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Prestes a estrear na Superliga B, Alexandre Ferrante conversa com o Site Oficial

Confira o bate-papo com o treinador rubro-negro

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A poucos dias da grande estreia na Superliga B, o time de vôlei do Mais Querido encara a última semana de preparação. No próximo domingo (20), o Flamengo inicia a caminhada na competição em busca da vaga na Superliga, maior campeonato da modalidade no Brasil. Fora de casa, o time comandado pelo técnico Alexandre Ferrante enfrenta o Marau-RS, às 19h30.

Confira abaixo um bate-papo exclusivo com o treinador rubro-negro.

Quais são as grandes dificuldades da disputa da Superliga B, onde as equipes são menos conhecidas? Pode ter mais surpresas? O espírito das jogadoras é diferente?

As surpresas que a gente pode ter na Superliga B são as surpresas com as equipes. Muito embora eu tenha me empenhado para conseguir alguma coisa de informação a respeito da equipe de estreia, a gente pode ter sempre uma surpresa, uma contratação em cima da hora. Esse tem sido o histórico das equipes nos anos anteriores, equipes que não se propunham a fazer um projeto como nós fizemos. Quanto às dificuldades, eu acho que elas já passaram. A dificuldade é você fazer uma preparação que se mantenha ao longo da temporada toda, nesses seis ou sete meses iniciais de preparação, e manter o grupo motivado e correndo atrás de um objetivo que está por vir. Isso foi às custas de muito trabalho. A gente tem um time empenhado, esforçado, um time, obviamente, com um norte diferente, porque tem uma parte da equipe que já disputou a liga principal e tem uma outra parte da equipe que está sonhando pela primeira vez, então é um time em que a gente usou esse tempo para uniformizar os sonhos, para canalizar um discurso só para que a gente pudesse chegar agora. As dificuldades foram essas, mas acredito que o pior já passou. Uma outra dificuldade também existente é que, enquanto você está jogando uma rodada, você vai ter que jogar contra uma equipe em outra rodada que você também não conhece, então vai ser tudo uma surpresa inicial. Mas isso minimiza a partir da segunda rodada, dado que existe um acordo entre os times de que, até 48 horas de término de cada partida, seja disponibilizado o vídeo da sua equipe numa nuvem para que todos tenham acesso e aí cada qual faz um estudo da sua maneira.

Entrar com um objetivo traçado de subir para a Superliga A pode trazer armadilhas ou dificuldades extras?

Claro que jogar com a pressão traz uma dificuldade extra. Ao longo dessa trajetória de sete meses por enquanto, a gente foi muito incisivo em mostrar que essa pressão de fato existe, não temos que fugir dela, temos que nos preparar. Em treinamento, no dia a dia, nas exigências e nos jogos que porventura fizemos, eu sempre procurei trabalhar num patamar bem acima daquilo que eu entendo que possa ser a competição. Então, eu acho que, se tivermos uma surpresa, a gente vai ter mapeado já anteriormente ao longo do treinamento alguma coisa tão ou mais hostil do que a gente vai encontrar. Isso também, estrategicamente, foi uma forma da gente entender que trabalhar com a pressão dessa maneira talvez fique mais fácil quando a trabalharmos nessa realidade. Deu certo na primeira sinalização nossa, que foi a eliminatória da Superliga C. A gente fez uma estreia maravilhosa na competição e quando foi jogar o jogo decisivo jogou menos do que na estreia, talvez pela pressão, talvez pela responsabilidade de passar, talvez pela possibilidade de não dar certo e parar o projeto por ali mesmo, mas fato é que aconteceu isso. Porém, estávamos muito bem preparados e muito acima da exigência que o campeonato pedia, então eu acho que esconder que existe essa pressão é uma grande burrice da nossa parte. A gente tem que conviver com ela, tem sim que preparar as meninas para isso e vamos ver o que vai acontecer, mas eu acho que tivemos muita preocupação em nos prepararmos para essa pressão.

Depois de tanto tempo treinando, como controlar a ansiedade de finalmente começar a disputa para a qual a equipe foi montada?

Não é fácil a gente gerenciar uma equipe sem o norte da competição, sem o gosto de entrar no palco durante uma preparação de 30 semanas. Imagina o que são 30 semanas para trás, cada crescimento que a gente precisou ter, cada inconsistência que tivemos, cada ajuste que precisamos fazer ao longo de tanto tempo sem enxergar qual seria a luz no fim do túnel. Mas eu te digo que esse ano, se nós passarmos - e é o que todos esperamos - a gente certamente já vai ter construído pilares muito sólidos de sustentação para um projeto mais longínquo.

O que pode falar da equipe de Marau, primeiro adversário?

É um time novo, aguerrido, buscou a vaga na Superliga C em uma chave mais competitiva do que a nossa e acho que tem o fator casa. Acho, e não escondo, o nosso time melhor tecnicamente, mas eles têm uma vantagem. Principalmente nesse momento em que todos conviveram com a ansiedade e todos convivem com a dúvida sobre o que vão encontrar. Eles devem ter um vídeo meu, ele tem o dele, cada um se prepara da sua forma, cada um estuda da sua forma, mas eles têm a grande vantagem de já terem disputado a competição. Então, no momento em que já disputaram e conhecem parte das equipes que também participaram no passado, e a competição continua no mesmo formato, eles levam vantagem. Mas eu acho que estamos preparados e eu tenho muita confiança de que a gente vai superar essa suposta vantagem que eles têm e começar com o pé direito.