• 2006 a 2015: títulos, ídolos e reestruturação

      Flamengo teve conquistas que antecederam mudança no clube

      Os dez anos entre 2006 e 2016 começaram com um importante título nacional para o futebol rubro-negro. A base do ano anterior foi mantida, mas nomes que entrariam para a história do Flamengo chegaram naquele ano. Juan, Ronaldo Angelim e Toró estavam entre os reforços no começo do ano. Uma grande leva de jogadores da base também ganhou espaço, incluindo Renato Augusto, Egídio, Marcelo Lomba e Vinícius Pacheco. No primeiro semestre, chegou ao time também o pentacampeão mundial Luizão.

      A participação no campeonato carioca foi morna. Na Taça Guanbara, boa parte dos jogos foi disputado com um time de juniores, enquanto os titulares viviam pré-temporada estendida. O time foi eliminado na semifinal. Na Taça Rio, Luizão estreou marcando gols em seus primeiros jogos, causando empolgação na torcida. A reta final do segundo turno do estadual acabou sem nenhum dos quatro gigantes regionais na semifinal.

      A grande glória do ano foi a Copa do Brasil. Depois de estrear e passar por momentos de tensão contra o ASA-AL na primeira fase, o Flamengo venceu o ABC-RN com tranquilidade. O rubro-negro contratou, na ocasião, um grande número de jogadores do Ipatinga-MG, time que era a sensação da competição. Nas oitavas de final, o Flamengo goleou o Guarani. O técnico Waldemar Lemos teve grande participação, arrumando o time. Luizão, Léo Moura, Renato Abreu, Obina e Juan fizeram os gols da goleada por 5 a 1 no Maracanã. A derrota por 1 a 0 no jogo de volta deixou o Flamengo nas quartas de final.

      O grande Atlético-MG foi o adversário. A força do adversário não impediu mais uma goleada. No Maracanã, 4 a 1 para o Flamengo, com show de Renato Abreu, Obina e Jônatas. No Mineirão, ninguém marcou. Flamengo na semifinal.

      E o adversário foi justamente o Ipatinga, a surpresa do campeonato. Foram dois jogos difíceis. O Flamengo liderou por 1 a 0 no jogo de ida até o fim, mas no último lance o time mineiro empatou. No jogo de volta, foi obrigado a virar o placar. 2 a 1 no Maracanã. Antes do fim do outro jogo da semifinal, uma certeza: com Fluminense e Vasco disputando a outra vaga, a final teria um clássico carioca.

      Se a campanha na Copa do Brasil era ótima, no Brasileirão não era assim. O contraste de resultados acabou por custar o cargo a Waldemar Lemos. Para seu lugar, mais um contratado do Ipatinga: o treinador Ney Franco. O time consegue viradas difíceis no Brasileiro e estabiliza sua situação. O uruguaio Horacio Peralta conquistou espaço e teve boas atuações.

      Na pausa para a Copa do Mundo, o clube repatriou o craque Sávio e disputou amistosos nas regiões norte e nordeste do Brasil.

      Um Maracanã em obras para os Jogos Panamericanos recebeu a decisão da Copa do Brasil. Um clássico de ânimos acirrados. E vencido pelo Flamengo. No primeiro jogo, Luizão e Obina encaminharam o título. Na volta, Juan acertou chute forte e fez o único gol. O placar agregado de 3 a 0 garantiu ao Flamengo a conquista de seu segundo troféu da competição.

      A participação no Brasileiro foi repleta de altos e baixos. No meio do campeonato, aconteceram as estreias de Sávio e do goleiro Bruno, contratado no meio do ano. O clube teve boas goleadas, como o 4 a 1 sobre o Fluminense e o 3 a 0 sobre o Corinthians, mas acabou terminando o certame na metade da tabela. O time teve ainda uma participação no amistoso de aniversário de 90 anos do América-MEX, em Los Angeles-EUA.

      O time de juniores conseguiu o bicampeonato estadual e venceu também o Torneio OPG, um dos mais importantes da categoria. O basquete do Flamengo venceu os 20 jogos do estadual e conquistou também o bicampeonato.

