Acontece na Gávea

 

Cantinho do Urubu

Você teria coragem de fazer uma tatuagem do Flamengo?
E duas?
Que tal dezessete?

Pois Arivaldo Luiz da Silva Alves, o Ari, tem 17 tatuagens do Flamengo.

Apaixonado pelo Mais Querido do Brasil, Ari tem em sua casa um cômodo dedicado apenas à sua maior paixão: o Cantinho do Urubu.

E não é qualquer um que pode entrar lá.

Conheça um pouco mais desta história de amor na entrevista a seguir.

Cantinho do Urubu

1 - Perfil do entrevistado

Arivaldo Luiz da Silva Alves (Ari): paranaense de Goioerê e radicado em Sergipe desde 1976, casado com Aparecida Moreira, 41 (carioca) e  pai de Ingrid Moreira 17 (sergipana). Sou representante comercial atuando em todo estado de Sergipe no ramo de móveis e tenho uma empresa com o nome de "Gávea Representações ltda." Tenho 42 anos e moro em Aracaju desde 1977.

Tenho um vício, e maravilhoso por sinal, que é apenas o Flamengo, pois não consumo qualquer tipo de bebida alcoólica e nem fumo ou uso alguma substância, apenas admiro uma bela água de coco. Quando estou no Maraca fico no mate. Nunca bebi e nem usei nada, mas não tenho preconceito com quem bebe ou usa, apenas não preciso disso, pois o Flamengo supre todas as minhas necessidades!

2 - Como surgiu sua paixão pelo Flamengo?

Essa paixão surgiu em meados de 72/73 quando eu e meu único irmão "Deco", 2 anos mais velho que eu, tínhamos 9 e 7 anos . Estudávamos pela manhã e a tarde engraxávamos sapatos nas ruas de Goioerê e à noite na porta de um hotel até meia noite, devido o falecimento de meu pai em Foz do Iguaçú onde estávamos morando. Minha mãe costurava para nos sustentar. Foi nessas andanças pelas ruas que meu irmão viu uma revista com um jogador surgindo com o nome de Zico e já disputando a bola de ouro da Placar.

Catinho

Foi aí que através de meu irmão nos encantamos pelo Flamengo, e naquela região só tinha palmeirense, corintiano e santista, além dos times do sul. Aquela foto do Zico segurando a bola de ouro com aqueles cabelos loiros e longos estão até hoje em minha memória!

3 - Quantas tatuagens relacionadas ao Flamengo você tem? Cada uma tem um significado?

Tenho 17 tatoos, todas do Flamengo, e o significado sempre é o mesmo: paixão! Vou criando idéias diferentes em homenagem ao Mengo e vou me rabiscando com o maior prazer do mundo!

4 - Como surgiu a idéia de criar o Cantinho do Urubu?

Sempre onde morei, colecionei dezenas de pôsters  do Mengão nas paredes, mas sempre tive esse sonho de realizar meu museuzinho particular e organizado, como consegui fazer agora no início de 2007.

5 – Como funciona o Cantinho do Urubu no dia a dia? E em dia de jogos? Todo mundo pode entrar no Cantinho?

O cantinho do urubu não é aberto ao público, é apenas para pessoas que acho merecedoras de visitá-lo. Com certeza 95% dos visitantes são flamenguistas, mas seleciono flamenguistas puro sangue mesmo, aqueles que jamais abandonam o manto, e também alguns colegas arco-íris, mas que sabem respeitar a opinião e paixão alheia.

Em relação a assistir jogos aqui, são poucos pois a maioria só passa em canal fechado, tenho Sky mas não compro pacote de jogos, pois seria desperdício, uma vez que só assisto jogo do Flamengo, nem seleção brasileira torço e nem em Copa do Mundo. Portanto, vou assistir geralmente em bares.

6 - Qual o jogo mais emocionante que você assistiu no Cantinho do Urubu?

Aqui no cantinho o jogo mais emocionante foi esse ano contra nosso eterno freguês, que os eliminamos nos pênaltis, pois minha pressão bateu 19/14 e quando o Bruno defendeu o último, ela regrediu!

7 - Como sua família lida com a paixão pelo Flamengo?

Minha família é flamenguista puro sangue como eu. A Cida, minha esposa, é carioca e o pai dela viu o zico crescer no Mengão, ela já tem umas duas tatoos do Mengão, e foi escolhida a dedo para esse matrimônio. E disso surgiu a Ingrid que também é louca pelo Mengão e apaixonada pelo goleiro Diego.

8 - Você já assistiu a algum jogo do Flamengo no estádio?

Já vi o Mengão ao vivo 12 vezes no Rio, assisto e volto. Nessas 12 partidas, seis foram decisões e graças a "Deus" vencemos todas. Nunca vi o Mengo perder aí no Maraca e a galera da geral, que é o meu point, me chamam de paraíba pé de brasa. Aqui no nordeste já vi dezenas de vezes pois sempre estou correndo atrás do Mengão.

