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Célio e Loira
Célio Luiz da Silva é um produtor rural que mora no interior de Minas Gerais. Você pode se perguntar o que ele tem a ver com o Flamengo? .
Célio é um torcedor do Flamengo que pratica vôo livre. Até aí tudo bem. Mas ele pratica seus vôos acompanhado de seu bicho de estimação: um urubu.
O nome do urubu é Loira. Quando era filhote, Loira perdeu a mãe e um irmão, ficando sozinha. Celinho d’urubu, como é conhecido nosso torcedor, pegou Loira para criar e, com o tempo, treinou sua nova amiga.
Hoje, em todo lugar que ele vai, Loira o acompanha. Você entende um pouco mais dessa história de amor na entrevista a seguir: |
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1 – Nome completo e sua profissão. Nome completo (se tiver) de Loira.
Célio Luiz da Silva, produtor rural. Loira Sol da Silva, este sobrenome foi dado em forma de agradecimento a Sol Paragliders que me patrocina equipamentos para voar junto com a loira, porque se não fosse a Sol não estaria voando com a loira.
2 – Como você “conheceu” a Loira?
Eu tenho um sítio onde criava alguns gados, e sempre ia tratar do gado com meu cachorro, às vezes a cavalo ou de moto com meu filho. Um dia eu estava no meio do mato procurando uma vaca com meu cachorro. Ele foi procurando na frente, sumiu e depois disso só escutei os latidos bravos dele. Fui correndo atrás para ver e o cachorro tinha matado dois urubus, um filhote e a mãe. Estava perto do ninho, onde olhei e avistei uma coisinha branca assustada e peguei para olhar de perto para ver se o cachorro não tinha ferido o bicho. Estava tudo bem. Meu filho Gabriel, que estava junto, queria levar o bichinho para casa, ficou insistindo e eu acabei levando. Como lá em casa é pequeno, levei o bicho para a casa da minha mãe. Ela sempre dizia que queria ter um ganso e menti para ela dizendo que era um ganso, mas na verdade era um urubu. Depois de um tempo ela viu que o “ganso” foi crescendo e ficando escuro. Ela chegou para mim e falou: “Aquele bicho não é ganso não”. Aí eu contei a verdade para ela. A mentira só deu certo porque quando o urubu é filhote, ele é bem loirinho, com uma penugem bem clara. Depois, quando cresce, é que vai ficando preto, e daí vem o nome de Loira. Depois de algum tempo que minha mãe tratou e meus filhos e eu cuidamos da Loira ela passou a morar no terraço da minha casa. Ela começou a voar, mas antes dela aprender eu já tinha pensado em voar junto com ela. Fui fazer aulas quando ela ainda era filhotinha e hoje vôo junto com ela.
3 – A partir de quando você resolveu que treinaria a Loira para lhe acompanhar em seus vôos? Como você conseguiu adestrá-la?
Antes de eu ter a loira, Jordãozinho, o cabeleireiro um amigo meu que já praticava o vôo livre, já havia me desafiado para voar de parapente e dizia que montar em touros era pouca coisa. Eu montava em touros no começo de tudo, depois virei tropeiro e trabalhava com rodeios. Depois que conheci Loira decidi encarar o negócio e sair voando por aí e pensei que talvez, no futuro, se a Loira começasse a voar, ela poderia me acompanhar e comecei a treiná-la a estar sempre atrás de mim igual a um cachorro. Ela me acompanha em todo lugar que eu vou seja em terra ou no ar. Hoje em dia ela voa na minha frente e mostra as melhores condições para o vôo livre de parapente. Ela aprendeu a andar de bicicleta, moto, cavalo, e parapente, recentemente consegui realizar o desafio lançado pelo Faustão quando estive no programa dele, agora loira também voa comigo dentro do parapente. E isso é inédito, nunca vi ninguém fazer isto no Brasil e no mundo.
4 – Como é seu dia a dia com a Loira? Como sua família lida com a presença de um urubu em casa?
Ela come um dia sim e outro não, de manhã eu vou balançar com ela na rede e escutar um rádio. Depois ela faz um passeio na cidade, volta e depois do almoço toma banho se estiver calor. Aí eu levo ela para voar nas rampas daqui da região. Minha família já se acostumou e até me ajuda a cuidar dela.
5 – Como é a dieta da Loira? O que ela come normalmente?
Ela come pouco, todos os tipos de carne, desde que não esteja temperada e não come carne podre, só fresca. Tem dia que ela come carne moída, outro frango, picanha, costela, uma refeição bem variada.
6 – O Ibama nunca tentou retirá-la de você ou multá-lo?
Eu falei para os guardas virem buscá-la quando ela ainda era filhotinha. Depois ela foi crescendo e fui pegando amor e carinho por ela, e minha família também gosta dela. Daí já não tinha mais como eles tirarem de mim, pois ela só come carne fresca e depende de mim. Da forma como a crio é legal, ela fica solta e não presa a correntinhas, e quando tenho de viajar ela tem um compartimento apropriado. Também não é um animal em extinção. Porém, essa moda não pode pegar, pois o urubu é um animal selvagem e da natureza. No meu caso foi no extremo, onde o filhote ao perder a mãe e o irmão que o cachorro matou ficou indefeso e iria morrer sem os cuidados da mãe. Eu peguei para que ela não morresse.
7 – Como surgiu a paixão pelo Flamengo?
Desde quando era criança, sempre torci pelo Flamengo, porque vale a frase: “Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer”, mas quando peguei a Loira para criar nem me lembrava que ali estava comigo o mascote do meu time, a ficha só caiu pouco depois.
8 – A Loira acompanha os jogos com você? Você já a levou em algum estádio?
Sim, ela fica comigo na sala vendo televisão e assistindo aos jogos para dar sorte como no jogo entre Botafogo x Flamengo de 1969. Nunca tive a oportunidade de levar Loira a um estádio, pois não tendo recursos e oportunidade não seria possível levá-la. Mas, gostaria muito de levar Loira ao estádio. Não só por levar, mas fazer uma apresentação com ela, voar junto com a loira no estádio de parapente e pousar no brasão do time. Seria uma grande satisfação e vitória.
9 – Quais são seus ídolos rubro-negros? E da Loira?
Zico, Junior, Romário, Julio César. Da loira sou eu.
10 – Quais seus sonho ou objetivos a serem atingidos ao lado de Loira?
Gostaria de ir ao estádio sobrevoar a torcida rubro-negra com a loira, e pousar no brasão do Flamengo. Arrumar um namorado para a loira para que ela possa procriar. Após isso ir para o Fantástico, participar de novos programas, e ver se consigo patrocínio para poder participar de campeonatos de vôo livre junto com a loira.

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