      A equipe de nado sincronizado foi bicampeã brasileira geral absoluto. Também chegaram títulos no vôlei, no pólo e no judô. A ginástica olímpica seguiu como a mais importante do país, representada por Diego e Daniele Hypolito e a ascensão de Jade Barbosa.


      2007: raça, amor e paixão
      De volta à Libertadores, o Flamengo começou 2007 com uma grande quantidade de contratações. Chegaram Roni, Irineu, Claiton e o artilheiro do Brasileirão 2006, Souza. Renato Augusto ganhava cada vez mais espaço. 

      O Rubro-Negro fez boa aparição na Taça Guanabara, jogando um belo clássico contra o Botafogo. Chegando na semifinal, despachou o Vasco em jogo decidido apenas nos pênaltis. O Mais Querido saiu atrás na final contra o Madureira, perdendo o primeiro jogo. Mas se recuperou com grandes atuações de Souza e Renato Augusto, levando o título com vitória por 4 a 1 no jogo de volta.

      Na sonhada Libertadores, o Flamengo estreou com um difícil jogo contra o Real Potosí-BOL. A mais de 4 mil metros de altitude, o Mais Querido arrancou empate heróico. Em um grupo que tinha ainda Maracaibo-VEN e Paraná, o Rubro-Negro passou de fase na primeira colocação.

      Enquanto isso, o Botafogo levou a Taça Rio, chegando à decisão do estadual. No primeiro jogo, o Alvinegro abriu 2 a 0, mas a garra rubro-negra se impôs e o Flamengo empatou. Pelas oitavas da Libertadores, o Flamengo acabou perdendo o primeiro jogo das oitacas para o Defensor-URU. Mas a derrota não abalou o time antes da decisão do estadual. 

      Foi mais um jogão. O placar de 2 a 2 se repetiu graças a golaços de Souza e Renato Augusto. Uma decisão nos pênaltis. Bruno fez defesas importantíssimas e o Flamengo não deu margem ao azar. Acertou todas as cobranças e botou mais um título carioca na conta.

      No jogo de volta pela Libertadores, o time jogou com muita garra, mas não reverteu o resultado e acabou eliminado.

      O Mais Querido começou o Brasileirão com problemas. Perdeu jogos teoricamente fáceis e integrou a zona de rebaixamento por muito tempo. Na tentativa de mudar o panorama, se juntaram ao elenco Cristian, Roger Flores, Ibson, Fábio Luciano e Maxi Biancucchi.

      Com o time em último na tabela, Ney Franco perdeu o emprego e deu lugar a Joel Santana. O novo técnico foi protagonista de uma arrancada fenomenal. Com grandes atuações e vitórias épicas, o Flamengo viu a Nação quebrar sucessivos recordes de público no Maracanã.

      Os novos jogadores se acostumaram a fazer gols importantes e colaboraram para atuações impressionantes do Flamengo. Os atletas que já estavam no time, como Renato Augusto, Bruno e Léo Moura, também subiram de produção.

      Um dos pontos altos da arrancada foi no jogo contra o São Paulo. O virtual campeão brasileiro foi recebido com um Maracanã lotado, que pulsava a cada segundo. O Flamengo, brigando contra o rebaixamento, venceu por 1 a 0, com gol de Ibson. O placar magro acabou não refletindo completamente a excelente atuação rubro-negra.

      Outro espetáculo da Nação foi no jogo contra o Grêmio. Mais de 70 mil pessoas lotaram o Maracanã e empurraram o time a uma vitória por 2 a 0, com gols de Souza e Ibson. A festa foi tão incrível que o clube aposentou a camisa 12, numa homenagem à torcida. Dias depois, a prefeitura do Rio de Janeiro instituiu a torcida do Flamengo como patrimônio público.

      O time, que chegou a brigar contra o Z4, acabou o campeonato na terceira colocação, conseguindo a classificação para a Libertadores do ano seguinte. Mesmo quando uma derrota para o Cruzeiro fez as chances diminuírem, a Nação empurrou o time a uma vitória incrível, por 1 a 0, contra o Santos. Um bordão se criou nas arquibancadas e se refletiu em campo: raça, amor e paixão.

