotivos que banharam as partidas contra Boavista e Duque de Caxias... Mas foi o caso de roer unha e pensar: “Porque essa bola não entra logo? Isso aqui é Libertadores. Melhor não arriscar e espantar a zebra antes dos 15 do primeiro tempo”.

Então aconteceu o lógico. Se demos ares de Libertadores para a Taça Rio, a recíproca também foi verdadeira. Foi um jogo até certo ponto morno e, apesar de não termos realizado uma partida lá das melhores, nosso goleiro reserva, Paulo Victor, teve quase a mesma quantidade de trabalho que teria se o Felipe estivesse em campo e ele no banco.

Tudo bem que teve rubro-negro cuspindo marimbondo por que não impomos nossa clara superioridade e não enfiamos uma goleada nos equatorianos, mas de qualquer forma, em 2011 chegamos a ficar 100 dias sem uma única derrota e os reclamões sempre estiveram a postos, exercendo sua função mor de cornetar toda e qualquer situação e resultado.

O que aconteceu é que banhamos a Liberta com o molho sem gosto do Estadual. Enfrentamos o Emelec como quem está jogando contra qualquer um dos times de aluguel do Cariocão, cujos nomes não cito aqui porque o mundo do futebol anda muito chato e tudo é motivo para reclamações quanto ao desrespeito e coisa e tal. Compreensível. O Emelec não estaria destoando muito de alguns outros clubes que disputam o Carioca.

Nem adianta dizer que nosso time não é competitivo, ladainha mais adorada pelos críticos de plantão. Temos ótimos goleiros e laterais, o melhor zagueiro da América do Sul está na Gávea, o Love tem se mostrado um atacante operário, daqueles que batem ponto nas redes todo santo jogo. Além disso, temos uma molecada de valor inquestionável pronta para brilhar na temporada. Por mais que seja questionado, nosso 10 é Ronaldinho Gaúcho, capaz de definir um jogo em um piscar de olhos.

Tenho sido chato nesse ponto. Passo o jogo todo pensando e repetindo: “Que outro 10, exceto o Pet, nos últimos anos faria um lançamento desse, um passe preciso assim, uma inversão dessa, um drible desconcertante assim?” Não encontro respostas e fico que nem um maluco nas arquibancadas. O passe/lançamento/inversão/drible acontece e eu fico ali, olhando para as pessoas a meu redor como se quisesse perguntar: “Vocês viram isso? Vocês acham isso aí normal? No dia que ele sair vai ser fácil encontra alguém com essa qualidade para usar a 10?”.

Prossigamos na luta. Em breve a fase de grupos  da Libertadores acaba e a Taça Rio chega ao seu fim. Entram no lugar o mata-mata continental e as duras partidas do Brasileirão, melhor campeonato do mundo. Aí sim o molho insosso com que nosso futebol é banhado nos Estaduais poderá ser retirado e, em seu lugar, a forte adrenalina de duas grandes competições. Local propício para que o bom futebol finalmente floresça.
 
CURTAS

. NASCIMENTO. Aconteceu. Sai a tabela do Brasileirão 2012. Molezinha extra para a galera das viagens. Jogo fora do Rio no meio da semana só em São Paulo. Escala mais confortável dos últimos anos.

. HELLCIFE. Primeira partida na Ilha do Retiro, contra a sempre hostil torcida do Sport, que cisma em dizer que ganhou o Brasileirão de 1987. Por mim a gente pegava umas duas ou três taças daquele monte que temos, embalava e mandava pros caras, dizendo, por exemplo: “Parabéns. Agora vocês também são campeões da Taça Guanabara de tal ano, do Brasileiro de tal ano e mais esse outro troféu aí. Já que é pra sonhar...”

. CONHECIMENTO DO FUTEBOL. Jogo desses no Engenhão. Em seu término aparece o Cafu no telão fazendo um blá-blá-blá sobre álcool e menores de idade. O rapaz se encaminhando para a saída grita a plenos pulmões: “Cala a boca Denílson!”. A enciclopédia do futebol estava entre nós.

.PROMOÇÃO. Se você está lendo isso aqui antes do jogo contra o Fluminense ainda dá tempo. “EM QUE MINUTO E TEMPO DE JOGO SAI O NOSSO ÚLTIMO GOL NO FLA-FLU?” Quem chegar mais perto leva um Manto Sagrado saído diretamente da Gávea. Respostas lá no twitter para @sorinmercio e OBRIGATORIAMENTE com a tag #BlogVidaDeTorcedor. Para não ter mimimi: Fica valendo o tempo que aparecer nos scouts da partida no “O Globo” de segunda. Caso aconteça de duas pessoas empatarem, rola um sorteio patético no fundo do meu quintal.