9 - Quais são seus maiores ídolos rubro-negros? E seus jogos inesquecíveis?

Em relação a ídolos são diversos, mas vou resumir alguns que se eternizaram no meu coração: Zico, Adílio, Andrade, Leandro (melhor lateral que o mundo já viu), Mozer, Nunes, Raul, Lico, Julio César Uri Geller, Geraldo assoviador, Adalberto, Rondinelli, Anselmo (pelo murro em Mário Soto), Cláudio Coutinho, Carpegianni jogador, Oscar Schimidt, Pet e Rodrigo Mendes pelos gols de falta que foram decisivos. Lembro quando não tinha dinheiro nem para comprar uma camisa falsa do Flamengo, mas já sonhava em ver o Mengo pelo menos uma vez no Maraca, e agradeço a Deus por ter visto várias vezes. E várias vezes também decidindo e sempre campeão! Jogos inesquecíveis foram: 3x2 atlético (final do Brasileiro de 80), Libertadores e Mundial de 81, o tri de 2001 com o gol que o Zico fez encarnado no Pet, aquele 6x0 no Botafogo, a Mercosul lá em cima do todo poderoso Felipão, mesmo com o Romário pipocando a garotada deu conta, e agora nessa decisão que também vi ao vivo com o Botafogo, onde a camisa, a torcida e o Bruno ganharam o título para choro do Montenegro! Como falei, só tenho que agradecer a Deus por me conceder tudo isso e também ter me dado o prazer de receber em minha casa em 2000 a visita do presidente na época Edmundo Santos Silva, que agendou meu encontro com o rei Zico, o qual realizei em 2001 lá no CFZ, e foi o momento mais emocionante de minha vida, tão emocionante quanto o nascimento de minha filha. Na época ele me deu várias lembranças e até uma camisa do CFZ, que não uso por não ser do Mengão, mas está exposta no cantinho !

10 – Qual o seu maior sonho como torcedor do Flamengo?

Para não ficar mal visto por Deus apenas tenho mais um sonho que é ver o Galinho ao vivo no meu cantinho do urubu. Sei que é praticamente impossível, pois ele está na Europa e quando vem o calendário não dá para nada, além de Aracaju estar a 2.000 quilômetros do Rio. Aqui ele não tem nada a tratar, mas como um guerreiro rubro negro, jamais desisto, mas se não acontecer pode ter certeza que não fica nenhuma frustração. Mandei e-mail pro Galinho com fotos e tudo e ele me respondeu agradecendo e me parabenizando. Foi emocionante receber um e-mail pessoalmente dele!

11 - Você já viveu alguma aventura por causa do Flamengo?

Nessas viagens ao Rio, fui duas vezes de moto, em 2001 sozinho e em 2002 com a esposa na garupa para ser rebaixado junto com o Mengão. Mas graças a Deus, no meio da viagem, desceram palmeiras e botafogo Já fui de ônibus, carro próprio e avião. Também já fui de Aracaju a Salvador com uma moto bizz com a esposa na garupa e quase fomos baleados em tentativa de assalto na estrada ! Em 2001 quando fui só, também passei maus momentos na divisa da Bahia com o Espírito Santo quando 2 motoqueiros tentaram me derrubar para tomar a moto, mas também consegui escapar. Outro sufoco foi na decisão do tri em 2001. Fui de camisa comum de manhã no sábado comprar o ingresso. Fui de trem, pois fiquei em Belford Roxo. Na fila do Maraca o repórter da globo Carlos Gil me entrevistou perguntando o resultado do jogo e falei que seria 3x1, aí um vascaíno me falou que seria 4xo pro bacalhau, foi quando tirei minha camisa e mostrei o Zicão tatuado na barriga. O cara me encarou e saiu correndo na direção do Bellini. Peguei meu ingresso e o repórter perguntou com quem eu estava. Falei que estava sozinho e era de Aracaju, aí ele mandou eu me ligar, pois pressentiu que o cara tinha ido chamar uma galera. Saí andando e quando olho para trás, vi uns 15 caras com paus nas mãos correndo. Entrei no complexo da piscina do Maracá, onde estava tendo competição e fiquei umas duas horas lá. Comprei uma camisa branca, vesti e fiquei lá. Depois saí de fininho e corri rumo à rampa do trem. Foi quando eles me viram e saíram gritando: "Mata! Mata!" Eu subi voando e a sorte foi que o trem chegou junto comigo e não deu tempo deles me pegarem. Foi sinistro aquilo!!! Já esse ano na decisão da Taça Guanabara contra o Madureira, estava naquela loucura na geral , quando vi tudo escurecendo e girando. Deixei um colega que foi comigo e falei que ia ao banheiro, mas fui direto para uma ambulância que fica na geral e a  minha pressão estava altíssima. Estavam me medicando com remédio sob a língua, quando abri a janelinha e já havia começado o 2º tempo Tirei os aparelhos do braço, agradeci e saí correndo. O médico ficou gritando "Pega o maluco que ele vai morrer!" E quase morri mesmo, só que de alegria!

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