      Os esportes olímpicos do Flamengo tiveram grande participação nos jogos panamericanos, relizados no Rio. Os atletas rubro-negros garantiram ao Brasil 10 medalhas no evento, sendo três de ouro, três de prata e uma de bronze. O destaque foi a ginástica, que tinha os irmãos Hypolito, a jovem Jade Barbosa e o habilidoso Victor Rosa. Chegaram medalhas também no remo e no nado sincronizado

      A base rubro-negra teve boa participação do Mundialito, na Malásia, quando ficou na terceira colocação ao enfrentar gigantes como Milan, Manchester United e Arsenal.

      Para mais uma disputa de Libertadores, o Flamengo trouxe, em 2008, nomes fortes do futebol brasileiro, visando a montar um elenco experiente. Chegaram Gavilán, Marcinho, Diego Tardelli e o pentacampeão Kléberson. Evitando saídas em relação ao elenco do time anterior, o Mais Querido tinha uma boa base.

      Na Taça Guanabara, conseguiu classificação de forma adiantada. A semifinal foi cenário de um jogão contra o Vasco, onde Bruno defendeu pênalti cobrado por Edmundo, que fazia sua reestreia com a camisa cruzmaltina. A final foi contra o Botafogo, em um confronto que se tornaria lugar comum nas decisões estaduais. Foi um jogo muito forte e elétrico. O Alvinegro saiu na frente, mas Ibson empatou de pênalti. Após expulsões de ambos os lados, o jogo só foi definido aos 47 minutos. Diego Tardelli bateu de fora da área, a bola fez uma curva incrível e morreu na rede.

      Iniciou a participação na Libertadores em grupo que tinha duas equipes peruanas (Cienciano e Coronel Bolognesi) e o Nacional-URU. Sem perder em casa e conseguindo pontos fora contra as equipes peruanas, o Flamengo se classificou na primeira colocação do grupo. O clube jogou a Taça Rio usando reservas em boa parte dos jogos, sendo eliminado na semifinal.

      Mais uma vez, as finais do estadual e os jogos das oitavas da competição continental se alternariam nas mesmas semanas. A decisão do Carioca mais uma vez ficou entre Flamengo e Botafogo. O Mais Querido saiu na frente, vencendo o primeiro jogo por 1 a 0 - gol de Obina. Depois da primeira vitória, foi ao México, onde venceu o América por 4 a 2 em pleno estádio Azteca.

      No jogo final do campeonato estadual, o Flamengo deu mais um show para sua torcida, que lotou o Maracanã. O Botafogo liderou o placar por boa parte do jogo, mas Obina e Tardelli trataram de virar o placar. 

      Depois do título, o Flamengo viveu um dos momentos mais tristes da sua história dentro de campo, ao ser eliminado da Libertadores pelo América-MEX.

      O Rubro-Negro jogou o campeonato brasileiro sob a batuta de um novo técnico. Joel Santana foi treinar a seleção sul-africana e Caio Júnior assumiu o time. O elenco brigou na parte de cima da tabela na maior parte da disputa, mas acabou amargando uma quinta colocação que o deixava fora da Libertadores do ano seguinte por muito pouco.

      Na metade do ano, o time perdeu Marcinho, Souza e Renato Augusto, que foram vendidos para o exterior. Para substituí-los, foram contratados Marcelinho Paraíba, Éverton, Josiel, Fierro e Vandinho.

      O basquete do Flamengo teve em 2008 um grande ano, trazendo grandes nomes como Marcelinho, Duda e Hélio. O time foi campeão carioca e vice sul-americano. Disputou também a última edição do campeonato brasileiro da CBB, vencendo o Brasília na decisão e levando o título.

      No ano, cinco atletas rubro-negros representaram o Brasil nas Olimpíadas de Pequim.


      2009: retornos e o hexa
      No começo do ano, poucos imaginariam o que dezembro nos reservava.

      Desta vez, o time perdeu alguns jogadores importantes, como Diego Tardelli. As saídas foram repostas com as contratações de Zé Roberto, Emerson e Willians. No campeonato carioca, o time começou a se encaixar, mas teve uma grande decepção. Na semifinal da Taça Guanabara, se viu superado pelo pequeno Resende, que fez a final contra o Botafogo.