. FLAMOCHILA. Conheci e troque de companheiros nas arquibancadas muitas vezes nos meus 40 anos. Essa molecada que anda com o tio agora parece que veio pra ficar. Um montão de mensagens no meu celular assim que saiu a tabela do Brasileirão. Todo mundo querendo estar presente nos 38 jogos. Orgulho de ser amigo desses malucos... É sempre bom descobrir que você não é o único lunático de plantão.

. mercioquerido@hotmail.com

. Twitter com Fla e outros assuntos, e quartel-general das promoções que vão distribuir Manto Sagrado durante todo o ano: @sorinmercio



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06/03/2012 às 11h55m



























Autor: Vida de Torcedor

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03/03/2012 às 19h04m



Não gosto de parecer esnobe com a molecada.

Na verdade não gosto de ganhar ares de esnobismo nunca e com ninguém. Porém, todos nós sabemos que é muito complicado não ter certo ar de superioridade quando você é Flamengo.

Nesse sábado, aniversário do jogador-ídolo mor na história do nosso clube, não tenho como não lembrar de um fato na minha vida que é de todo importante na minha formação/história de rubro-negro.

Com o perdão da molecada que lê esses troços por aqui, mas vocês têm que lidar com isso e eu nunca vou cansar de lembrar:

EU TINHA 10 ANOS EM 81.

Ter 10 anos em 81 é mais ou menos como se você vivesse em um universo mágico. É o mais perto que alguém pode chegar de ter algum aspecto da sua infância muito parecido com a história de Harry Potter.

Na saga de Potter aqueles que não são bruxos são conhecidos como trouxas. Sofrem certo bullying velado por parte dos magos. Tem muita gente que vivenciou de perto aquele time avassalador do início dos anos 80, que comenta com quem não viveu aquilo como se isso o tornasse um rubro-negro diferenciado.

Se por um lado, não há mesmo como negar, era tudo diferente mesmo, erram os que ficam querendo comparar épocas e ficam andando pelos cantos se lamuriando como fantasmas errantes e gemendo aquela conhecida e repugnante ladainha: “Bom mesmo era no meu tempo, hoje perdeu um pouco a graça, blá, blá, blá...”

Bom mesmo, independente de qualquer época, é ser Flamengo.
Agora... Se nós rubro-negros já somos metidos a besta hoje
 em dia, imaginem naquele tempo.

Quando rumava para o Maracanã de bandeira em punho e mãos dadas com meu pai, na inocência dos meus 10 aninhos, olhava de forma estranha e curiosa para torcedores de outros times que cruzavam nosso caminho. Eu observava e pensava sem a intenção de humilhar... O que geralmente acaba humilhando mais: “por que será que as pessoas torcem por outros times? Não é tão óbvio que o Flamengo é melhor e que, no final das contas, vai acabar vencendo mesmo?”.

E lá dentro a nossa superioridade dentro e fora do campo era de dar pena quando, por acaso, lembrava que algum amiguinho da rua ou da escola estava do outro lado da arquibancada, igualmente levado por seu pai, só que para o lado errado do estádio. Para um lado frio, aterrorizado com nossa superioridade e, não há motivos para não dizer, um lado na maioria das vezes em preto e branco.

Nas arquibancadas, carnaval eterno. Em campo, magia. Gols inesquecíveis. Passes milimétricos e que desafiavam a física. Vitórias inquestionáveis de um time que tinha plena consciência de sua capacidade. Tudo isso liderado pelo bruxo maior e mais poderoso, Zico, o aniversariante desse sábado.

É por isso que, mesmo que eu tenha uma discordância crônica e irrevogável sobre muitas coisas que o nosso galinho diz/faz depois que parou de nos encantar com seu talento nos gramados, não tem como não desejar Feliz Aniversário. Mais que isso, não tem como não agradecer:

Muito obrigado pela infância mais cheia de magia que alguém pode ter. Muito obrigado a você e a todos os outros magos que envergavam o Manto Sagrado naqueles anos rubro-negros. Foi inesquecível.

Pela minha infância perfeita e de tantos outros rubro-negros, parabéns Galinho.
 
CURTAS

. PURGATÓRIO. E lá vamos nós outra vez para Macaé. Precisamos ser fortes nesse momento. Para se chegar ao céu chamado Brasileirão é preciso, mesmo que não houvesse tanta necessidade assim desse campeonato existir, passar pelo Estadual.

