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De olho no pódio: Isaquias Queiroz

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O nome de Isaquias Queiroz se destaca em qualquer lugar que apareça. Vencedor de três medalhas olímpicas no Rio de Janeiro em 2016, sendo duas pratas e um bronze, o canoísta sabe como poucos o que é chegar ao auge da carreira ao pisar no palco da maior competição de esportes olímpicos do mundo. Já experiente e determinado a honrar a memória do ex-treinador Jesús Morlán, que faleceu no ano passado, Isaquias escolheu voltar ao Flamengo para cumprir sua missão de retornar aos Jogos Olímpicos em 2020, buscando nada menos do que o pódio mais uma vez.

A história do atleta começou a se misturar com a do Rubro-Negro há nove anos. No esporte desde 2005 através de um projeto do Governo Federal, ele resolveu desembarcar no Rio de Janeiro. Vestiu o Manto Sagrado e gostou. Depois de conquistar um ouro no Campeonato Mundial Júnior de Canoagem em 2011, ele ficou mais dois anos e resolveu sair para se dedicar à Seleção. Cresceu, amadureceu e venceu. No ano passado, Isaquias decidiu voltar e viver novamente o clube da Gávea em outra fase da vida.

Na série 'De Olho no Pódio', o site oficial do Flamengo conta as histórias de alguns dos principais atletas do clube e do Brasil, passando pela vida pessoal, carreira e, claro, o Mais Querido. Conheça um pouco mais daqueles que fazem os esportes olímpicos rubro-negros e brasileiros mais fortes.

O início profissional
Comecei em 2005 em Ubaitaba, na Bahia, pelo projeto Segundo Tempo, do Governo Federal. A ideia era passar o primeiro período no colégio e o segundo fazendo qualquer esporte. Tinha, além da canoagem e algumas outras coisas, o futebol, que era o que eu havia escolhido inicialmente. Como todo brasileiro, eu amo futebol. Porém, não cheguei a praticar. Quando fui ao colégio para colocar na folha qual era minha escolha, eu pedi para a professora mudar para a canoagem. Essa modalidade era muito forte lá na cidade e todos conheciam. Então comecei.

Com uns dois meses participei de um Campeonato Baiano e fiquei em quarto lugar. Um tempo depois fiquei em primeiro e assim vi que tinha talento para o esporte. Como na vida de todo atleta, é muito difícil viver disso. Cheguei a desistir da canoagem, voltei, desisti de novo e voltei mais uma vez. Comecei a focar mesmo e decidi ser um profissional em 2009, quando fui para a Seleção. Em 2010 a sede deles mudou para o Rio de Janeiro e eu mudei de clube, chegando ao Flamengo, onde fiquei até 2013.

O Flamengo na vida de Isaquias
Foi aqui que comecei de fato a minha carreira profissional. Em 2011 ainda fui campeão Mundial Júnior com o Manto Sagrado. Depois disso, nunca mais voltei para a Bahia e nem saí da Seleção Brasileira. Acredito que o meu auge está sendo agora. A volta ao Flamengo foi muito boa e o momento foi excelente. Conversei muito com os dirigentes e agora está mais estruturado, com mais pessoas focadas nos esportes olímpicos. Isso me chamou muita atenção. Poder voltar e ver essa torcida enorme por mim é muito especial.

Momento marcante
O Campeonato Mundial Júnior vestindo essas cores foi muito especial. Eu tinha 17 anos e ganhar uma medalha como essa, ainda mais representando o Flamengo, foi grandioso. Todo atleta sempre sonha em defender um clube grande. Estar fazendo isso naquela idade foi muito bom.

Rotina
Começo a treinar na segunda-feira até sábado, com alguns dias pela tarde de descanso. Acordo às 7h30, tomo café e vou para o treinamento. É mais ou menos 1h20 na água, uns 15km, na manhã, às vezes tem academia, corrida, até vôlei para mudar um pouco de esporte. Volto depois do almoço para mais uma etapa de treinos. Minha vida hoje é inteira pensando no esporte e nos treinos. É isso que me dá resultados, pois me dedico bastante.

