Opinião de Roberto Assaf sobre o Brasileiro de 1987
De Flapédia
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Introdução
Textos completos e opinião do Jornalista Roberto Assaf sobre o Campeonato Brasileiro de 1987. Os textos foram retirados da Página do Lancenet, onde o jornalista é colunista.
Texto
"Uma revolução aconteceu no futebol nacional em 1987. A CBF, mal administrada e sem recursos, declarou-se incapaz de promover o Brasileiro daquele ano, levando os principais clubes do país a criarem, em 11 de julho, uma liga independente chamada Clube dos 13. Este organizou a Copa União, reunindo 16 times, incluindo três convidados: Coritiba, Goiás e Santa Cruz, seguindo um ranking estabelecido com base no histórico do campeonato, desde 1971.
O movimento obteve três aliados, a Coca-Cola, a Varig, e principalmente a TV Globo, que comprou o evento com exclusividade. Sem opção, o presidente da CBF, Octávio Pinto Guimarães, aceitou tudo o que foi proposto. Mas em 14 de julho, o seu vice, Nabi Abi Chedid, resolveu divergir, mostrando que as transmissões de jogos ao vivo, inclusive para as próprias praças, iriam espantar o público dos estádios. Alegou também o dirigente que os clubes excluídos da Copa União, tal como essa foi formulada, seriam prejudicados.
Seguiram-se quase dois meses de discussões. Em 3 de setembro, o Clube dos 13 e a CBF anunciaram um novo acerto, um campeonato com 32 clubes, divididos em dois módulos: o Verde, reunindo os 16 principais, cujo vencedor seria declarado o campeão brasileiro, e o Amarelo, com outros 16 times, também escolhidos com base no tal ranking histórico, na realidade uma Segunda Divisão. Ao fim do campeonato, de acordo com o regulamento, os dois primeiros colocados de cada módulo disputariam um quadrangular, mas apenas para escolher os representantes do país na Taça Libertadores de 1988, para que o tal Amarelo tivesse um mínimo de dignidade.
O Clube dos 13 seguiu no firme propósito de descartar os caprichos e interesses de Nabi, cuja resistência, minada pela força dos grandes, acabou sendo vencida. Logo, o Clube dos 13 anunciou o início da Copa União para 11 de setembro, como ocorreu. O sucesso foi imediato. Por isso, os clubes do Amarelo não tardaram a pressionar a CBF, que resolveu anunciar um outro regulamento, embora - isso é incrível - a entidade não fosse a responsável pela organização do campeonato.
Segundo a nova determinação, imposta com a competição em pleno andamento, o quadrangular previsto para indicar os dois times do país na Libertadores, apontaria também o campeão brasileiro.
O Clube dos 13, é claro, e por unanimidade, descartou imediatamente tal possibilidade, recusando-se enfim a cumpri-la. Vale lembrar que as desavenças políticas entre Nabi e seus adversários continuaram existindo, e que o dirigente não tardou a assumir efetivamente o comando da CBF, depois que Octávio, enfermo, viu-se obrigado a se afastar da presidência da entidade. Assim, tornou o regulamento que previa o tal cruzamento, imposto com o campeonato em andamento, definitivamente oficial, embora não pudesse fazê-lo, pois a CBF - repita-se - não era a responsável pela organização do Brasileiro.
E ainda declarou o Sport como campeão, embora qualquer torcedor com bom senso e com capacidade para a compreensão dos fatos saiba que o verdadeiro vencedor daquele ano é o Flamengo".
Texto de Roberto Assaf
Opinião - Roberto Assaf
Roberto Assaf fala sobre o Campeão de 87
A Copa União foi a primeira rebelião bem-sucedida levada adiante pelos principais clubes do país contra os desmandos da CBF. Vencida em seu propósito de montar um campeonato nacional com mais de 20 clubes, a entidade viu-se obrigada a promover um outro, com a turma que ficou de fora do filet mignon. Enciumada, decidiu meter a sua colher, para provar ou pelo menos tentar provar quem tinha a força.
