Prevenção e recuperação
No dia 13 de outubro, Flamengo reforça a importância dos fisioterapeutas no dia a dia do futebol
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Até a primeira década dos anos 2000 era comum ver a cena em qualquer partida de futebol profissional. O jogador caía no gramado contundido e em poucos segundos aparecia a seu lado um massagista com sua bolsa de primeiros socorros, que continha aquela água milagrosa, um tubo de éter e algodão. Era a época romântica do futebol, em que se destacavam Deni, Jorginho, Jorjão, Pai Santana, Luisão, só para ficar entre os que trabalhavam em clubes cariocas. Mas essa era ficou no passado. De lá para cá, na maioria das vezes, quem passou a fazer o primeiro atendimento ao atleta foi uma dupla, formada por médico e fisioterapeuta.
Médico sempre teve no futebol, mas fisioterapeuta é coisa mais recente. Com a profissionalização cada vez maior e o avanço das tecnologias, abriu-se um espaço para esta categoria, que hoje tem até uma data para chamar de sua, 13 de outubro. Atualmente é impensável uma equipe de futebol não ter um departamento de fisioterapia.
“Hoje, qualquer atleta de alto rendimento, de qualquer esporte, tem pelo menos um fisioterapeuta no seu staff. Nos esportes coletivos geralmente há uma equipe, pois a demanda é imensa e diária”, afirma Márcio Puglia, 43 anos, coordenador de fisioterapia do futebol profissional rubro-negro.
No Flamengo, o setor conta atualmente com seis profissionais e a demanda é imensa. Além de Puglia, fazem parte da equipe Bruno Brum, Laniyan Neves, Lucas Mallet, Fernando Freitas e Roberto Tupinambá, além do estagiário João Pedro. Praticamente todos os jogadores recorrem diariamente aos fisioterapeutas, antes e depois de treinos e jogos.
A fisioterapia surgiu no futebol para acelerar a recuperação de jogadores lesionados. Newton Petroni, o Filé, foi o primeiro profissional da área a chamar a atenção. Isso foi em 1990, quando Romário, que havia fraturado o pé, o contratou para tentar se recuperar para a Copa do Mundo de 1990.
“Com o tempo os jogadores passaram a recorrer à fisioterapia também como forma de prevenção. Hoje 80% dos atendimentos diários que fazemos aqui no Ninho são com o intuito de prevenir lesões”, reforça Puglia.
Há dez anos atuando no futebol, o coordenador começou no Vasco e chegou ao Flamengo em 2020. Já participou da recuperação de inúmeros atletas, mas um caso é motivo de orgulho: a recuperação de Bruno Henrique.
Em setembro de 2022, o atacante sofreu uma lesão multiligamentar no joelho direito. Tinha 32 anos e muita gente achou que era o fim da linha para BH. O início da recuperação foi preocupante. Após três meses de fisioterapia diária e, mesmo com todo o comprometimento do jogador, as coisas não evoluíam. “Ele não conseguia recuperar o arco de movimento. Mudamos a abordagem e realizamos uma artroscopia de limpeza. A recuperação deslanchou e em 10 meses Bruno Henrique estava de volta. E retornou acima das expectativas. Hoje, aos 35 anos, continua jogando em alto nível”, relembra o fisioterapeuta.
Laniyan, que atuou como jogador e chegou a defender a Seleção Brasileira Sub-20, se formou em Fisioterapia e, desde 2016, trabalha no Flamengo. Começou como estagiário, passou pelo Sub-20 e foi efetivado em 2020, logo após concluir a faculdade.
Este ano, foi liberado pelo Clube para se juntar à seleção uruguaia, na tentativa de recuperar Arrascaeta, que sofrera uma lesão muscular às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Já tinha estabelecido uma boa relação com a Federação Uruguaia desde 2025, através de Nico de La Cruz e do próprio Arrascaeta. A expectativa era de o camisa 10 rubro-negro pudesse ser utilizado pela Celeste na primeira partida após a fase de grupos, mas os uruguaios acabaram eliminados e Arrascaeta não entrou em campo.
Mas em 2022, o final foi feliz. O craque uruguaio convivia com uma pubalgia crônica e foi preciso um trabalho específico para que ele estivesse em campo nos principais jogos da temporada.
“Foi trabalhoso, mas valeu muito a pena. Fomos campeões da Libertadores e da Copa do Brasil”, relembra o fisioterapeuta.
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