Dificuldades de ser um atleta de alto rendimento
Às vezes, principalmente em esportes que não são muito conhecidos, a maior dificuldade é conseguir patrocínio. A canoagem, ainda bem, está tendo seu destaque na imprensa, as pessoas estão falando mais sobre. Graças a Deus sempre tive grandes apoiadores do meu lado, principalmente o Comitê Olímpico, que foi uma das entidades que levantaram a minha carreira. Eles trouxeram o Jesús Morlán (ex-técnico) para a minha vida, que foi o grande motivo de eu ter chegado onde cheguei. A Confederação e o Ministério do Esporte também, tenho ainda patrocinadores pessoais. O Flamengo veio para me ajudar e manter a tranquilidade no treinamento, estão sempre falando comigo para saber como estão as coisas, disponibilizaram profissionais médicos para o auxílio completo. Não tenho do que reclamar, tenho uma grande equipe que me ajuda a continuar em alto rendimento.

Principais competições de 2019
Tive duas Copas do Mundo recentes que serviram para avaliar meu rendimento em relação aos adversários. O desempenho foi bom, já que foram dois ouros em quatro provas. Agora estou pensando nos Jogos Pan-Americanos de Lima, um torneio importante de visibilidade para o Brasil. Os brasileiros gostam quando vencemos medalhas nessas competições. A mais importante será o Mundial, disputado em agosto, que vale vaga olímpica. Estamos muito focados para termos a chance de ir para Tóquio.

Preparação e o objetivo de honrar Jesús Morlán
A preparação para o Pan será complicada, pois é muito próximo do Mundial. Mesmo assim é um torneio especial. Vamos chegar quase no dia do início da competição para voltar em seguida e seguir treinando. A Olimpíada é o evento mais importante da carreira de um atleta, estamos dia após dia trabalhando pensando nisso. Para mim, será ainda mais importante, pois se eu conseguir essas medalhas novamente - tenho uma meta de conquistar cinco olímpicas na carreira - poderei estar junto com grandes atletas na história do Brasil. Além disso, o Jesús (Morlán) queria chegar a dez em Jogos Olímpicos. Então esse será um objetivo para poder honrá-lo.

Família
Meu filho me deixa de cabelo em pé às vezes, mas me dá muita alegria e é muito bagunceiro. Minha esposa me dá muito conforto e felicidade. Ela vê os vídeos das provas e vai observando algumas coisas que posso fazer para melhorar, sempre conversando. Amo minha família e sou muito feliz. Ainda tenho um total de dez irmãos.

Ídolo no esporte e homenagem
Sou muito fã do Sebastian Brendel, da Alemanha. É meu grande rival e admiro o jeito que ele rema, que sempre respeitou os adversários. O nome do meu filho é por causa dele. No esporte brasileiro são vários, no futebol tenho alguns também. O Brasil é cheio de estrelas. Cheguei a conhecer alguns atletas da ginástica artística, por exemplo, quando estava no Flamengo há uns anos, então sempre torço por essas pessoas que conheço ao longo da vida. Isso é muito legal para mim.

O que faz no tempo livre?
Mais descanso, pois esporte de alto rendimento é muito cansativo. Se você quer chegar no topo, tem que se dedicar 24h por dia. Em tempo livre, é preciso relaxar também. Quando estou na Bahia mais relaxado, gosto de ir à praia e me distrair um pouco. Gosto muito de videogame, principalmente se for de futebol. Em Lagoa Santa eu ainda jogo muito vôlei de praia, fico contando as horas para ir. Às vezes ainda jogo um futebol com os amigos. Gosto de estar ligado a vários esportes.

Outro esporte além da canoagem?
Futebol. Estou sempre assistindo aos jogos. Se eu tivesse o dom, gostaria de ser jogador.

Ficha técnica
Nome: Isaquias Queiroz dos Santos
Idade: 25 anos
Naturalidade: Ubaitaba, Bahia
Principais conquistas: Duas pratas e um bronze nos Jogos Olímpicos Rio 2016, quatro ouros e três bronzes no Mundial de Canoagem de Velocidade, dois ouros e uma prata nos Jogos Pan-Americanos 2015.