Taça das Bolinhas

De Flapédia

Taça das Bolinhas
Taça das Bolinhas

A Taça das Bolinhas, também chamada de troféu Copa Brasil é uma taça que foi criada no ano de 1975 pela Caixa Econômica Federal designado para que a CBF premiasse o primeiro clube a conquistar três edições seguidas do Campeonato Brasileiro ou cinco alternadas, incluindo na contagem os títulos conquistados a partir de 1971. A partir do ano da criação da taça, a CBF passaria a entregar, desde então, uma réplica da taça a todos os clubes campeões até que um deles conquistasse tal feito.

Com a unificação dos títulos da Taça Brasil e da Torneio Roberto Gomes Pedrosa feita pela CBF em dezembro de 2010, Santos e Palmeiras são considerados por essa entidade como os maiores campeões brasileiros, com oito títulos cada. Com isso, o time da Vila Belmiro conseguiu três títulos consecutivos, outra condição imposta pela Caixa para dar a Taça das Bolinhas, e alcançou o seu penta entre 1961 e 1965. O Verdão também chegou ao quinto título em 1972.

Contudo, tanto os alvinegros quanto os alviverdes, atingiram seus feitos antes da criação da Taça das Bolinhas, em 1975. Por isso, a Caixa ou a CBF não os inclui na contagem para levar o troféu.

Por permanecer durante anos guardada no cofre da Caixa Econômica sem um proprietário definitivo, a peça precisou ser restaurada, pois já se encontrava oxidada. O design da mesma foi criado por meio de um concurso vencido por um artista plástico chamado Maurício Salgueiro, é composta por 156 esferas em ouro e prata, distribuídas em 13 níveis, apoiadas em uma base de jacarandá.

No ano de 1992, o Flamengo se sagraria o primeiro clube cinco vezes Campeão Brasileiro, porém, devido a uma polêmica criada pela CBF no campeonato de 1987, a entidade havia se recusado a entregar uma réplica do troféu ao clube da Gávea naquele ano. Mesmo não entregando o troféu terminantemente ao Flamengo, em 1992, mesmo ano da quinta conquista do clube, a CBF entrega a réplica do troféu pela última vez e cria um novo troféu para premiar os campeões a partir do ano de 1993.[1]

Como a CBF jamais entregou definitivamente a Taça de Bolinhas ao Flamengo, o São Paulo passou a reivindicá-lo a partir do ano de 2007, quando também se sagraria campeão pela quinta vez, quinze anos após a conquista do penta rubro-negro. Tal atitude gerou uma grande polêmica entre os dois clubes que perdura até hoje.[2]

Dia 15 de abril de 2010, quando a CBF ainda se recusava a reconhecer o Flamengo como campeão legítimo de 87[3][4][5], essa entidade determinou que a taça devesse ser entregue ao São Paulo[6], porém a taça permaneceu no cofre da Caixa para ser restaurada.[7] No dia 14 de fevereiro de 2011 a Caixa Econômica Federal, de forma precipitada, entrega a Taça de Bolinhas ao São Paulo F. C.[8], mesmo após o Flamengo ter conseguido uma liminar para impedi-la.[9][10][11][12] De acordo com a juíza Simone Dalila Nacif Lopes, o São Paulo "teve direta participação na causa de toda essa polêmica na medida em que participou da decisão de não efetuar o cruzamento entre os módulos verde e amarelo (em referência ao regulamento de 1987, modificado pela CBF durante a competição). Além disso, ainda segundo a juíza, "o recebimento pelo São Paulo Futebol Clube da denominada Taça das Bolinhas afronta o princípio de boa-fé objetiva".[13]

Em seguida, o Flamengo ingressou com um pedido de busca e apreensão na 50.° Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, exigindo a devolução da taça à CEF até que a questão seja decidida.[14][15]

Conteúdo

Contexto

1992 - Última edição do Brasileirão em que a réplica da Taça de Bolinhas foi entregue ao campeão da competição.
1992 - Última edição do Brasileirão em que a réplica da Taça de Bolinhas foi entregue ao campeão da competição.

Em 1987, a CBF, essa mesma entidade que hoje arrecada milhões em contratos de patrocínios com a Seleção Brasileira de Futebol, se encontrava quase falida, e alegou não possuir fundos para realizar o Brasileirão, cedeu então ao apelo dos clubes, deixando então em função do Clube dos 13 a organização do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1987.[16] O descrédito da CBF perante os clubes mais populares do país era tamanho que várias agremiações, incluindo o próprio São Paulo, ameaçavam não participar do campeonato daquele ano caso o mesmo fosse novamente organizado pela CBF.[17]

Para que acontecesse o Brasileirão de 87, os marqueteiros do clube dos 13 arregaçaram as mangas e a entidade conseguiu fechar contratos de patrocínios jamais vistos no futebol brasileiro até então. A CBF, mesmo se sentindo pressionada pelos clubes que disputariam a segunda divisão(1) já havia entrado num acordo e cedido a todas as exigências do Clube dos 13, mas quando o dinheiro apareceu, a história mudou de lado e a mesma tentou de alguma forma participar da competição que já estava negociada com as transmissões de TV, com o Grupo União, dentre outras marcas, após meses de planejamento.

