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Judô do Flamengo completa 60 anos

Modalidade acumula glórias e grandes atletas ao longo das décadas

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O Flamengo sempre foi conhecido pela tradição e sucesso do futebol, mas não é novidade para ninguém a grandeza dos esportes olímpicos da Gávea. Remo, basquete, ginástica olímpica, são várias as modalidades em que o Clube se destaca e coleciona ídolos que marcaram gerações. Uma delas completa mais um ano de existência nesta sexta-feira (08.08): há exatos 60 anos, tinha início a prática de um dos esportes  de maior destaque do Flamengo, o judô.

Foram muitos os atletas, treinadores e colaboradores que fizeram com que o Rubro-Negro se tornasse um dos clubes mais respeitados da modalidade, mas seria impossível contar um pouco dessa história sem lembrar de um nome em especial. Carlos Alberto Monteiro de Farias, o Betão, hoje coordenador técnico do Judô do Flamengo, chegou à Gávea quase simultaneamente ao nascimento do esporte no Flamengo. O ex-atleta e ex-treinador foi um dos primeiros judocas do Rio de Janeiro. A importância de Betão é tamanha que, além de seus inúmeros títulos, ele foi o pioneiro da preparação física do esporte no estado, mas afirma que o verdadeiro campeão não é ele. "A gente ama o Judô; ama o Flamengo. Meu primeiro emprego foi no clube, mas quem está no comando aqui não é um profissional, um coordenador, um presidente, é o Flamengo. Se existe um grande campeão aqui é o clube, por manter durante tantos anos o esporte vivo", disse.

Betão representa tanto para o Judô rubro-negro que se tornou o segundo pai de muitos – se não de todos – atletas do Flamengo. São tantos os campeões que passaram por esses tatames que é difícil para ele citá-los. São medalhas e histórias, das mais diferentes possíveis, que construíram esses 60 anos de sucesso. "Minha função hoje é dar a tranqüilidade necessária aos meus atletas e treinadores para que eles possam trabalhar", comentou.

De tanta admiração, Rosicleia Campos, hoje treinadora do Flamengo e da Seleção Brasileira, seguiu os passos de seu professor. Sete vezes campeã sul-americana, nove vezes campeã brasileira, dezesseis vezes campeã carioca. Isso é apenas parte do currículo da judoca que ainda carrega vários títulos internacionais e duas participações em Olimpíadas. Hoje, Rosicleia dedica-se "apenas" à sua carreira de técnica – e mãe de gêmeos – mas não pensa, em momento algum, em abandonar o clube no qual passou toda sua vida. "Sinceramente, o Flamengo é tudo para mim. Tive mil propostas de sair do clube como atleta e como treinadora, mas existe um apego, uma ligação afetiva, que é impossível de descrever. Minha primeira bicicleta tinha um banco do Flamengo de tão rubro-negra que é minha família. Ter sido atleta do clube foi uma alegria não só para mim, mas para todos meus familiares. Além disso, a importância do Betão na minha vida é gigantesca. Quando ninguém acreditava em mim, ele foi o único que esteve ao meu lado. Posso dizer que, sem dúvida alguma, ele é como meu segundo pai", afirmou Rosicleia.

Entre os anos 1980 e 1990, outro atleta se destacou nos tatames rubro-negros. Frederico Flexa não esconde seu amor pelo clube, e por tudo que ele o ensinou e representa. "Passei a maior parte da minha vida no Flamengo. Fiquei no clube por mais de 20 anos, e trabalhei ao lado de grandes pessoas, como o Betão, que foi muito importante para minha criação e para meu treinamento. Tudo isso representa muita coisa para mim. Vestir o quimono do Flamengo em Olimpíadas foi muito marcante, e, mais do que em minha vida profissional, o clube está registrado na minha vida pessoal", contou Flexa.

Durante essas seis décadas, o Clube formou atletas que cada vez mais se destacam no cenário nacional. Judocas como Breno Viola e Katherine Campos são grandes exemplos disso. Breno se tornou o primeiro faixa preta com Síndrome de Down das Américas, além de ter sido campeão dos mais variados campeonatos, entre eles a Special Olympics. Já Katherine, outra representante da nova geração de judocas do clube, é uma das principais apostas da Seleção Brasileira para as Olimpíadas de 2016. Atual medalha de bronze no Pan-americano da categoria, a atleta já carrega em sua bagagem inúmeras medalhas e se destaca por sua escola rubro-negra.

São 60 anos de história em que os tatames da Gávea viram grandes campeões surgirem e deixarem sua marca no Judô brasileiro. O esporte olímpico com mais medalhas no Brasil significa muito para a história do clube, e espera sempre contar com o apoio de seus torcedores. "O Flamengo tem sua história, tem o futebol como carro chefe, mas também tem os esportes olímpicos. Por isso, contamos com a torcida de vocês para sempre nos dar uma força. Somos e sempre seremos todos rubro-negros", concluiu Betão.