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De olho no pódio: Vanessa Cozzi

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Com um ano e meio na prática do remo, Vanessa Cozzi engravidou da filha Larissa. O que poderia ter virado um motivo para abandonar a carreira se tornou, na verdade, uma motivação. Com forças renovadas, ela retornou ao remo e se classificou para os Jogos Olímpicos Rio 2016, chegando ao lugar que todo atleta almeja.

Aos 35 anos, Vanessa agora conseguiu a vaga para seu primeiro Pan-Americano na carreira. Apesar da breve trajetória de oito anos na modalidade, a remadora terá a oportunidade de conquistar ainda mais e, quem sabe, chegar à Olimpíada novamente.

Na série 'De Olho no Pódio', o site oficial do Flamengo conta as histórias de alguns dos principais atletas do clube e do Brasil, passando pela vida pessoal, carreira e, claro, o Mais Querido. Conheça um pouco mais daqueles que fazem os esportes olímpicos rubro-negros e brasileiros mais fortes.

Início no remo
Comecei a praticar o remo em maio de 2012 em São Paulo. Decidi que faria isso profissionalmente quando me classifiquei para as Olimpíadas de 2016. Já tinha vontade antes, mas quando consegui a vaga em 2015, eu ainda trabalhava com marketing e treinava só um período. Quando fui para os Jogos, pedi uma licença sem remuneração para competir.  Em 2017, voltei a trabalhar e conciliar os dois, mas ano passado passei a focar só em treinar.

Chegada ao Flamengo
Entrei em fevereiro deste ano. Já conhecia o clube por ter treinado aqui antes por conta da Seleção Brasileira. Muitas vezes competia em Double Skiff com remadoras do Flamengo, então vinha fazer campings. Sempre gostei muito da estrutura e surgiu a oportunidade. Pensei que era onde eu precisava ir para conquistar meus próximos objetivos. Não conhecia lugar melhor. Estava no Pinheiros que também era ótimo, mas aqui é o local certo em termos de preparação para Olimpíadas.

Momento marcante com o Manto
Por incrível que pareça, foi a minha primeira competição, a 1ª Regata do Estadual. Disputei a categoria Single Skiff Aberto, que nem é a minha, e o Four Leve. Entrei nessa prova pensando apenas em ter um bom desempenho, mas sem tanta expectativa. Depois dos 1.000m, já estava na zona de premiação e comecei a dar uma forçada. Passei a primeira colocada e levei a medalha de ouro. Foi uma junção de coisas que me marcaram muito.

Dificuldades em ser um atleta de alto rendimento
A maior dificuldade é conseguir se dedicar e renunciar muitas coisas. Ser atleta não é só aquele treino de segunda a sábado, é 24h por dia o ano todo. Tem que ter noção que você estará longe de aniversários de família, por exemplo. Já aconteceu comigo de acabar fora no meu próprio aniversário, no da minha filha. Você vai deixar de sair, de viajar. Eu ainda preciso me dividir bastante entre Rio e São Paulo, fico bastante tempo longe deles. Tem que entender isso e saber que está se doando por ser uma profissão que exige muito de estar 100%. Precisa ter uma alimentação saudável, descanso, abdicar do social. Mas quando o resultado chega, você vê que valeu a pena.

Rio 2016
Foi uma experiência incrível. O maior sonho de atleta de alto rendimento é chegar à uma Olimpíada, estar ali representando seu país em um evento que acontece de quatro em quatro anos e que todos querem estar, mas poucas pessoas no mundo podem ir. Fazer parte desse grupo seleto já é um grande feito, principalmente em um local que não tem tanta tradição de remo como o Brasil. Conseguir isso é grandioso, é inigualável. Por ter sido aqui, minha família pôde ver, vários amigos estiveram presentes, a energia da torcida brasileira é diferente. Então foi bem especial. Agora estou tentando para Tóquio 2020.

Principais competições de 2019
Esse ano primeiro foi a Seletiva para a Seleção e agora são os Jogos Pan-Americanos. Será minha primeira vez e estou com expectativas altas para representar meu país. Depois é pensar nas classificatórias olímpicas, que são ou o Mundial de 2019 ou o pré-olímpico ano que vem. Agora o foco é só no Pan. Estou treinando muito duro como nunca fiz antes, com muito volume, intensidade, pensamento total no esporte. Minha expectativa é a classificação para representar o país da melhor forma. Se der para ir para a segunda Olimpíada, já estarei até mais preparada emocionalmente.

Rotina
Levando às 5h15, tomo café e chego aqui por volta de 6h30. Depois são duas sessões de treino, volto para casa e retorno para mais dois períodos de trabalhos.

Família e a importância da filha
Tenho uma filha de quatro anos que nasceu em 2014. Fazia um ano e meio que tinha começado no remo. Competi a Seletiva para o Pan-Americano de Toronto e foi aí que entendi que tinha coisas para conquistar neste esporte. Meu início no remo foi tardio, mas já tinha preparo físico de outro esporte. Aí engravidei da Larissa no mês seguinte dessa Seletiva e passei o resto do ano sem treinar. Voltei em 2015 e fui para a Olimpíada em 2016. Minha filha aconteceu no meio do processo, mas ela foi essencial por me dar toda força que preciso para continuar. Sou casada com um remador, o Renan (Koplewski de Castro), que foi quem me incentivou e me levou para o esporte. Ele esteve no Pan-Americano de 2007 e ficou em segundo, hoje já parou a carreira. Em casa tenho muito apoio da família, meus pais e irmãos. Para estar aqui no Rio, tem alguém cuidando da minha filha em São Paulo e ajudando na logística para que eu fique tranquila. Minha casa é lá e estou sempre indo para vê-los, além de também treinar um período em SP.

Período na natação
Muitos não sabem, mas competi na natação por 12 anos. Não vim do nada. Estava nos 200m peito e 4000m livre nessa época. Sempre fui muito magrinha, então me dava melhor nessas. Meu melhor título foi terceiro no Campeonato Brasileiro. Nunca defendi a Seleção Brasileira por ter saído cedo da natação, fiquei só até os 21 anos. Depois ainda disputei Maratona Aquática, ficando em segundo geral em um Paulista que só disputei as etapas finais e fui muito bem. Em seguida, fiquei seis anos fazendo outras coisas sem ser competitivamente. Aí conheci meu marido e fui para o remo.

Ídolo no esporte
Geralmente são as pessoas que se destacam. Já li muito a respeito do Usain Bolt e do Michael Phelps, que estão ali e não é por acaso. O mesmo vale para o Ayrton Senna. Olho para várias atletas da minha categoria no remo, como a Zoe McBride, da Nova Zelândia, e a Ilse Paulis, da Holanda, que levou o título da minha prova na Rio 2016.

Hobbies
Viajar e dançar.

Acompanha outras modalidades?
Natação e corrida.

Tempo livre
Tento descansar, ler um livro, dar uma volta com a minha família. Coisas bem tranquilas.

Ficha técnica
Nome: Vanessa Cozzi de Castro
Data de nascimento: 25/03/1984
Idade: 35 anos
Altura: 1,69m
Naturalidade: São Paulo
Principais conquistas: Campeã Sul-Americana (2016), bicampeã Brasileira, campeã Carioca e participação nos Jogos Olímpicos (2016).