. BLOGUEIRO BURRO. Que diabos foi aquilo no meu último texto, dizendo que estava ansioso pela tabela do Brasileirão 2013?  Queria dizer 2012.

. PROMOÇÃO. Segue a brincadeirinha que vai presentear o vencedor com um Manto Sagrado. Em que minuto e em que tempo de jogo marcaremos NOSSO ÚLTIMO gol no Fla-Flu do próximo dia 11? Respostas lá no twitter para @sorinmercio, obrigatoriamente com a tag #BlogVidaDeTorcedor. Respostas podem ser enviadas até o apito inicial do próprio jogo. Claro que havendo empate, rola um sorteio no fundo do quintal que, de tão tosco, nem foi exibido por aqui da última vez que foi feito.

.ODEIO-TE. Se alguém quiser palpitar que não faremos gols, tá valendo também, mas desconfio das verdadeiras intenções da pessoa que fizer tal atrocidade.

. mercioquerido@hotmail.com

. Twitter @sorinmercio

Autor: Vida de Torcedor

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01/03/2012 às 22h40m



Quando fiquei sabendo que o “bonde” que iria partir para a distante Macaé teria o comando sempre seguro e cronologicamente instável dele fiquei com um duplo sentimento.

O Senhor do Tempo, aquele que quebra meu galho e relata as aventuras internacionais dessa primeira fase da Libertadores de forma brilhante por aqui, proferiu em seu habitual tom blasé e preocupante ao telefone: “Fala, Sorin. Tranqüilo? Estou marcando com o Paulinho por volta das seis e meia lá em frente à quadra da Unidos da Tijuca... O que? Não. Sem problemas. Claro que dá tempo...”.

“Chego antes do intervalo?”. Pensei com meus botões. Por outro lado, fui logo fazendo uma premonição molezinha, devido às circunstâncias: “esse troço hoje há de ser muuuiiitoooo divertido”.

Para a galera que não mora por aqui pela Cidade Maravilhosa, meus amados e sempre representativos da Nação, os “off Rio”, cabe a explicação: Macaé dista, em situações normais, 3 horas aqui da capital. A quadra da Campeã do Carnaval Carioca fica exatamente na subida da Ponte Rio- Niterói que, nessas horas de rush, tem sua velocidade média de fluxo automobilístico ali pela casa do 0 km/h, se tanto. Com o jogo marcado para 10 da noite... Provável caos.

Provável, é bom dizer. Havia um fator com o qual não contávamos. Eis que Van Diesel estava entre nós. Paulo, um nome fictício ou não, ao entrarmos no carro já estava com uma barulheira hard core monstra no som do carro e aquele mesmo olhar compenetrado que tinha Aírton Senna antes de cada corrida. Passou confiança em uma primeira impressão. Deu show daí em diante.

Perícia ao volante, teu nome é Paulo... Ou não é, sei lá, pronto. De agora em diante, em uma justa homenagem, o nome do piloto passa a ser Perícia.

 Ao som da Melhor Banda do Planeta, Matanza, cujo vice-líder é, quero dizer, cujo líder é bacalhau, mas isso não vem ao caso, os quilômetros entre a Cidade Maravilhosa e Macaé foram engolidos com uma velocidade espantosa.

Para humilhar de vez e provar quem é que manda mesmo nesse negócio de relógio, o Senhor do Tempo resolveu fazer uma firula. “Bem... devemos chegar lá em aproximadamente uma hora e sete minutos... Dá uma parada pra lanchar que, como vocês todos podem imaginar... dá tempo”.

Não é bom desobedecer o cara nessas horas. A noite foi um imenso festival de desafios. Um a mais um a menos não tinha o menor problema. Vejamos.

. Ir ver jogo do modorrento estadual dez da noite, no meio da semana, em Macaé.

. Sair do Rio com apenas meia hora de “folga” no relógio e na hora do rush.

. Ainda assim, parar para fazer lanchinho.

A blusa do meu filho resumia a situação. Estampando um famoso personagem do universo virtual, a tal camisa dizia em letras vermelhas e desafiadoras: “CHALLENGE ACCEPTED”.  Dito e feito.

Desnecessário dizer que chegamos a tempo. Entramos no estádio antes da nossa equipe entrar em campo. Como cereja do bolo, Perícia “driblou” com o carro um monte de flanelinhas locais que tentavam alcançar o carro em vão, lembrando uma horda de zumbis esfomeados. O ápice da esculhambação?  Estacionamos bem perto da entrada do estádio e... DE GRAÇA... Sem flanelinhas. Só o Perícia mesmo.