      O time precisou correr atrás do prejuízo na Taça Rio. Perdendo apenas um jogo na fase de grupos, o Rubro-Negro apresentou campanha mais consistente e se classificou à final. O Botafogo tinha a chance de ser campeão carioca de forma adiantada e, ao chegar na decisão contra o Flamengo, uma oportunidade de se vingar pelos dois anos anteriores, quando foi vice para o Mais Querido.

      Com um único gol contra, o Fla venceu e forçou a realização de mais dois jogos. Na partida de ida, Juan abriu o placar, mas o Botafogo conseguiu a virada. Já no fim do segundo tempo, o recém-chegado Willians deixou tudo igual. O jogo de volta teve o placar repetido. O Flamengo abriu vantagem com dois gols de Kléberson na primeira etapa, mas o Botafogo teve reação rápida e quase virou. O 2 a 2 persistiu em mais um encontro entre os rivais e levou a decisão aos pênaltis.

      Mais uma vez, brilhou a estrela de Bruno. O Flamengo não desperdiçou suas cobranças e, assim, repetiu contra o Botafogo o que já tinha feito com o Vasco quase 10 anos antes, conquistando um tricampeonato sobre o rival.

      Paralelamente, o clube disputava a Copa do Brasil, onde conseguiu sonora goleada contra o Ivinhema e passou com tranquilidade por Remo e Fortaleza. O Mais Querido se viu eliminado pelo Internacional nas quartas de final graças a um gol marcado no fim do jogo.

      Poucos dias depois da decisão estadual e antes da estreia no campeonato brasileiro, o Flamengo anunciou uma contratação sem igual. Adriano, o Imperador, que saiu do Flamengo jovem e conquistou a Europa, estava de volta ao clube.

      O Brasileirão teve início - e não poderia ter sido mais melancólico. O Flamengo estreou perdendo para o Cruzeiro e empatando em casa com o Avaí. Enquanto Adriano ainda não podia estrear, o Rubro-Negro chegou à vitória na terceira rodada. E, na ronda seguinte, chegou a hora de ver o Imperador com o Manto novamente. E que estreia.

      Contra o Atlético-PR, o Maracanã ficou lotado. A Nação tirou a tarde para homenagear o craque que voltava a sua casa. E ele retribuiu o carinho. Com gol de Adriano, o Flamengo venceu por 2 a 1.

      O campeonato seguiu com dois banhos de água fria. O Flamengo foi goleado por Coritiba e Sport e, até o fim do primeiro turno, balançaria, alternando bons e maus momentos. Cuca perdeu o cargo e, enquanto interino, o ídolo Andrade protagonizou um dos grandes momentos da primeira parte do campeonato. O Flamengo quebrou tabu histórico e venceu o Santos na Vila Belmiro de virada. A emoção de Andrade, que havia perdido o grande amigo Zé Carlos, foi a emoção da Nação. O eterno camisa 6 acabou efetivado no cargo.

      Um fato que ajudou o time a se organizar, ainda no primeiro turno, foi o retorno de outro ídolo. Petkovic chegava à Gávea oito anos depois de seu milagre. Já com 37 anos, lidou com a desconfiança de muitos. Mas ganhou seu espaço e mudou o time do Flamengo.

      O time fez outras contratações que ajudaram a encaixar a forma de jogo - casos de Maldonado, Álvaro e David Braz.  

      No segundo turno, o Flamengo fez campanha quase perfeita, perdendo apenas dois jogos. O time chegou a sequências imbatíveis e subiu na tabela de forma meteórica. Na rodada final, entrou em jogo na liderança. O Grêmio era o adversário de um Maracanã hiperlotado. E abriu o placar. Mas as esperanças rubro-negras não se deixam abater jamais. O roteiro da virada foi espetacular. Os gols não saíram dos armadores nem dos atacantes do time. O zagueiro David Braz, que substituía o suspenso titular Álvaro, empatou. E o segundo gol foi marcado pela cabeça de Ronaldo Angelim, o mais humilde dos ídolos, o mais merecido dos vencedores. Flamengo hexacampeão após uma fila de 17 anos.

