Conselho de Administração aprova readequação orçamentária do Flamengo para 2026
Revisão prevista no Estatuto ajusta as projeções do exercício e mostra crescimento da receita recorrente, salto no EBITDA recorrente e endividamento confortável
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O Conselho de Administração do Flamengo aprovou, nesta quarta-feira (28/10), a readequação orçamentária para o exercício de 2026. O orçamento revisado projeta avanços relevantes nos principais indicadores da operação do Clube: a receita recorrente aumenta 20% em relação a 2025, o EBITDA recorrente praticamente dobra na comparação com o ano anterior e a margem operacional recorrente projetada em 25% para este ano continua em crescimento, comparado aos 19% de 2024.
A readequação orçamentária é um procedimento previsto no Estatuto do Flamengo e faz parte das práticas de boa governança e transparência adotadas pelo Clube. Trata-se de uma revisão regular: ao longo do ano, o orçamento aprovado originalmente é confrontado com o que de fato aconteceu, e as projeções são ajustadas para refletir a realidade do exercício.
RECEITA DE MELHOR QUALIDADE
A leitura mais importante da readequação está na composição da receita. Embora alguns números absolutos orçados para 2026 não tenham sido atingidos, a qualidade da receita melhorou em comparação com o ano anterior: uma parcela maior do que o Clube arrecada vem de fontes recorrentes, que tendem a se repetir nos próximos anos, e uma parcela menor depende de eventos pontuais.
O Flamengo enquanto negócio está girando, crescendo e mostrando evolução consistente, com uma base de receita mais sólida e previsível.
ENDIVIDAMENTO SEGUE EM PATAMAR CONFORTÁVEL
Mesmo sem atingir a meta prevista no orçamento original, os índices de endividamento do Flamengo permanecem em níveis confortáveis. A relação entre a dívida e a capacidade de gerar caixa, chamada de alavancagem, está em 1,2x comparada ao EBITDA recorrente, abaixo do registrado em dezembro de 2024, quando o índice era de 1,8x.
O EBITDA é uma medida de resultado operacional: indica quanto o negócio gera de caixa com suas atividades, antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Já o EBITDA recorrente considera apenas as receitas que se repetem todos os anos e deixa de fora receitas extraordinárias, como venda de atletas, premiações por títulos e participação na Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
Na prática, isso significa que o Flamengo seria capaz de quitar toda a sua dívida em cerca de um ano e alguns meses apenas com o caixa gerado pela operação, sem depender de receitas extras.
O QUE MOTIVOU A READEQUAÇÃO
Investimento em atletas: O Clube realizou investimentos relevantes no elenco neste ano, incluindo a compra de direitos do atleta Lucas Paquetá. Por ter sido concretizada no início do ano, a operação teve impacto integral sobre o exercício de 2026.
Venda de atletas abaixo do orçado: As receitas com negociação de jogadores ficaram abaixo do orçado, mas isso não significa que o Clube não atuou nessa frente. O melhor exemplo disso é a não concretização da venda do atleta Gonzalo Plata, em razão da desistência do clube comprador após termos definitivos acordados.
Maracanã: As receitas obtidas com o estádio cresceram 20% em relação a 2025, mas ainda assim ficaram abaixo do que havia sido orçado inicialmente para 2026. A diferença entre o orçado e o readequado se dá pela previsão de naming rights do estádio, que não se verificou em 2026.
A readequação foi aprovada por maioria, em reunião que contou com a presença de 56 conselheiros.
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