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Rebeca Andrade garante o ouro e é a primeira brasileira a ganhar duas medalhas em uma Olimpíada

Atleta do Flamengo vence na prova de salto

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Foto: Ricardo Bufolin

Três dias após conquistar a primeira medalha da ginástica artística feminina do Brasil, a prata no individual geral, a rubro-negra Rebeca Andrade deu continuidade à história que está escrevendo nas Olimpíadas de Tóquio. Num capítulo ainda mais emocionante, ela ganhou a medalha de ouro na disputa do salto, neste domingo (1).

Rebeca é a primeira brasileira a ganhar duas medalhas na mesma edição olímpica. E ainda pode melhorar. A atleta do Flamengo  poderá conquistar a terceira medalha, nesta segunda-feira (2), quando disputará a final do solo, às 5h57, com seu “Baile de Favela”.

"Meu foco não é a medalha, é fazer boas apresentações. Ontem eu estava muito feliz. E é essa sensação que eu quero levar pra amanhã", disse Rebeca, avaliando a exibição deste domingo.

“Não foram meus melhores saltos. Mas isso é ginástica. Tirei nota suficiente para garantir o primeiro lugar. Estou muito, muito feliz! Agora tenho duas!”

Na final do salto, diferentemente dos outros aparelhos, cada atleta se apresenta duas vezes, com saltos que necessariamente precisam ser diferentes. Rebeca foi a terceira a se apresentar e emplacou um 15.083, ficando em primeiro lugar. Mykayla Skinner, dos Estados Unidos, garantiu a prata com 14,916, e Seojeong Yeo, da Coréia do Sul, foi bronze com 14,733.

Essa foi a primeira vez que Rebeca disputou uma final de salto em grandes competições, mas não por falta de talento para isso. Desde que chegou à categoria adulta, em 2015, ano em que completou 16 anos, como exige a ginástica artística feminina, a brasileira ou estava machucada nos principais eventos ou foi poupada exatamente para não se machucar. Ela perdeu os Jogos Pan-Americanos de 2015 e 2019 por lesões no ligamento anterior cruzado (LCA) do joelho direito, assim como os Mundiais de 2015, 2017 e 2019. Ela só participou de grandes competições em anos pares, e se recuperando dessas lesões, cujas recuperações levam de seis a oito meses em esportes de menos impacto no joelho, e ainda mais para se executar exercícios na altura que Rebeca alcança.

Para se classificar a uma final de salto é necessário apresentar dois saltos diferentes na fase de classificação. O que vale para classificação para individual geral e final por equipes, é um extra. Para não colocar o joelho em risco, Rebeca não fez esse salto extra nem na Rio-2016, em que teve a quarta melhor nota da fase de classificação no primeiro salto, nem no Mundial de 2018, em que sua nota foi a terceira melhor. Agora Rebeca está há dois anos sem lesão e a comissão técnica entendeu que ela estava em condições físicas e psicológicas de fazer um segundo salto na classificação para pegar final e permitir que a brasileira brigasse por medalha hoje.