      O ano de 2010 começava com grandes perspectivas para o Flamengo. E ficaram ainda maiores com a contratação de Vagner Love. O atacante, rubro-negro assumido, formaria ao lado de Adriano a dupla que ficaria conhecida como "Império do Amor".

      No começo do ano, deu tudo certo. Gols não paravam de sair. Mas o Fla acabou eliminado no Carioca, vendo o Botafogo se vingar pelos anos anteriores e conquistar o título antecipado. Na tão esperada Libertadores, o time viveu momentos de tensão na fase de grupos, mas foi às oitavas. Ali, viveu os grandes momentos do ano.

      Contra um forte Corinthians, o Flamengo se superou. O jogo de ida aconteceu no Maracanã, à noite, após horas e horas de chuva intensa. Com o campo muito molhado, o Mais Querido venceu por 1 a 0, com gol de pênalti de Adriano. Na volta, o Pacaembu foi ambiente muito hostil. Mas o Rubro-Negro suportou a pressão. O Corinthians fez 2 a 0 ainda no primeiro tempo. O time soube manter a calma e, logo na volta do intervalo, Vagner Love balançou as redes. Foi o necessário para botar o Flamengo nas quartas de final. Porém, o time acabou eliminado na fase seguinte pela Universidad-CHI. Depois de perder o primeiro jogo no Maracanã, o elenco se superou em Santiago e por muito pouco não conseguiu a classificação heróica.

      No Brasileirão, o Mais Querido teve problemas no começo do ano. Ao fim do primeiro semestre, na pausa para a Copa do Mundo, o Flamengo perdeu seus ídolos Adriano e Vagner Love, que rumaram para a Europa. Para repor a ausência dos dois, contratou Deivid e Diogo, que se juntaram ao jovem Diego Maurício. Aconteceu ainda o retorno de Renato Abreu, de quem a Nação tinha memórias felizes.

      A natação rubro-negra, que vivia anos difíceis, teve a volta às vitórias com as contratações de dois grandes nomes do esporte. César Cielo e Nicholas Santos passaram a integrar a equipe do Flamengo. O Mais Querido foi campeão estadual de remo em cinco categorias de diferentes, incluindo masculino e feminino adulto.

      Depois de um 2010 de altos e baixos, 2011 começou com uma das maiores contratações da história do futebol brasileiro. Vencendo a concorrência, o Flamengo anunciou a contratação do megacraque Ronaldinho Gaúcho, que voltava ao Brasil depois de anos fazendo sucesso na Europa. Outros grandes nomes chegaram para incrementar o elenco - casos de Thiago Neves, Bottinelli, Júnior César e Felipe. Juntaram-se a eles talentos da base como Adryan e Thomás.

      O time começou o ano de forma avassaladora. No Campeonato Carioca, o Flamengo foi campeão da Taça Guanabara depois de não perder nenhum jogo na fase de grupos, vencer o Botafogo na semifinal e o Boavista na decisão. O cenário se repetiu na Taça Rio, quando foi campeão batendo Fluminense e Vasco na semifinal e final, respectivamente. O timaço rubro-negro levantou o título carioca invicto.

      A primeira derrota no ano viria só em maio, quando o Ceará quebrou a sequência de vitórias rubro-negra na Copa do Brasil. O Mais Querido foi eliminado pelo time nordestino. O time disputou ainda a Copa Sul-Americana, sendo novamente eliminado pelo algoz Universidad-CHI.

      No Brasileirão, o Flamengo brigou na parte de cima da tabela o tempo inteiro. Depois de ficar quinze rodadas invicto, o Rubro-Negro teve resultados ruins e alternou bons e maus momentos até o fim do ano, terminando na quinta colocação e garantindo participação na Libertadores de 2012.

      Em 2011, o Engenhão ficou lotado e fez belo mosaico para se despedir de um ídolo. No jogo contra o Corinthians, Petkovic se aposentou do futebol. 

