4ª Entrevista
De Flapédia
Introdução
Entrevista - Nelson Pessoa
Nelson Pessoa Filho, o Neco, foi o maior cavaleiro brasileiro de todos os tempos, talvez apenas superado recentemente por seu filho, Rodrigo Pessoa, atual campeão olímpico. Nelson Pessoa, representou o Flamengo por vários anos, sendo que disputou duas Olimpíadas quando ainda atleta do clube. Atualmente ele é técnico e responsável por um dos mais famosos Centros de Treinamento de hipismo no mundo, na Bélgica. Sem duvida, Nelson Pessoa é internacionalmente a maior referência do hipismo nacional.
Entrevista com Nelson Pessoa, ex-cavaleiro do Fla
Como você começou no Hipismo?
Neslon: Eu começei a montar a cavalo no sítio do meu pai. Mas quando eu tinha 12 anos, os cavalos vieram para a Sociedade Hípica, e eu começei a montar aqui.
Conte um pouco da sua história:
Nelson: Fiquei dos 12 anos até os 18 anos na Sociedade Hípica Brasileira, competi em provas internas e nos torneios da federação, onde conquistei títulos como o do Campeonato Carioca e Brasieliro. Aos 18 anos, começei a viajar com a nossa equipe nacional. Minha primeira viagem foi para a Argentina, depois Chile e etc... Minha primeira viagem a europa foi em 1956, quando viajei junto com a nossa equipe nacional por causa das Olímpiadas. Fizemos um tour competindo pela Europa. Em 1959, voltei a passar alguns meses fazendo turnes pela Europa junto com a seleção. E em 1961, decidi tomar o esporte como profissão, e fui me instalar na Europa.
Como você chegou ao clube?
Nelson: Em 1954, houve uma controvérsia na Sociedade Hípica Brasileira, e nós, atletas, queriamos sair do clube. Através do contato do meu pai (Nelson Falcão Pessoa) que havia sido convidado pelo então presidente Gilberto Cardoso para ser vice-presidente de Remo, o Flamengo fundou uma Seção Hípica, e nós levamos nossos cavalos para lá.
Como era a estrutura do campo Equestre?
Neslon: O campo era atrás do gol do campo de futebol. Devia ser uma pista de uns 30m por 70m e tinhamos os box´s colados ao muro. Era uma instalação modesta mas suficiente.
Em que ano chegou no Flamengo e como foi sua passagem pelo clube?
Nelson: Cheguei em 1954, e fiquei até a minha ida para a Europa em 1960.
Como foi a sua ida para a Europa?
Nelson: Eu tive a oportunidade de ter uma instalação por lá com uma senhora francesa que estava de mudança para lá. Fiquei 8 anos da Suiça, depois mais 12 anos na França e por final em Bruxelas (Bélgica), onde estou até hoje.
Qual foi o título mais importante pelo Flamengo?
Nelson: Foi o meu primeiro título internacional, o Grande Prêmio de Mar del Prata, onde montei o cavalo Sereno, e tinha apenas 18 anos.
Qual a importância do Flamengo na sua carreira?
Nelson: Eu considero muito importante, pois na época estávamos com problemas políticos na Sodiedade Hípica, e no Flamengo encontrei a tranquilidade junto com grandes atletas que também foram para o Flamengo.
Quais são as suas lembranças da sua passagem pelo Flamengo?
Nelson: Da camaradagem destes atletas que foram para o clube, que eramos poucos. E a boa fase que tivemos por lá.
Fale um pouco dos outros atletas que chegaram ao Flamengo junto com você
Nelson: Tinha o Zé Mário, que era um menino bem mais moço que eu, era um excelente cavaleiro, muito competitivo. Como pessoa um bom menino, muito educado.
Existia uma rivalidade entre a Sociedade Hípica e o Flamengo?
Nelson: Exato. Devido a saída de alguns atletas para o Flamengo houve sim essa rivalidade, mas tudo apenas esportivo.
Qual a diferença entre o Hipismo da sua época e o atual?
Nelson: Hoje em dia, por causa da segurança do cavaleiro e dos animais, não temos mais obstacúlos do tamanho que havia. Tanto é que o recorde de salto ocorreu em 1949, com um salto de 2,49m. Os cavalos eram mais potentes, mas menos respeituosos ao circuitos normais.
Qual era a sua sensação ao ficar em cima do cavalo em um salto de mais de 2m de altura?
Nelson: É impressionante. É quase como você saltar uma baliza de futebol.
Você é torcedor do Flamengo, certo? Conte um pouco sobre isso...
Nelson: Quando eu nasci, meu pai era América. Mas depois da minha passagem pelo Flamengo, onde tinhamos o contato com os jogadores, assistiamos aos treinos, passamos a fazer parte do dia-a-dia do clube, nós viramos Flamenguistas e eu sou até hoje.
Você frequentava o Maracanã? Qual sua maior lembrança no estádio?
Nelson: Frequentava sim. Inclusive minha pior lembrança foi estar sentado ali nas cadeiras cativas, no setor 04, bem em frente onde o uruguaio atacou e fez o segundo gol na final da Copa do Mundo de 1950. E tenho ótimos lembranças de clássicos do Flamengo com mais de 150 mil pessoas assistindo.
O que achou da idéia da Flapédia, de tentar restaurar parte da história do Flamengo?
Nelson: Achei uma boa idéia. O Flamengo, devido ao seu tamanho, pode trazer uma grande divulgação do Hipismo.

