
Entre tantas funções de uma Embaixada, uma delas é a preservação da memória do Clube, encontrando e resgatando, nos seus locais de atuação, relíquias do Clube, além de histórias de atletas que fizeram parte da história do Flamengo.
A FLAVALENÇA, Embaixada da Nação no Baixo Sul da Bahia, encontrou recentemente com um desses heróis que construíram, nos últimos 114 anos, a tradição e a mística rubronegra.
Antônio Coutinho Neves, mais conhecido como Coutinho, se destacou no mundo dos esportes no início da década de 50. Nascido no Distrito de Cajaíba, Valença – Ba, Coutinho - que está prestes a completar 80 anos - ainda mantém um físico e lucidez invejáveis.
Após chegar ao Rio de Janeiro em 1949 para ingressar na Marinha do Brasil, começou a se destacar no esporte, chegando a ser tri-campeão Carioca (1951, 1952 e 1953) de Melhor Físico, representando o Flamengo, clube que despontou na época como revelador de talentos. Em 1954, Coutinho ganhava o título de Campeão Interestadual de Melhor Físico Rio – São Paulo, antes, porém, no ano de 1951, em um feito inédito, ficou em 4º lugar de Melhor Físico do Mundo, competição disputada por atletas de 25 países em Marselha na França.
LUTA LIVRE
Apaixonado pelo esporte, e contando com apoio decisivo da Marinha do Brasil e do Clube de Regatas Flamengo, Coutinho se dedicou a outras modalidades, se destacando na Luta Livre. Ele foi campeão Carioca e Brasileiro em 1954, disputando competições pela Marinha e Grupo de Fuzileiros Navais. Revistas da época, como "O Cruzeiro" e "Manchete" davam destaque às lutas de "Vale Tudo", sempre tendo Coutinho como um dos principais participantes.
Em 1966, Coutinho retornou para a Bahia e foi morar em Salvador onde continuou a participar de competições, desta vez, mais centrado na "Luta Livre". O seu nome era destaque em todas as resenhas esportivas da época, tendo participado de várias competições, inclusive com apresentações na Fonte Nova, sempre com a presença de grandes públicos. "Naquela época, o esporte era amador e a gente não ganhava dinheiro com as apresentações", disse Coutinho.
FLAMENGO
O amor pelo Flamengo é de longos anos, como mostra a data de 15 de maio de 1952 da sua carteira de Athleta, com "th" mesmo, sob o nº 2018. Foi destaque defendendo as cores do clube carioca, onde destacam-se os títulos de campeão Carioca e Brasileiro de 54 (os treinos se dividiam entre a Vila Militar e o Morro da Viúva).
Coutinho revela um brilho no olhar quando fala do Flamengo. Ele relembra com carinho do retorno de uma excursão à Europa, da equipe de futebol. "Fiquei responsável por uma grande bandeira, que tremulava em uma viatura da polícia, ao lado dos jogadores. Recordo-me quando passamos pelo Largo da Carioca e algumas crianças tentavam tocar na bandeira. Aquele momento ficou marcado".
Em outro trecho da conversa, Coutinho afirma ter deixado na Gávea uma relíquia ,um exemplar do Álbum Rubro-Negro, onde tem essa foto tremulando a bandeira, com a promessa de que fará parte do museu. Torce para que no projeto deste museu tenha um espaço para a sua época.
A FLAVALENÇA entregou a este ídolo do passado, um kit da Embaixada, composto de uma camisa e um boné, como lembrança e também agradecimento pela grande dedicação de amor pelo nosso clube durante todos esses anos. Coutinho criou uma academia em sua residência, onde cada detalhe tem um objeto ou as cores do Flamengo (equipamentos de musculação, relógio, "prancha de surf" do Flamengo, bonecos e até mesmo a sua própria sandália).
Atualmente, Coutinho reside em Valença, mais precisamente na Rua Avelino Muniz, no Loteamento Bahia II, no bairro da Bolívia, onde ele possui ali uma bela academia de musculação. O local serve também para cursos de defesa pessoal. Para a musculação, Coutinho cobra um valor simbólico pela mensalidade. "A gente mantém a academia, por uma questão de prazer, mas, também, entendendo que estamos em um bairro onde os jovens têm poucas oportunidades. Por isso, oferecemos o nosso conhecimento no esporte para que eles também possam participar de atividades físicas", finalizou Coutinho.
Colaboraram nesta reportagem: Magno Jouber,Gedel Lobão e Wendel Lobão