      O grande espetáculo do ano aconteceu no dia 27 de julho, na Vila Belmiro. O Santos recebia o Flamengo. Naquela noite, o futebol agradeceu pela existência de tamanho clássico. Vestindo a 10 de Pelé, o jovem talento Neymar. Envergando a 10 de Zico, o megacampeão Ronaldinho. Os dois gênios do futebol tiveram uma noite inspirada. O Santos chegou a abrir 3 a 0 no placar, mas o Rubro-Negro chegou ao empate. Quando parecia que ia virar, o Peixe foi quem fez o quarto gol. A genialidade do craque Ronaldinho apareceu mais uma vez e, com dois gols do Gaúcho, o Flamengo virou. O gol derradeiro veio em uma cobrança de falta surpreendente, por baixo da barreira. O jogo é considerado por muitos como um dos melhores embates da história do campeonato brasileiro.

      O começo de 2012 prometia. Mais uma vez, Vagner Love chegava ao Flamengo para jogar uma Libertadores, desta vez ao lado de Ronaldinho. Outro Ronaldo, o Angelim, decidiu se aposentar três anos após seu maior momento de glória vestindo o Manto. Para seu lugar, chegou o zagueiro da seleção chilena Marcos González. Thiago Neves deixou o clube, rumando para o futebol árabe. O time teve a chegada do volante Cáceres, da seleção paraguaia. De times menores, chegaram o volante Amaral e o lateral Wellingston Silva.

      Dentro de campo, os resultados não foram como o esperado. O Flamengo fez campanha mediana no estadual, onde não chegou à final depois de ser eliminado pelo Vasco nas semifinais dos dois turnos. Na Libertadores, perdeu pontos bobos em casa e acabou eliminado de forma dramática ainda na fase de grupos.

      No meio do ano, Ronaldinho deixou o clube. O time se reforçou com os volante Ibson, o meia Cléber Santana, os atacante Liédson e Hernane e o zagueiro Renato Silva. O Flamengo fez campanha inconstante no Campeonato Brasileiro, terminando na metade da tabela. Vagner Love se destacou, sendo artilheiro isolado do time. Um dos grande momentos do ano aconteceu no Engenhão. Contra um fortíssimo time do Atlético-MG, o Flamengo reencontrava Ronaldinho. A torcida não perdoou o ex-camisa 10 rubro-negro. Com muita pressão e participação da Nação e atuações épicas de Amaral e Wellington Silva, o Flamengo venceu por 2 a 1 - gols de Love e Liédson.


      2013: o início da reestruturação
      No final de 2012, os sócios do Flamengo elegeram uma nova diretoria. A chapa vencedora, encabeçada por Eduardo Bandeira de Mello e Wallim Vasconcellos, trazia um discurso de responsabilidade. O clube não gastaria mais do que o que tem, e, assim, sanaria os problemas financeiros vividos há anos. O que parecia impossível na teoria se tornou um grande trunfo na prática.

      No começo do ano, o Flamengo passou por grande reestruturação administrativa, com cortes de gastos em todas as áreas. Os esportes olímpicos foram muito afetados e equipes adultas tiveram que ser desfeitas. No futebol, um elenco mais modesto foi montado. Vagner Love, dono de grande salário, deixou o clube. Chegaram Elias, Gabriel, João Paulo, Wallace e Carlos Eduardo.

      A reorganização orçamentária permitiu ao Flamengo assinar um contrato recorde de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, o que possibilitou um aumento nas receitas. No começo do ano, o Flamengo lançou ainda seu programa de sócio-torcedor. Com adesão recorde, o Nação Rubro-Negra se tornou um dos pilares da arrecadação do clube desde então.

      Logo após uma disputa de campeonato carioca em que o Flamengo sequer se classificou à segunda fase, chegaram ainda, de times menores de São Paulo, Val, Diego Silva, Bruninho e Paulinho. Para o Brasileiro, o Flamengo contratou o atacante Marcelo Moreno. Na metade do ano, chegariam ainda André Santos e Chicão.

      O ponto alto da disputa estadual foi um clássico contra o Vasco. O Mais Querido goleou: fez 4 a 2. Cléber Santana marcou um golaço de fora da área. O jovem Rafinha marcou um dos gols mais bonitos do ano, carregando a bola, dando belo drible em Dedé e botando para dentro.

