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Futebol do Flamengo

Acharam que futebol era coisa de elite. Logo o clube do povo? #aquiehdiferente

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Na primeira década do século passado, o remo começou a dividir a preferência popular com o futebol, e o Flamengo estava predestinado a ter o papel de protagonista nessa nova paixão nacional.

Era muito comum que atletas de remo também jogassem futebol e vice-versa. Até então, remo era visto como um esporte de homens (fortes, de fibra, instrumento quase de guerra) e futebol, uma atividade de quem apenas corria atrás de uma bola.

Em 1911, o remador do Flamengo Alberto Borgerth, que também jogava futebol em outra agremiação resolveu iniciar o esporte no rubro-negro. Borgeth, que era craque e capitão do time teve um desentendimento interno em seu então clube de futebol, e assim resolveu sair juntamente com outros jogadores e fez a proposta de criar uma sessão de futebol no Flamengo.

Houve quem resistisse a ideia pois o futebol era visto como esporte de elite. Mas no clube do povo não tem essa. Logo o futebol foi aprovado, e no dia 8 de novembro daquele ano, foi fundada a ‘’Seção Deportos Terrestres do Flamengo’’.

Acredite, o maior clube do mundo começou a sua história de futebol sem haver sequer campo para treinar – e isso foi ótimo! Os primeiros toques na bola aconteceram na Praia do Russel, o que contribui para que rapidamente atingisse uma alta popularidade entre aqueles que gostavam de futebol, e aproximasse quem torcia pelo Flamengo nas regatas a apoiar também seu novo esporte.

A maioria de seus adversários possuíam locais para treino, e ali, no meio do povo e jogando na rua o Flamengo dava seus primeiros toques na bola. O rubro-negro chamava a atenção dos populares que por ali passavam e assim conviviam com o dia a dia do time.

Em 3 de maio de 1912, enfim a primeira partida e uma grande vitória de 15 a 2 sobre o Mangueira, no campo do América. Gustavo de Carvalho marcou o primeiro gol da história do clube. A escalação rubro-negra naquele jogo foi Baena, Píndaro e Nery; Coriol, Gilberto e Gallo; Bahiano, Arnaldo, Amarante, Gustavo e, claro, Borgerth.

Não demorou muito e além de campeão em mar, também nos tornaríamos em terra. No ano de 1914, o Flamengo conquistou o primeiro de seus 35 títulos do Campeonato Carioca. A conquista veio com uma rodada de antecedência, após uma vitória de 2 a 1 sobre o Fluminense. Riemer fez o gol do título.

Dois anos depois, em 1916, o Flamengo passou a mandar os jogos em seu próprio campo, na Rua Paissandu, no bairro do Flamengo, em um terreno que tinha alugado junto a família Guinle, dona do Copacabana Palace na época. Atenção, era um campo, e não um estádio! O fato de jogar em um campo na rua, fazia com que pessoas de todos os gêneros e classes pudessem acompanhar o futebol do clube, aumentando ainda mais a sua já crescente popularidade.

O primeiro manto do futebol foi a ‘’papagaio vintém’’, quadriculada em vermelho e preto. Em 1914, o Flamengo passou a usar o uniforme ‘’cobra coral’’. Esse tinha listras horizontais rubro-negras, convivendo com listras mais finas brancas. O uniforme passou a ter apenas listras horizontais vermelhas e pretas oficialmente após estrear com vitória de 3 a 1 sobre o São Bento de São Paulo em 1916.

E o manto branco? Relatos montam que o manto branco surgiu da necessidade de ver os jogadores a noite ou ao entardecer. Quem diria que o mundial seria nosso naquele original adidas branco-rubro-negro.

Antes de conquistar o mundo, o Flamengo passou por duas finais violentas na América onde nossa raça e fibra foram colocadas a prova. Uma no Maracanã e outra no Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Inclusive, na segunda partida da final da Libertadores, Mario Soto, jogador do Cobreloa, incrivelmente agredia os jogadores do rubro-negro com pedras!

Após duas equilibradas e violentas partidas, na mais pura raça, o Flamengo foi para o terceiro jogo em campo neutro no Uruguai, vencendo o time chileno por 2 a 0, com dois gols dele, Zico.

Em meio a comemoração pela conquista da América, uma tragédia assombrou o clube. Cláudio Coutinho ex-treinador, principal formador e incentivador da inesquecível equipe da Gávea (que se iniciou naquele gol de cabeça do Rondinelli em 1978) morreu tragicamente afogado.

Com menos de 20 dias para se preparar para o jogo contra o poderoso Liverpool, a tragédia se transformou em combustível extra para a conquista do mundo. Ganhar esse título era a maior homenagem para o falecido ex-treinador.

O comandante àquela altura era Paulo César Carpegiani, ex-jogador que atuou na lateral para Coutinho em campo, e já dirigia o time deste Setembro de 1981, sendo o técnico campeão da Libertadores com seus ex-companheiros e jogadores formados por Coutinho na Gávea.

No Japão para a grande final do mundo o Flamengo contava com um elenco formado em sua maioria nas categorias de base do clube, que tinham no DNA, raça, amor e paixão de quem é Flamengo. O melhor time da Europa, três vezes campeão do continente entre 1977 a 1981, tomou em Tóquio um verdadeiro baile do Flamengo.

A reconhecida competitividade do Liverpool foi destruída em 45 minutos de jogo pelo toque de bola envolvente do Flamengo. Fato é que raras vezes na história do futebol se viu uma equipe fazer uma partida tão perfeita. Zico levantou a taça de Campeão do Mundo em Tóquio, no Japão, decretando que no Rio não haveria outro igual. Agora seu povo, quer o mundo de novo.