O Clube de Regatas do Flamengo levará ao Conselho Deliberativo, no próximo dia 15 de setembro, uma proposta de reforma estatutária que institucionaliza o modelo de gestão profissional, adotado pela atual administração desde o início de seu mandato, há um ano e meio. A proposta do profissionalismo tem por objetivo transformar em estrutura permanente aquilo que a gestão acredita ser o caminho para o futuro do Flamengo.
O Conselho Deliberativo (CODE) apreciará e votará o Texto Substitutivo elaborado pela Comissão Permanente de Estatuto a partir da proposta de Reforma Estatutária denominada “Profissionalismo”, originalmente apresentada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista (BAP).
O texto estabelece uma separação mais clara entre governança, supervisão e execução, concentrando a administração cotidiana do Clube em uma Diretoria Profissional, formada por executivos remunerados e selecionados segundo critérios técnicos. Ao mesmo tempo, fortalece o papel dos órgãos de governança na definição das diretrizes estratégicas, na fiscalização e na aprovação das decisões estruturantes.
A estrutura terá duas principais lideranças: o Diretor-Geral, responsável pela gestão corporativa, e o Diretor de Futebol, responsável pelo futebol profissional e pelas categorias de base.
A mudança ganha relevância diante da dimensão alcançada pelo Flamengo. Com receitas anuais superiores a R$ 2 bilhões e uma estrutura cada vez mais complexa, o Clube entende que sua administração exige processos, responsabilidades e critérios de decisão compatíveis com o tamanho da instituição.
UM MODELO PARA O FLAMENGO, NÃO PARA UMA GESTÃO
A principal mudança proposta é fazer com que a profissionalização da operação deixe de depender da decisão de cada presidente e passe a ser uma característica permanente do Flamengo.
A ideia é simples: quem governa não executa; quem executa não governa.
O novo Conselho Gestor (COGE) terá como função acompanhar e supervisionar a gestão profissional, avaliando estratégias, metas, indicadores, riscos, estrutura organizacional e gestão de pessoas, sem interferir na operação cotidiana. COGE também vai orientar, aprovar ou rejeitar as propostas dentro de suas competências. Assim, sobreposições entre as esferas política, institucional e executiva são reduzidas.
Estão previstas na proposta:
- Criação de Políticas de Governança e instrumentos de planejamento, combinando o orçamento anual com um Plano Estratégico de três anos, uma visão de cinco anos e indicadores de acompanhamento da performance institucional.
- Criação obrigatória de um Portal de Governança e Transparência
- Ampliação de regras de combate ao nepotismo e estabelecimento de novas restrições e períodos de quarentena para associados que tenham ocupado cargos eletivos antes de ingressarem na Diretoria Profissional.
O FLAMENGO CONTINUA SENDO DO FLAMENGO
A profissionalização proposta não significa a transformação do Clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O Flamengo continuará sendo uma associação civil, pertencente aos seus associados, com suas estruturas democráticas e de fiscalização preservadas.
O Conselho Deliberativo continuará sendo a instância máxima para as deliberações estruturantes previstas no Estatuto e manterá suas atuais competências, incorporando também novas atribuições, como a aprovação das Políticas de Governança.
O Conselho de Administração continuará exercendo suas funções e passará a participar da revisão prévia dessas políticas. O Conselho Fiscal, por sua vez, manterá suas atribuições de fiscalização econômico-financeira.
A proposta, portanto, procura combinar profissionalização na execução com soberania associativa na governança.
UMA PROPOSTA CONSTRUÍDA COM PARTICIPAÇÃO DOS ASSOCIADOS
O texto que será levado ao Conselho Deliberativo é resultado de um processo de discussão e aperfeiçoamento dentro do Clube. A Comissão Permanente de Estatuto analisou 15 blocos de emendas, que reuniram 98 sugestões apresentadas por associados, individualmente ou em conjunto. Cerca de três quartos das sugestões foram incorporadas total ou parcialmente ao texto final, reforçando o caráter participativo do processo de construção da proposta.
A proposta parte, portanto, de uma premissa: a profissionalização não deve depender de quem ocupa a Presidência do Flamengo.