      O Rubro-Negro jamais engrenou na disputa nacional, brigando no meio da tabela. Porém, na Copa do Brasil a história era outra. Com vitórias sobre times menores nas primeiras fases, o Flamengo foi chegando aos poucos. O time se revelou nas oitavas de final. Já de volta ao Maracanã, fechado nos anos anteriores para obras para a Copa do Mundo, o Mais Querido precisava reverter uma derrota sofrida para o Cruzeiro, que era o melhor time do país e se sagraria campeão no fim do ano.

      Com a Nação empurrando do início ao fim, o Flamengo se mostrou muito superior, dominando completamente as ações do jogo. O gol viria em um minuto mágico. Aos 43 do segundo tempo, Elias aproveitou rebote da entrada da área e fez o único gol do jogo. Foi o suficiente para garantir a vaga nas quartas de final.

      O time passou por momentos difíceis no Brasileiro e Mano Menezes acabou pedindo demissão. Jayme de Almeida assumiu no seu lugar, a princípio como interino. Mas os bons resultados trouxeram a efetivação do ex-jogador rubro-negro.

      Na fase seguinte, novamente o Flamengo brilhou no jogo de volta. O clássico contra o Botafogo valia uma vaga nas semifinais. O empate por 1 a 1 no jogo de ida deixou tudo em aberto. Mas na volta, brilhou uma estrela. O "Brocador" Hernane, que já se destacava fazendo gols em quase todos os jogos do Brasileiro, teve uma noite para nunca esquecer. O Flamengo teve atuação coletiva ímpar. Paulinho driblou de todas as formas possíveis. Hernane marcou três gols. Léo Moura completou a goleada. 4 a 0 e a vaga na semifinal.

      Na disputa contra o Goiás, o Flamengo venceu os dois jogos. Na casa do adversário, Chicão, de falta, e Paulinho, com belo gol, decidiram o 2 a 1. No Maracanã, como havia virado rotina, Hernane balançou as redes. Elias completou a vitória pelo mesmo placar. O volante vivia momentos difíceis, com seu filho pequeno tendo problemas de saúde. A recuperação do rebento veio como uma grande notícia para a Nação, que fez questão de cantar o nome dele no Maracanã.

      A final eletrizante entre rubro-negros começou em Curitiba. Atlético-PR fizeram um jogo tenso. O time da casa abriu o placar, mas Amaral empatou com um golaço de fora da área. No Maracanã, a Nação fez sua tradicional festa. Com um mosaico histórico, deu forças para o time. E deu certo. O empate por 0 a 0, aliado a uma superioridade absoluta do Flamengo no jogo, dava certa tranquilidade. Para confirmar o título, um dos heróis ano, Elias, chutou rasteiro aos 32 do segundo tempo. E Hernane não poderia deixar um jogo no Maracanã acabar sem marcar um gol. De voleio, fez 2 a 0 já nos acréscimos. De desacreditado a campeão, o Flamengo conquistou uma Copa do Brasil com a sua cara.

      O Rubro-Negro voltava a disputar uma Libertadores, mas nem por isso abandonou sua filosofia de contratações. As grandes chegadas do ano foram Elano e Alecsandro, dois experientes jogadores. O elenco teve o retorno, cinco anos depois de brilhar pela primeira vez, de Éverton, que se destacou no ano anterior pelo Atlético-PR. O time trouxe destaques nacionais, casos do lateral Léo e do zagueiro Marcelo, e internacionais, como Mugni e Erazo.

      O começo do ano começou com disputas simultâneas a nível estadual e continental. Por muitas vezes usando times mistos no carioca, o Flamengo fez campanha segura, se sagrando campeão da primeira fase de forma antecipada com apenas uma derrota. Na Libertadores, passou por momentos difíceis. Nem a vitória épica sobre o Emelec, fora de casa, com golaço de Negueba nos acréscimos foi capaz de impedir a eliminação na primeira fase.

