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“O objetivo é num futuro próximo termos o melhor trabalho de formação”

Gerente do basquete há pouco mais de um ano, Diego Jeleilate fala sobre o processo de reestruturação da modalidade e o foco nas equipes de base

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No último dia 02 de julho o Gerente de Basquete do Flamengo, Diego Jeleilate, completou um ano de clube. Em sua chegada, o GM tinha a missão de integrar a base com o profissional, otimizar processos e implementar um caminho único nas categorias que leve o clube à retomada dos títulos. Os primeiros resultados alcançados com a equipe adulta foram expressivos, com o Flamengo retomando seu lugar na ponta do cenário nacional após as conquistas do NBB, do torneio Super 8, além do vice-campeonato da Copa Intercontinental FIBA. Nas categorias de base, Diego foi responsável por reformular o quadro de técnicos e implementar nova metodologia de trabalho alinhada às necessidades do head-coach, Gustavo De Conti. O caminho está só começando, segundo o profissional, que deu uma entrevista exclusiva ao Site Oficial. 

Você completou um ano frente ao basquete rubro-negro. Nesse período de trabalho, principalmente na base, é nítida a mudança em diversos aspectos. Por favor faça um balanço desses primeiros meses no Mais Querido. 
Nos primeiros dois a três meses fizemos um diagnóstico para entender a realidade da base do basquete do Flamengo, conhecer o que era a demanda real, as competições, o nível de competitividade... De cara vi que o Flamengo tem uma hegemonia muito grande em disputas estaduais, mas que vinha sofrendo um pouco em competições nacionais. Então, a primeira grande mudança foi a contratação imediata de três novos atletas para compor a equipe Sub-20 que jogaria a LDB, e depois o trabalho com os técnicos para um alinhamento metodológico com o que o head-coach (Gustavo De Conti) queria no adulto.  

Aí foi um trabalho um pouco mais demorado, porque precisávamos descrever essa metodologia, o que o Gustavo queria que fosse trabalhado, o que ele não queria trabalhar. Começamos uma série de reuniões periódicas e o resultado se concretizou em vitórias em praticamente todas as categorias no estadual, além de bons resultados no brasileiro - fomos vice no Sub-18 e ficamos em 4º no Sub-20, o que era um resultado bem significante. 

A partir daí a gente quis também que os atletas da base do Flamengo fossem compor equipes adultas, então conseguimos enviar jogadores de nosso plantel para jogar competições em outras equipes e ao mesmo tempo não perdemos o foco principal, que era ser campeão nacional. Deu certo tanto para o João Vitor, por exemplo que foi um dos destaques da Liga Ouro, como para o João Camargo, que foi para o Londrina. Uma das nossas metas de desempenho do Flamengo é colocar jogadores em equipes adultas, então a gente conseguiu atingir mais esse projeto nesse primeiro ano. 

Nós também identificamos que o nível de jogo dos atletas que jogavam apenas os estaduais do Rio não estavam sendo suficiente para jogar competições adultas, então fortalecemos ainda mais o time Sub-20 nesses seis meses iniciais de 2019 para essa próxima temporada, trazendo mais atletas e aumentando o número de jogos. Já estamos criando uma imagem forte nessa questão da formação, então hoje os atletas de fora, já estão procurando o Flamengo para vir jogar na nossa base, o que é algo recente, muito em função do trabalho do Gustavo, que usa jovens na equipe adulta. 

Então, eu acho que esse degrau a degrau que a gente está subindo faz parte de uma evolução gradativa. Não dá para a gente chegar e falar: “implantamos um projeto de base”. É uma construção. E nesse primeiro ano o balanço é superpositivo, quanto no nível de trabalho que a gente está colocando no Flamengo.

