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A estrada para o Flamengo: Michel Pessanha

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Superação, determinação e força de vontade. Assim podemos definir a história de vida de Michel Pessanha, um dos atletas mais vitoriosos e talentosos do pararemo rubro-negro e brasileiro. A poliomielite, popularmente conhecida como paralisia infantil, apareceu ainda na infância e causou algumas sequelas em sua perna direita. Mas, quem pensa que ele desistiu de buscar seus objetivos, está enganado. Quando decidiu se dedicar ao esporte, Michel saía de Duque de Caxias todos os dias de madrugada para ir treinar na Gávea, dando suas primeiras remadas na Lagoa Rodrigo de Freitas. O sacrifício foi recompensado! Com diversas medalhas, viagens, Mundiais e uma Paralimpíada na bagagem, ele se tornou uma das grandes referências da modalidade.

A série ‘A Estrada para o Flamengo’ desta semana conta a história de Michel Pessanha, um dos principais atletas paralímpico do clube e do Brasil. Conheça detalhes sobre a história daqueles que contribuem para que os esportes olímpicos rubro-negros e brasileiros se tornem ainda mais fortes.

Michel Gomes Pessanha Nascimento
Modalidade: Remo
Nascimento: 29/03/1979
Altura: 1,71m
Naturalidade: Rio de Janeiro

Foto: Marcelo Cortes / Flamengo

O início e chegada ao Flamengo
Quando começou no esporte, Michel pesava 96kg e estava com uma certa dificuldade para caminhar e tinha falta de ar. Então decidiu que era preciso fazer alguma coisa para mudar aquela situação e resolveu iniciar na musculação. Logo depois, foi treinar levantamento de peso.

Certo dia, uma chamada na televisão sobre esportes olímpicos e remo lhe chamou a atenção. Foi a partir desse momento que começou a trajetória de Pessanha pelo Mais Querido. Seu primeiro contato no Flamengo foi com o treinador Franquilim, responsável por tocar o projeto paralímpico de remo no clube. Após Michel mostrar interesse em fazer parte, o técnico disse que iria conversar com a diretoria e daria uma resposta. Vários contatos telefônicos eram feitos entre os dois, até que um dia decidiram iniciar os treinamentos na Gávea. No começo, ficou estabelecido que seriam duas atividades por semana. O carioca, empolgado com a oportunidade, disse para Frank que gostaria de treinar todos os dias.

Apesar da vontade do atleta, o treinador freou sua empolgação e orientou para que ele conciliasse a mecânica de 14h às 21h, dormir um pouco e chegar ao treino às 4h da manhã. Assim é sua rotina desde 2013, ano em que chegou ao Mais Querido. Morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Michel pegava ônibus e trem para chegar à Gávea e, muitas vezes, fazia boa parte do trajeto em pé, porque as pessoas que estavam no assento de prioridade abaixavam a cabeça e fingiam que estavam dormindo. Apesar de todas as dificuldades, o remador não desistiu de seu sonho e seguiu focado nos seus objetivos.

Principais conquistas na carreira
Com apenas seis meses de remo, Pessanha foi convocado para a Seleção Brasileira Paralímpica. Naquela época, o atleta ainda não sabia nadar e tinha que praticar o esporte na água. Mas deu seu jeito e acabou se firmando na equipe nacional.

Em uma de suas primeiras competições representando a amarelinha, Michel assegurou a medalha de bronze no Mundial de Remo (2014), realizado em Amsterdã, na Holanda. No ano seguinte, no Mundial Indoor de Boston (EUA), o atleta melhorou seu desempenho e garantiu a prata. Pessanha repetiu o feito e, em 2018, conquistou o ouro na mesma competição. Ainda na temporada 2015, Pessanha levou a prata e o bronze na Regata Internacional de Gavirate, na Itália, além do ouro na Regata Regional de Torino e a prata na Copa do Mundo de Remo em Varese, na Itália.

Na temporada seguinte, Michel Pessanha continuou brilhando nas águas e, desta vez, levou o ouro na Regata de Gavirate. Em 2016, nos Jogos Paralímpicos do Rio, o remador terminou na sétima colocação. No ano subsequente, conquistou a medalha de ouro no Sul-Americano de Remo, disputado em Brasília. Já na temporada passada, em competição realizada na Áustria, Michel garantiu a tão sonhada vaga olímpica para as Paralimpíadas de Tóquio 2020, adiadas para o próximo ano.

Representando as cores rubro-negras, logo numa das primeiras competições pelo clube, Pessanha ficou em segundo lugar no Campeonato Brasileiro de Remo (2014), em São Paulo. Em 2016, ele brilhou em outro Brasileiro e conquistou a medalha de ouro, em Florianópolis. No ano seguinte, Michel representou o Mais Querido no Sul-Americano da modalidade e também ficou com a primeira colocação. Na Copa Sul Sudeste (2017), em Porto Alegre, o remador repetiu as boas atuações e garantiu duas medalhas: ouro e prata em duas provas de Double Skiff. Completando a temporada recheada de conquistas, o rubro-negro assegurou a primeira colocação no Brasileiro de Remo, em São Paulo.

Em 2018, o Flamengo arcou com os custos para Michel representar o clube no Mundial de Remo Indoor, realizado em Boston, nos Estados Unidos. E o resultado não poderia ser diferente: ouro e bandeira rubro-negra no topo do pódio. Pessanha ainda conquistou mais dois nacionais pelo Mais Querido (2018 e 2019).

Hoje, com uma carreira consolidada tanto pelo Flamengo quanto pela Seleção Brasileira, Michel Pessanha venceu todos os obstáculos que apareceu em sua frente para se tornar um dos grandes nomes do pararemo brasileiro e mundial. Agora, o atleta se prepara para brilhar nas Paralimpíadas de Tóquio, em busca da tão sonhada medalha. Mas de uma conquista, em especial, ele pode se orgulhar: vencer as batalhas diárias da vida.


As equipes de remo do Clube de Regatas do Flamengo contam com recursos de seus patrocinadores – Estácio, AmBev, Rede D’or, IRB Brasil RE, CSN, Brasil Plural, EY – via Lei de Incentivo Federal/Ministério do Esporte (IR) e Lei de Incentivo Estadual/Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude (Seelje) do Rio de Janeiro, além de apoio do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) proveniente da descentralização de recursos oriundos da Lei Pelé.