"O pensamento é de dever cumprido”: Flamengo chega à final da 26ª Copa da Amizade Brasil-Japão
Rubro-Negro sub-15 encerra competição criada por Zico com quatro vitórias em seis jogos e fica com o vice-campeonato após empate em 2 a 2 com o Vasco e disputa de pênaltis
PorComunicação Flamengoem 03/09/26 às 18:00 - Atualizado em 03/09/2026 às 18:07
Há competições que ficam marcadas pelo resultado. Outras, pelo que representam. A Copa da Amizade Brasil-Japão é uma delas. Criada por Zico em 2000, o torneio chegou à sua 26ª edição em 2026 e, ao longo de mais de duas décadas, se consolidou como um dos principais encontros das categorias de base no Brasil, ao reunir grandes clubes brasileiros e japoneses.
Nesta edição, o Flamengo chegou novamente à decisão. No CFZ, nesta quarta-feira (3), o Rubro-Negro empatou em 2 a 2 com o Vasco no tempo regulamentar e disputou uma longa decisão por pênaltis. Depois de 21 cobranças, o adversário venceu por 11 a 10 e ficou com o título. O time sub-15 do Mais Querido, que disputava sua 11ª final da Copa da Amizade, encerrou a competição com quatro vitórias, um empate e uma derrota em seis jogos. A equipe marcou 20 gols, média de mais de três por partida.
Adriano Fontes/ CRF
A campanha começou com uma derrota por 2 a 1 para o Vitória, mas a resposta veio já na rodada seguinte, com uma goleada por 6 a 1 sobre o Grêmio. Na última partida da fase de grupos, o Flamengo venceu a J League por 4 a 2 e garantiu a classificação. A equipe, então, superou o Fluminense por 3 a 1 nas quartas de final e o Atlético-MG por 4 a 2 na semifinal.
Na final contra o Vasco, as equipes fizeram um jogo equilibrado desde os primeiros minutos. O primeiro tempo terminou sem gols, mas a segunda etapa foi movimentada. Aos quatro minutos, Deivid Lucas, camisa 9 e artilheiro rubro-negro na competição, encontrou Davi Moura dentro da área. O camisa 10 deixou a bola passar e Pedro Pinheiro apareceu livre para acertar um belo chute no ângulo.
O Vasco empatou aos 13 minutos, em cobrança de falta, mas o Flamengo voltou a ficar em vantagem aos 31. Deivid iniciou novamente a jogada, dessa vez acionando Jean Carlos, que cruzou para Matheus Eduardo completar para o gol. Aos 36, o Vasco buscou novamente o empate, levando a decisão para as penalidades.
Adriano Fontes/ CRF
O equilíbrio permaneceu até a última cobrança. Fabrício Merede, goleiro do Mais Querido, defendeu duas penalidades, fez a dele e, após sequência de 21 cobranças, o Vasco levou a melhor por 11 a 10.
O resultado, porém, é apenas uma parte da história construída pelo Flamengo no torneio. Para quem vive diariamente o processo de formação, a experiência proporcionada pela Copa da Amizade tem um peso que vai muito além de uma taça:
“Primeiramente, dar os parabéns à competição. Não houve derrotados, houve 12 times que ganharam uma experiência, uma organização e um ambiente fantástico. Acho que essa competição faz com que os atletas deem um passo à frente no desenvolvimento enquanto seres humanos e também no desenvolvimento para uma futura carreira profissional”, destacou Alfredo Almeida, diretor de futebol da base do Flamengo.
Adriano Fontes/ CRF
Para os jovens rubro-negros, estar ali também significa vestir a camisa do Flamengo em um lugar diretamente ligado à trajetória do maior ídolo da história do clube.
“Quando a gente está na casa do Zico, a gente tem que respeitar. Estar aqui dentro com a camisa do Flamengo é um prazer e um orgulho enorme. Sobre a competição, é um torneio de altíssimo nível, com times nacionais . Essas situações são muito importantes para aumentar o nível competitivo deles", ressaltou João Marcos, técnico da equipe sub-15.
A Copa da Amizade carrega ainda uma história construída ao longo de gerações. Desde a primeira edição, em 2000, diversos jogadores que passaram pelo torneio seguiram caminhos de destaque no futebol. Pelo Flamengo, Vini Jr., Paquetá e Reinier são alguns dos exemplos. Rodrygo, pelo Santos, e Andrey e Rayan, pelo Vasco, também passaram pelos campos do CFZ e da competição durante a formação.
É justamente essa possibilidade de acompanhar de perto jogadores que ainda estão dando os primeiros passos que faz da competição uma experiência tão especial. Em 2026, foi a vez de uma nova geração ocupar esse espaço e construir suas próprias lembranças.
Entre eles está Deivid Lucas. No Flamengo desde o Sub-12, o camisa 9 terminou a competição como artilheiro rubro-negro, com quatro gols:
“Nós somos muito gratos por poder participar da competição do nosso maior ídolo e o maior ídolo do clube. Infelizmente não conseguimos sair com o título, mas estamos muito felizes por estarmos aqui, por tudo que construímos e pelo o que conseguimos fazer durante a competição.”
A importância desse trabalho também é reconhecida pela CBF. Presente na decisão, Rodrigo Caetano, coordenador executivo geral das Seleções Masculinas Brasileiras, destacou a necessidade de ampliar o número de competições para as categorias mais jovens e colocou a Copa da Amizade entre as referências do calendário nacional:
“A CBF apoia todo e qualquer tipo de competição de base no Brasil inteiro, ainda mais uma competição organizada pelo Zico. O sucesso desse evento fala por si, por todas as suas edições. É uma referência no calendário do futebol brasileiro e também no futebol Brasil-Japão.”
Adriano Fontes/ CRF
A cerimônia de encerramento também celebrou quem ajuda a manter a Copa da Amizade viva ao longo dos anos. Antes da entrega dos troféus, houve um agradecimento especial aos clubes participantes e às instituições que contribuíram para a realização da 26ª edição, entre elas a CBF, a SAFERJ, o Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro, entre outros demais parceiros.
Na premiação, o tetracampeão mundial Jorginho, entregou as medalhas de vice-campeão aos jogadores do Flamengo. Zico entregou ao clube uma placa comemorativa pelo título conquistado pelo Rubro-Negro na edição de 2025, enquanto Rodrigo Caetano entregou o troféu ao capitão João Victor.
Adriano Fontes/ CRF
Para Zico, ver mais uma geração tendo a oportunidade de disputar a competição representa a continuidade de um projeto construído ao longo de 26 anos:
“O pensamento é de dever cumprido. Mais uma vez a gente procurando dar oportunidade para essa garotada. É uma idade que eu sempre digo que é onde você define que quer ser jogador de futebol e você conseguir realizar isso por 26 anos, com pessoas que são tão importantes para o mundo do futebol sempre prestigiando aqui, é algo muito especial.”
Na Copa da Amizade, todos os jogadores levam consigo a experiência de ter competido, aprendido e dividido o campo com alguns jovens que, no futuro, podem se tornar grandes nomes do futebol:
“É importante saber perder também. Foi um jogo bonito e emocionante, em que prevaleceu o futebol e também a importância de você não se deixar levar por nenhuma rivalidade”, completou Zico.