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A volta do Gigante

texto de Arthur MuhlenbergApós uma longa e tenebrosa temporada longe de sua casa o Flamengo retorna ao Maracanã nesse sábado disposto a tirar a barriga da miséria.

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texto de Arthur Muhlenberg

Após uma longa e tenebrosa temporada longe de sua casa o Flamengo retorna ao Maracanã nesse sábado disposto a tirar a barriga da miséria.

As milhares de latas de Neston compradas pelo braço carioca da Maior Torcida do Mundo não deixam dúvidas quanto ao apetite da massa por uma vitória.

E deixemos de lado a nossa modéstia, que é qualidade natural ao rubro-negro, a promoção poderia ter sido feita até por um fabricante de formicida, com a saudade que torcida está do Flamengo não sobraria lata de veneno nas gôndolas dos supermercados.\ Nos anos 50 o impoluto Juiz Eliezer Rosa, torcedor do simpático América do Rio já propunha ao jurisconsulto e grande rubro-negro João Antero de Carvalho um projeto de lei que obrigaria o Flamengo a jogar todos os dias e a vencer sempre. Em um trecho da histórica correspondência entre os dois juristas de grande calado encontramos o vibrante trecho:\

“O FLAMENGO não é somente um clube, uma agremiação esportiva. O Flamengo é uma religião, uma seita, um credo, com sua bíblia e seus profetas maiores e menores. O Flamengo é um amor, uma devoção, uma eterna comunhão de sentimentos. Por eles muitos deram a vida, alienaram a liberdade, destruíram amizades, arruinaram lares, com homicídios e suicídios. O Flamengo, o flamenguismo, para ser mais exato, é uma cardiopatia. O Flamengo dá febre, dá meningite, dá cirrose hepática, dá neurose, dá exaltação de vida e de morte. O Flamengo é uma alucinação.

Deveria ser feita uma Lei Federal que obrigasse o Flamengo a jogar todos os dias, em todos os lugares do Brasil e ganhar sempre. Quando o Flamengo ganha, há mais amor nos morros, mais doçura nos lares, mais vibração nas ruas, a vida canta, os ânimos se roboram, o homem trabalha mais e melhor, os filhos ganham presentes. Há beijos nas praças e nos jardins, porque a alma está em paz, está feliz. O Flamengo não pode perder, não deve perder. Sua derrota frustra, entristece, humilha e abate. A Saúde, a higiene nacional exigem que o Flamengo vença, para o bem de todos, para a felicidade geral, para o bem-estar nacional.”

É uma pena que a tradição esculhambativa brasileira somada à inação natural dos nossos probos legisladores não tenha transformado em letra da lei o desejo do Juiz Eliezer Rosa. Ao contrário, ao invés de promover o bem estar de parcela significativa da população nacional com jogos diários do Flamengo os podres poderes que regem feudalisticamente esse torrão chamado Brasil ainda cometem todas as patranhas ao seu alcance para que o Flamengo não dê o ar de sua graça.\ Mas pelo menos por hoje essa grave falha no arcabouço jurídico tupiniquim será amenizada com a volta dos guerreiros rubro-negros ao gramado do Maracanã, palco de tantas e tantas conquistas.\

Violentamente convulsionado pelos últimos acontecimentos, o time do Flamengo ainda é uma caixa preta. Após a improvável limpeza étnica e disciplinar promovida por Joel Cachaça, o experiente Fábio Luciano estréia na defesa junto ao novo valor Rômulo (Tri Campeão de Juniores) que terá sua primeira chance de defender as nossas gloriosas cores.

Sejamos realistas, se o Joel arrumar a defesa já será um tremendo adianto, mas sabemos que sem ataque não chegaremos a lugar algum. Por isso a torcida, com toda a razão, exige uma atuação digna. Quer ver raça, suor, comprometimento com o Manto Sagrado e a bola sendo chutada em direção ao gol (gol adversário, mesmo sem Irineu em campo é bom frisar) quantas vezes for necessário.

Destemida e filosófica, a torcida do Flamengo cumprirá sua parte no trato e empurrará o time desde o momento em que entrem em campo. Os guerreiros serão saudados, exaltados e incentivados. Cabe a cada um deles deixar sobre o gramado a sua dose de suor, sacrifício e talento (exatamente nessa ordem) para que o Flamengo possa sair do gramdo do Maracanã ainda maior do que entrou.

Mengão Sempre