Parte dessa nova metodologia de trabalho que você falou passa pela reformulação da equipe técnica nas categorias de base. Houve mudanças entre os técnicos que já estavam no clube e ainda a contratação de novos profissionais. Você pode nos dizer o que esperava com essas alterações?
Durante esse processo, nesse alinhamento que fomos verificando o que estava bem e o que precisávamos agir corretivamente, a gente mudou algumas peças no percurso. Fizemos um remanejamento interno grande, além de trocar as categorias entre os técnicos, trocamos dois treinadores e a posição do Paulo Chupeta, que até então era técnico do Sub-20 e passou a ser Coordenador Técnico da base, e trouxemos um técnico novo para as categorias Sub-19 e 20, que é o Rodrigo Galego. No Sub-13 e 14 trouxemos um novo treinador, Vitor Boccardo, também com perfil mais didático, de ensinar fundamentos, além de nosso estagiário que auxilia nos treinamentos individualizados, que é o Fred, ex atleta do CRF.
 
Dentro dessa reconfiguração o Flamengo quer formar craques em casa até 14 anos. Não queremos trazer ninguém de fora nessa faixa-etária. A partir do Sub-15 para cima a gente quer competir em nível nacional e internacional, fornecendo o maior número de atletas possível para times nacionais e internacionais, como é a marca Flamengo no futebol hoje.  

Incluindo a Seleção Brasileira, certo?
Seleção Brasileira é um dos indicadores que o Flamengo tem nos seus objetivos. Tanto no adulto quanto para a base é um indicador bem forte, porque é uma responsabilidade muito grande assumir que teremos atletas na seleção, mesmo não tendo ingerência sobre quem vai otimizar esse processo. Na base isso é muito mais trabalhoso do que no adulto, porque no adulto você ainda sabe quem são as peças que estão sempre perpassando pelas seleções.

O que está sendo bacana é que já começamos a ver esses resultados. No ano passado o Gabriel Landeira foi para a Seleção Sub-14, esse ano tivemos três atletas na seleção brasileira de basquete 3x3 – que é uma modalidade olímpica apesar de ainda não ter no Flamengo, e agora temos atleta na Seleção Sub-21, além do assistente técnico “Fernandinho”, que é o atual assistente técnico do adulto. Vale frisar que ele era um técnico da base do Flamengo, o que já é o resultado do alinhamento de um processo que a gente já está utilizando, não só de atletas no adulto, mas também parte da comissão técnica.

Existe, então, um novo modo de fazer a transição dos atletas de base, principalmente a partir dos 15 anos, certo? Existe algum alinhamento com a Escola de Esportes nesse sentido?
São dois projetos diferentes. A Escola de Esportes é o lugar onde a pessoa quer seguir um caminho de formação esportiva, mas não necessariamente formação de atleta de performance. É um caminho que, aqui no clube, vai até o adulto. Hoje temos mais de 130 alunos na EESF. O outro caminho são as equipes competitivas, que nesse ano já tivemos Sub-12, 13 e 14 como as três primeiras equipes de formação. 

Nessas equipes de formação, respeitando todos os processos de formação a longo prazo que é fornecido em parceria com o CUIDAR, a gente não busca o objetivo final como performance, mas sim atletas formados como pessoas, como cidadãos, como futuros atletas e que a gente enxergue neles futuros potenciais para compor as equipes a partir do Sub-15. 

Então essa é a metodologia que a gente começou a alinhar. Para isso a gente pegou um técnico mais experiente que estava no Sub-17, que é o Beegu, e pôs ele no Sub-15, porque a gente enxergou que era importante ter essa seriedade nessa transição de categoria. E a partir daí o funil é mais estreito mesmo. São atletas que a gente quer que tenham perfil de adulto, que se dediquem a poder treinar seriamente e desenvolvendo todas as capacidades, principalmente a cognitiva, sendo que nesse momento o foco é performance. Então a cobrança começa a partir do Sub-15 menor, no Sub-17 um pouco mais e no Sub-19 e 20 ainda maior.

E como funciona o processo de captação externa de atletas?
O processo de captação de atletas hoje, que a gente chama de “Escolha de Talentos”, funciona hoje de três formas: o que a gente produz das Escolas de Esporte; quem se destaca nos nossos núcleos sociais, e aí são encaminhados pelos treinadores desses núcleos para os testes; e a terceira são os testes (peneiras) até o Sub-15. 