Assim, quando já haviam sido disputadas cinco rodadas da Copa União, a CBF impôs o tal cruzamento de que tanto se fala, dos dois primeiros colocados da Copa União, que a entidade passou a chamar de Módulo Verde, com os dois primeiros colocados do outro campeonato, que apelidou de Módulo Amarelo. O vencedor do quadrangular, anunciou a CBF, seria o campeão brasileiro. Os dirigentes dos clubes que disputavam a Copa União recusaram-se a cumprir a determinação, mesmo porque a competição não era organizada pela entidade.
Pois a Copa União, que começou em setembro, seguiu normalmente até dezembro, assim como o tal campeonato promovido pela CBF. A final da Copa União, como se sabe, foi disputada entre Flamengo e Internacional. Houve empate de 1 a 1 no Beira-Rio. No Maracanã, o rubro-negro venceu por 1 a 0. Pois no mesmo dia, 13 de dezembro de 1987, o Sport e o Guarani decidiram o título do tal Módulo Amarelo. No primeiro jogo, realizado em Campinas em 6 de dezembro de 1987, o Guarani venceu por 2 a 0. No da volta, o dia 13, em Recife, o Sport devolveu o placar. Houve a necessidade da prorrogação, que terminou em 0 a 0. Os dois clubes partiram para a decisão por pênaltis. Acabou em 11 a 11. Os presidentes do Sport, Homero Lacerda, e do Guarani, Leonel Martins de Oliveira, entraram em campo e acordaram em dividir o título. Apertaram as mãos e comunicaram o fato ao árbitro maranhense Josenildo Santos, que deu o jogo por encerrado.
Na quinta-feira, 21 de janeiro de 1988, o presidente do CND, Manoel Tubino, veio a público afirmar que era o Flamengo, e não a dupla Sport-Guarani, o legítimo campeão brasileiro de 1987. O seu discurso bateu de frente com o da dupla que comandava a CBF, formada por Otávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid. A dupla era inimiga pública e notória do presidente do Flamengo, Márcio Braga, somando assim mais um forte motivo para continuar impondo o tal cruzamento. Na realidade, a essa altura, já seriam seis os clubes a disputarem o quadrangular, dado que o Bangu e o Atlético-PR, eliminados respectivamente por Sport e Guarani nas semifinais do Módulo Amarelo, não chegaram a decidir quem seria o vice dessa competição. Sim, deveria haver um vice, já que Sport e Guarani dividiram o título - lembram-se?
Mas o fato é que Sport e Guarani cumpriram a tabela do tal quadrangular e chegaram à decisão do que a CBF chamava de Campeonato Brasileiro. No primeiro jogo, realizado em Campinas, no dia 31 de janeiro de 1988, houve empate de 1 a 1. No segundo, em 7 de fevereiro, em Recife, o Sport venceu por 1 a 0. E a entidade o proclamou campeão.
Assim sendo, o campeão oficial de 1987, o campeão da CBF, passou a ser o Sport. Até seria. Se o Atlético-PR e o Bangu decidissem quem era o vice e se um deles, ostentando tal condição, também participasse da decisão, dado que o título do tal Módulo Amarelo - lembram-se - foi dividido entre Sport e Guarani. Se são dois os campeões há de se ter um vice.
Ora, só os que não têm um mínimo de bom senso que preferem ficar repetindo que o título do Flamengo não valeu. Curioso: critica-se praticamente tudo o que a CBF faz. E só quando se trata da questão do Brasileiro - ou dos Brasileiros - de 1987 é que insistem em dar razão à entidade.
Ora, se vale o que chamam de oficial, porque não se defende o título que o Vila Nova de Minas levantou ao ganhar a Segunda Divisão de 1971, no primeiro ano em que a CBF tornou o Brasileiro oficial? Pois o Vila ganhou o campeonato e foi sumariamente excluído da Primeira Divisão em 1972. Como se vê, a entidade escorregou na banana logo no primeiro ano de campeonatos oficiais.
Reportagem publicada no dia 01/11/07 pelo endereço eletrônico: http://www.lance.com.br/clubes/FLA/noticias/07-11-01/185690.stm
Vídeo que faz referência ao assunto
Entrevista na FLA TV:
30/01/2009 - Nas Garras do Urubu: Roberto Assaf (parte de conteúdo de acesso livre)