Após suspirar fundo, mal sabíamos que um dos maiores desafios da noite ainda estava por vir. Não conseguimos (??!!) os três pontos contra o Boavista. Até aí tudo bem, ou quase bem. Mas... O que foi aquilo no final do jogo? Uma confusão generalizada em campo que fazia parecer uma Final de Libertadores. Brigas, empurrões, impropérios, expulsões, revolta... Na minha humilde opinião: Era só a rodada de abertura da taça Rio. Não era pra tanto.

Como não sou um #FlaChato e esse troço de derrota não abala em nada o meu humor, confesso que ri muito de tudo aquilo. Não conseguia acreditar no que estava vendo. O Armageddon em campo... e era só a primeira rodada da Taça Rio.

Voltamos tão rápido quanto fomos. Mas tem coisas que estão muito além dos poderes do Senhor do Tempo e das técnicas ninja do nosso querido Perícia. Da vida real não dá pra fugir. Deitei quase três e meia da matina... Levantei cinco pra trabalhar. Sorinzinho também não teve vida fácil. Na horizontal nas mesmas três e meia... de pé seis para fazer prova de inglês. Perícia e Senhor do Tempo igualmente devem ter passado o dia de trabalho funcionando no Modo Zumbi.

Esse é o nosso clube. Pode marcar essa bagaça desse jogo pra meia-noite. A Fla Mochila vai estar lá. Aqui é Flamengo.

CURTAS

. CHEGA DE MAU-HUMOR. Quero um feedback da galera que sempre fala comigo por e-mail ou twitter. Acho que esse troço aqui andava muito pra baixo por conta da minha irritação com os #FlaFakes e #FlaChatos, acabei ficando contaminado. Só falava neles. Não é melhor fazer um pouco de boa e leve literatura (seguindo o exemplo do Senhor do Tempo) e ignorar os reclamões de plantão? Ou não? Aguardo um retorno.

.BRASILEIRÃO 2013. Nervos em polvorosa e mão já ansiosa sobre o mouse. A tabela do Brasileirão 2013 deve estar prestes a sair do forno. Mal vemos a hora de comprar nossas passagens.

. PROMOÇÕES. Vamos de Manto Sagrado? Em que minuto e de que tempo do jogo sai o NOSSO ÚLTIMO gol no jogo contra o Fluminense do próximo dia 11? Vale palpitar que não faremos gol também, mas se você fizer isso, torço contra e te odeio pra todo o sempre. Combinado? Respostas podem ser enviadas lá no twitter para @sorinmercio, OBRIGATORIAMENTE com a tag #BlogVidaDeTorcedor. Pra não ter briga: Vale o tempo que aparecer no “O Globo” de papel na segunda-feira dia 12. Vai lá, Mané.

. HARRY POTTER. Muita gente perguntou pra quem eu torci na final da Taça GB. A resposta certa é... Harry Potter, já que era o livro que eu lia no momento do jogo. Assistir Vasco e Fluminense em um dos meus raros domingos de folga no ano? Eu hein?

. mercioquerido@hotmail.com

. Twitter com Fla, outros assuntos... e tem um manto lá te esperando: @sorinmercio



Autor: Vida de Torcedor

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Perfil

O blog vida de torcedor tem o objetivo de contar as aventuras e desventuras vividas pelos torcedores que gostam de estar nos estádios quando o Flamengo entra em campo.
Seja o jogo realizado no Maracanã ou muito longe, tem uma turma que não mede esforços para estar por lá.
Mercio Querido é um desses. Muitos dizem que seu maior mérito foi ter estado em todos os 38 jogos da campanha do hexa em 2009. Já o próprio, se orgulha muito mais das vezes que esteve lado a lado com o time em momentos mais, digamos, adversos da nossa história.
Com 39 anos de idade, a disposição para enfrentar os perrengues decorrentes desse hábito continua a mesma há anos. Noites mal dormidas, muitas vezes no chão do aeroporto, malabarismos financeiros para ajustar as despesas dentro do orçamento (na maior parte das vezes até fora dele), chuvas torrenciais, sol inclemente, risco de vida, enfim, um estilo de vida.
Sorin, como é mais conhecido nas arquibancadas de norte a sul do país, divide aqui essas experiências. Quase sempre acompanhado de seu filho de 14 anos, Marcos Felippe, o Sorinzinho, e de mais um bando de malucos espalhados pelo país, essa turma mostra que fanatismo de verdade é praticado de forma civilizada e consciente.