A partir do Sub-15 a gente já trabalha com o mapeamento nacional de atletas, onde já temos o perfil que interessa ao Flamengo, tanto no âmbito estadual quanto nacional, e a gente vai atrás com um approach mais profissional, digamos assim. Dessa forma a gente já seleciona os talentos mais específicos para compor quem sabe a equipe adulta.

Assim como na estreia do Gustavo pelo Flamengo na temporada passada, para esta temporada 2019/2020 continuamos a contar com atletas de base na equipe adulta. Pode falar sobre essa escolha estratégica?
É legal a gente enxergar os atletas de base com potencial para compor equipe adulta. O Gustavo acompanhou as disputas da LDB, e ele fez uma seleção de sete atletas dos doze para compor a equipe principal. Hoje o Flamengo se apresenta com nove atletas adultos e sete atletas de base num plantel de 16 atletas para a temporada 2019/2020. O mais curioso é que está tão integrado o trabalho que a gente vem fazendo ajustes no planejamento porque, por exemplo, para o Sub-18 que vai competir o CBC agora, três atletas que estão no adulto jogarão a competição. Perdemos então esses três atletas na fase de treinamento. Quando esses retornam, a gente perde os quatro atletas que jogarão o CBC Sub-20. Isso já demonstra a força que esses atletas têm para compor o adulto. Agora mesmo o Pedro (Nunes) já embarca para a Seleção Sub-21 com o Fernandinho. Então o Flamengo começa a ter um problema bom, que é saber onde os atletas vão estar para planejarmos bem feito. 

Fora isso temos outros atletas com potencial, que a gente já enxerga como tal. O que é legal ressaltar é que hoje o Flamengo tem sete atletas com mais de um ano de contrato. São atletas que são prospects para num futuro breve comporem o elenco principal. E quem sabe ano que vem, ao invés de nove adultos, a gente baixar para oito, sete? Não sabemos... A gente está fazendo esse processo de renovação aqui dentro mesmo e o resultado tem sido positivo.

Apesar das modificações de metodologia e de treinadores, estabelecimento de novos processos de captação de atletas, do planejamento integrado e de tudo o que conversamos, você sempre sinaliza que ainda não está satisfeito com o projeto do basquete rubro-negro, principalmente o de formação. O que falta ainda para que você consiga dizer que o trabalho foi concretizado em sua totalidade?
Um projeto de formação de longo prazo, como o nome já diz, não é da noite para o dia que vai ser implementado, que conseguiremos inserir todas as características que gostaríamos. Em outras oportunidades de trabalho, em outros lugares, demoramos cinco, seis anos para conseguirmos alcançar uma excelência nas categorias de base. Como falei anteriormente, hegemonia a nível estadual a gente já tem. Somos troféu eficiência no Estado. O que a gente quer é disputar de igual para igual em todos os brasileiros de base, e não só isso, estar com esses atletas jogando em equipes adultas. 

Nosso projeto é ambicioso. Quem sabe num futuro próximo consigamos ter um time jogando praticamente apenas com esses jovens, bem forte, consolidado... O resultado esperado é naturalmente que esses atletas ingressem em equipes principais, componham outras equipes, já que não temos o objetivo de formar apenas para o Flamengo e sim para o basquete. Não temos problema algum em direcioná-los a outras equipes, nacionais e internacionais. Então, o objetivo é num futuro próximo termos o melhor trabalho de formação de basquete, seguindo o mesmo caminho de sucesso da equipe principal. Ressalto que o trabalho de excelência e gestão dos EEOO do Flamengo é que está permitindo que isso tudo aconteça. 


As equipes de basquete do Clube de Regatas do Flamengo contam com recursos de seus patrocinadores – BRB, TIM, AmBev, Rede D’or, IRB Brasil RE, CSN, Brasil Plural, EY – via Lei de Incentivo Federal/Ministério do Esporte (IR) e Lei de Incentivo Estadual/Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude (Seelje) do Rio de Janeiro, além de apoio do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) proveniente da descentralização de recursos oriundos da Lei Pelé. O Projeto Anjo da Guarda Rubro-Negro, de transferência fiscal de pessoa física, beneficia todas as modalidades olímpicas do Mais Querido.