      Sem se deixar abater pela eliminação, o Flamengo enfrentou o Vasco pelas finais do estadual. O primeiro jogo terminou em 1 a 1 e a vantagem do empate era rubro-negra. Na partida de volta, Douglas abriu o placar de pênalti já no segundo tempo. Quando parecia que o Cruzmaltino ia quebrar uma sina de mais de 20 anos sem vencer o Flamengo em finais, a mística rubro-negra pesou. No minuto mágico - 43 do segundo tempo -, o Mais Querido empatou. O 1 a 1 garantiu mais um título para o Rubro-Negro.

      O Brasileirão começou com uma campanha muito aquém do esperado. O Flamengo não conseguia vencer e chegou a ficar na última colocação, passando a pausa para a Copa do Mundo na lanterna do campeonato. Para a segunda metade do ano, chegaram Eduardo da Silva, Canteros, Élton, Anderson Pico e o treinador Vanderlei Luxemburgo. O time reestreou no certame conseguindo resultados positivos na raça e com grandes atuações dos recém-chegados. O time disparou e terminou a competição de forma segura na metade da tabela.

      Os grandes momentos do ano vieram novamente na Copa do Brasil. Mais uma vez, o time cresceu durante a competição. Depois de perder por 3 a 0 para o Coritiba, devolveu o placar no Maracanã, levando a decisão para os pênaltis. Paulo Victor brilhou, defendeu cobranças adversárias e o Flamengo passou para as quartas. Contra o América-RN, que havia eliminado o Fluminense, duas vitórias seguras. Na semifinal, uma dolorida eliminação para o Atlético-MG, que passou de fase ao reverter vantagem rubro-negra em jogaço no Mineirão.

      Com a bola laranja, o Flamengo venceu os maiores títulos de sua gloriosa história. Além de mais um NBB, dominado pelo Orgulho da Nação do início ao fim, o FlaBasquete lotou o Maracanãzinho e venceu a conquista mais importante do continente: a Liga das Américas. Com a vaga assegurada no Mundial, a preparação atingiu seu ápice em outubro, quando enfrentou o Maccabi-ISR. Um revés no jogo de ida não impediu uma maravilhosa reação no jogo de volta. O FlaBasquete exibia um jogo coletivo incrível sob o comando do campeoníssimo José Neto. O mundo ficou pequeno para Marcelinho, Marquinhos, Jerome, Olivinha, Nico e companhia.

      Em 2014, o clube passou por diversas reformas na Gávea, modernizando o aparato esportivo e melhorando cada vez mais as condições de formação de atletas.

      O ano de 2015 começou com um alívio financeiro cada vez maior para o clube. Logo nos primeiros dias do ano, foi anunciada a chegada do atacante Marcelo Cirino, uma das grandes revelações do futebol brasileiro. O Fla contratou ainda outras promessas, como Arthur Maia e Jonas. Chegaram também o lateral Pará e o zagueiro Bressan. Em março, o Flamengo contratou Armero, lateral da seleção colombiana.

      Mas o grande reforço do ano viria em julho. O Rubro-Negro olhou para São Paulo e trouxe do Corinthians um dos melhores atacante sulamericanos em atividade: Paolo Guerrero. O craque estreou contra o Internacional e foi primordial na quebra de um longo tabu. Marcou um gol com dez minutos de jogo, deu assistência para Éverton e o Flamengo venceu por 2 a 1. Em seu primeiro jogo no Maracanã, levou a Nação à loucura ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio.

      Neste ano, o Flamengou brigou pelo G4 do campeonato brasileiro, mas sofreu uma série de resultados adversos e acabou no meio da tabela. Era apenas uma prova do que estava por vir.

      Por mais impossível que parecesse, o FlaBasquete continuou aprimorando seu jogo. Com a chegada do experiente argentino Hermann, o timaço chegou ao decacampeonato carioca e levou mais um NBB, em jogos emocionantes e acirrados contra o Bauru.

      Em 2015, o Flamengo reinaugurou o ginásio Claudio Coutinho, com equipamento de primeira linha para a ginástica artística. O clube voltou a disputara SuperLiga de vôlei masculino com time de jovens e modernizou também os centros de força e academias da Gávea.