Para a realização do campeonato, o Clube dos 13 cedeu à CBF pela indicação de mais três clubes de Estados diferentes que não faziam parte do Clube dos 13 e por um quadrangular final contra os dois finalistas do chamado Módulo Amarelo para decidir as duas vagas que deveriam representar o Brasil na Taça Libertadores de 1988.(1)[18][19] A CBF, mesmo sem ter realizado diretamente o torneio, determinou ao decorrer da disputa que haveria de fato o cruzamento entre os grupos na fase final, para assim ser conhecido o campeão nacional do ano. Eurico Miranda, como interlocutor do Clube dos 13, assinou o termo de acordo entre a entidade e a CBF, que previa a intercalação dos módulos da onde originaria toda a polêmica, mas imediatamente, o acordo foi recusado e jamais fora assinado pelos membros associados da entidade Clube dos 13.[20]

O Flamengo se sagrou campeão vencendo a final contra o Internacional por 1 X 0 com o time de Zico[21] & Cia (um dos maiores esquadrões formado pelo rubro-negro em toda as épocas)[22]. O Brasil inteiro comemorou o título.

A CBF alegava que Flamengo e Internacional, respectivamente, campeão e vice da Copa União (competição chamada pela CBF de Módulo Verde) se recusaram a realizar um quadrangular contra Guarani e Sport, campeões do Módulo Amarelo para decidir quem seria o campeão brasileiro do ano de 1987.

Apesar da CBF ter mantido a mudança do regulamento, o Conselho Arbitral votou pela não realização do cruzamento, o STJD, representado pelo CND que era a maior instância esportiva da época, por unanimidade, considerou em seu veredicto o Flamengo como legítimo campeão brasileiro.

A disputa entre Flamengo e São Paulo

O imbróglio a cerca do troféu deu início em 2007. O Flamengo, já era então considerado o campeão brasileiro de 1987 pela entidade Clube dos 13 e pelo CND, assim sendo o primeiro pentacampeão brasileiro (1980, 1982, 1983, 1987 e 1992), porém, assim que o São Paulo Futebol Clube também conseguiu se tornar pentacampeão brasileiro em 2007, passou então a se considerar como o primeiro penta e a exigir que o troféu lhe fosse entregue, já que a CBF considerava apenas o Sport Club do Recife, campeão do Módulo Amarelo (Segunda divisão de 1987), como campeão oficial do Campeonato Brasileiro. Sendo assim, o Flamengo retornou a reivindicar o troféu que lhe fora negado pela CBF.[23]

Acontece que além do regulamento ter sido modificado pela CBF em meio ao campeonato em 1987[24], o Flamengo, ao lado do vice-campeão, o Internacional, se recusaram a jogar a fase final do torneio em função de um pacto realizado pelo Clube dos 13, que por mais irônico que pareça hoje, na época essa entidade era presidida pelo também presidente do São Paulo, Carlos Miguel Castex Aidar, que além de ter sido um dos principais organizadores do campeonato, também foi o idealizador do evento dando apoio incondicional ao Flamengo e ao Internacional, já que a entidade considerava que qualquer que fosse o clube vencedor, não deveria disputar o cruzamento. Aidar sempre havia sido um dos principais defensores do título brasileiro do Flamengo na Copa União de 1987[25] Sem contar que o atual presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio (que hoje está tentando se reeleger pela segunda vez) era na ocasião membro da diretoria do São Paulo e braço direito de Aidar na época, estando assim, sabido melhor do que ninguém no seu clube e ciente de toda a desavença que houve em 1987.[26]

O Clube dos 13 tinha como objetivo organizar a competição que representaria o Campeonato Brasileiro de 1987. O São Paulo encabeçou o movimento, presidiu a liga e participou diretamente do conselho que aprovou o regulamento da Copa União. Apoiou e teve influência direta na não realização do cruzamento imposto pela CBF. Agora se recusa a reconhecer o Flamengo como o legítimo primeiro pentacampeão brasileiro e, portanto, único merecedor da Taça de Bolinhas.

Diante de tal postura, o São Paulo subordina seus princípios, e dessa forma, contraria inclusive o que o próprio clube na condição de presidente havia assinado em reuniões com o clube dos 13 que consignaram o Flamengo como o campeão brasileiro de 1987, bem como em 24/06/1988 na sede do S. E., Palmeiras, onde consta também a assinatura do atual presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, que na época já se encontrava no posto de presidente do clube a partir de abril de 88, sucedendo Aidar, que continuou como presidente do C13 e no SPFC como presidente do Conselho deliberativo[27], e ainda no dia 09/12/1997 quando na ocasião foi solicitada a integração do Sport na entidade. Nesse documento de 97, além do São Paulo, consta inclusive, a assinatura do próprio Sport consentindo da homologação do título de 87.[28][29][30]

Segundo a diretoria rubro-negra, ao mudar o seu posicionamento, agindo de forma extremamente antiética, hoje a diretoria do São Paulo mancha e ridiculariza o nome de sua instituição. Além de ter oportunamente modificado seu discurso quanto ao campeão de 1987, ainda alega nessas circunstâncias a falácia de que o Sport é o verdadeiro campeão porque foi esse clube quem disputou a Copa Libertadores do ano seguinte sob o aval da CBF, como se um grande equívoco se justificasse com outro.

Devido a essa falta de bom-senso, em fevereiro de 2011 a diretoria do Flamengo anunciou a aprovação de uma moção de repúdio ao atual presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio.[31]

Vídeo Entrevista

Entrevista com Carlos Miguel Aidar (presidente do São Paulo F.C. na época e idealizador, fundador e presidente do Clube dos 13 em 1987) no programa "Juca Entrevista" da ESPN.

Parte 1 Parte 2 Parte 3

Links externos

publicidade

publicidade

publicidade